terça-feira, 11 de outubro de 2011

Um daltônico explicando o daltonismo

Bom pessoal, ontem fiz uma grande revelação. Falei sobre meu problema. É claro, não foi fácil, ainda mais depois de tudo que já passei, mas, a vida segue...

Não sei se todos têm conhecimento sobre o daltonismo. Eu mesmo ainda não sei direito o que é. Só sei que não vejo um monte de bolinhas coloridas. Fui pesquisar a respeito e encontrei muitas explicações e algumas histórias bem divertidas.

O daltonismo (tem gente que gosta de complicar, chamam também de discromatopsia ou discromopsia. Mas daltonismo já está de bom tamanho. Daltonismo com ‘L’, viu? Nada de usar o ‘U’), basicamente falando, é quando o indivíduo vê várias cores e não consegue diferenciá-las. Geralmente o maior problema é distinguir o verde do vermelho. Este ‘defeito’ tem normalmente origem genética.

Pode parecer algo simples, mas só quem tem isso sabe como é complicado. Posteriormente vou contar algumas das diversas histórias que vivi por causa deste tal distúrbio. Coisas simples como pintar um mapa na escola, ou dirigir, às vezes, se tornam verdadeiras missões impossíveis. 

Como é que o negócio funciona
Pelo que eu entendi, existem três cores primárias: verde, vermelho e azul. Essas cores são captadas pelos cones (células sensíveis à cor. A retina humana possui três tipos delas) e combinam-se formando uma imagem colorida.

As tonalidades visíveis dependem do modo como cada tipo de cone é estimulado. A luz azul, por exemplo, é captada pelos cones de "alta frequência". No caso dos daltônicos, algumas dessas células não estão presentes em número suficiente ou registram uma anomalia no pigmento característico dos fotorreceptores no interior dos cones. 

Tipos de daltonismo
Nós existimos em três grupos. Preste atenção para ver se consegue nos distinguir. Os tipos são: Monocromacias, Dicromacias e Tricromacias Anómalas.

Acho que o pior é este aqui, Monocromacia, porque ele enxerga tudo cinza. Já pensou, ver tudo em preto e branco? Já acho ruim assistir aos filmes ‘novos’ que minha mãe aluga, imagina ver a vida sem cores? Ruim, né? Só foto P&B que é bacana. Tem o monocromata típico que atinge 0,003% dos homens e 0,002% das mulheres do mundo. Muitos animais, como os de hábitos noturnos, peixes abissais e pingüins possuem essa característica. E o monocromata atípico, que é muito raro na população humana, mas é encontrado em ratos. 

Outro tipo é a Dicromacia, que resulta da ausência de um tipo específico de cones, pode apresentar-se sob a forma de: protanopia, em que há ausência na retina de cones "vermelhos"  resultando na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-amarelo-vermelho do espectro; deuteranopia, em que há ausência de cones "verdes", resultando, igualmente, na impossibilidade de discriminar cores no segmento verde-amarelo-vermelho do espectro (cerca de 1% da população masculina tem); tritanopia, em que há ausência de cones "azuis", resultando na impossibilidade de ver cores na faixa azul-amarelo).

O último tipo é a Tricromacia anômala, que se manifesta em três anomalias distintas: protanomalia, mutação do pigmento sensível aos "cones vermelhos". Resulta numa menor sensibilidade ao vermelho e num escurecimento das cores perto das freqüências mais longas (que pode levar à confusão entre vermelho e preto). Atinge cerca de 1% da população masculina; deuteranomalia, presença de uma mutação do pigmento sensível aos cones verdes. Resulta numa maior dificuldade em discriminar o verde. É responsável por cerca de metade dos casos de daltonismo; tritanomalia, presença de uma mutação do pigmento sensível aos "cones azuis". Forma mais rara, que impossibilita a discriminação de cores na faixa do azul-amarelo.

Vantagens?
A mutação genética que provoca o daltonismo sobreviveu pela vantagem dada aos daltônicos ao longo da história evolutiva. Essa vantagem advém, sobretudo, do fato de os portadores desses genes possuírem uma melhor capacidade de visão noturna, bem como maior capacidade de reconhecerem elementos semi-ocultos, como animais ou pessoas disfarçadas pela sua camuflagem.

A merda de ser homem
Como o daltonismo é provocado por genes recessivos localizados no cromossomo X (sem alelos no Y), o problema ocorre muito mais frequentemente nos homens que nas mulheres. Estima-se que 8% da população masculina seja portadora do distúrbio, embora apenas 1 % das mulheres sejam atingidas.

No caso de um indivíduo do sexo masculino, como não aparece o alelo D, bastará um simples gene recessivo para que ele manifeste daltonismo, o que não acontece com o sexo feminino, pois, para manifestar a doença, uma mulher necessita dos dois genes recessivos dd.

Como descobrir?
Teste das bolinhas ou teste de cores de Ishihara: consiste na exibição de uma série de cartões pontilhados em várias tonalidades diferentes. Esse é o método mais frequentemente utilizado para se diagnosticar a presença do daltonismo, sobretudo nas deficiências envolvendo a percepção das cores vermelho e verde. Uma figura (normalmente uma letra ou algarismo) é desenhada em um cartão contendo um grande número de pontos com tonalidades que variam ligeiramente entre si, de modo que possa ser perfeitamente identificada por uma pessoa com visão normal. Porém um daltônico terá dificuldades em visualizá-la.
Este é o teste. Passei por isso há muitos anos. Vocês, 'normais', devem enxergam um número em cada desenho acima. Já eu, não vejo nada além de dezenas de bolinhas coloridas.