sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Revoltada com aumento de energia, moradora cria próprio ar condicionado



A população santarena já não aguenta mais essa situação: noite às escuras e cobrança abusiva no final do mês. Não se passa uma semana sem que o fornecimento de energia elétrica não tenha falhas. Dia após dia a Celpa mostra porque sempre lidera o ranking de reclamações no Procon - apesar de que, ultimamente, os consumidores já estão de saco tão cheio que até pararam de reclamar, fato bastante comemorado pela gerência da empresa, que tenta passar uma falsa de imagem de que as coisas vão bem.

Ainda se recuperando da pancada recebida este mês, quando foi anunciado o aumento de 35% na conta de energia, vários consumidores correm em busca de alternativas para sair do laço criado por governo e concessionária.

Tem gente que já se cansou de dar o suado dinheiro para o governo, que mete a mão nos brasileiros, por meio de tantos impostos, e para uma empresa que consegue ser pior a cada dia.

Uns resolveram voltar a uma realidade na qual pensaram ter deixado para trás. Para estes, substituir a energia fornecida pela Celpa por geradores foi a opção encontrada.

A dona de casa Márcia Ferreira, criativa do jeito que é, encontrou outro jeito de economizar na conta de energia e não passar calor. Ela criou seu próprio ar condicionado, com um consumo muito menor do que os tradicionais. "Meu quarto é muito quente e meu ventilador é fraco. Achei que seria uma solução prática, econômica e satisfatória para meu problema", diz.

Para construir o aparelho, ela assistiu vídeos na internet. Poucas horas depois, já estava desfrutando de sua criação, que precisou de um ventilador, isopor e gelo para ficar pronta.

"É um absurdo um lugar quente desse jeito e a gente não poder nem se refrescar porque a conta de energia é um roubo!”, reclama, indignada.

sábado, 23 de agosto de 2014

Um ser daltônico

Antes de ler este texto, quero que você me faça uma promessa. Preste atenção, porque para mim é algo bem simples, mas, para você, talvez não seja. Toda vez que alguém fica sabendo que eu sou daltônico, sempre repete os questionamentos feitos por trilhões de pessoas. Então, encarecidamente, eu peço para que não me pergunte coisas do tipo: “que cor é essa? E aquela?” (apontando para diversos objetos) ou “como você consegue dirigir?”... vou explicar tudo aqui, belê?

Ser daltônico já é algo normal, para mim. Não é nada que tire meu encanto pela vida ou me faça entrar em depressão. Não ver algumas cores ou confundir tantas outras, de uns anos para cá, tem até sido motivo de muitas gargalhadas. Mas nem sempre foi assim...

Quando eu era um menino, e nada mais que um menino, eu sofria bastante por não saber diferenciar as cores. Acho que a primeira a perceber que eu era daltônico foi minha mãe. No começo, quando meus pais viam meus desenhos, eles achavam que eu gostava muito de vermelho e marrom, porque tudo era nessas cores: casas, pessoas e bichos. De vez em quando apareciam umas nuvens roxas, também. Mesmo assim, tenho certeza que eles sempre ficaram felizes em receber as minhas obras de arte.

As lembranças mais ingratas que eu tenho são das aulas de geografia. Não sei o porquê de a gente ter que colorir tantos mapas. Quando chegava essa hora, sempre me dava uma dor de barriga.
- Pintem a Europa de vermelho – dizia a professora.
- Hei, depois que você usar, empresta o vermelho? – eu pedia para meu colega de turma.
- Eu tenho dois, pode pegar aqui – respondia, me indicando seu estojo repleto de lápis de cor.
- Humm... tá bem – falava sem saber o que fazer. Não custava nada ele pegava o vermelho e me dar, né? Mas não, eu era obrigado a localizar o bendito lápis entre tantos.
- Haha. Você é doido, por que não pegou o vermelho? A professora vai brigar com você se ver que pintou de marrom.
- Sabe como é, não gosto de seguir as regras... – respondia me cagando de medo.
Depois de seguidos episódios como esse, meus lápis começaram a receber as iniciais das cores, para ver se eu conseguia ‘seguir as regras’.

O engraçado é que lido diariamente com as cores. Seja no meu emprego, ou em bicos por aí, criando artes ou diagramando jornais e livros. Em vez de correr do problema, justamente vou ao centro dele. :/

O maior questionamento de todo mundo é: como você consegue dirigir?

Bom, passei anos desenvolvendo uma técnica para que eu pudesse dirigir sem que matasse ou morresse no trânsito. O primeiro passo é óbvio: decorar a posição das cores. Isso é muito prático, no entanto se limita apenas durante o dia. Se for horizontal, às vezes os semaforístas (não sei se essa palavra existe, mas a usei no sentido de 'os caras que instalam os semáforos') não seguem o mesmo padrão e bagunçam a minha vida. À noite, em certos pontos onde a iluminação pública não é tão boa, você vê apenas a luz acesa, mas não consegue saber em que posição ela está. Às vezes consigo identificar a cor, mas quando isso não acontece, faço uma rápida análise do cenário e observo a movimentação dos outros veículos. Se tem carro à minha frente, faço o que ele faz. Se tem carro atrás, dou uma segurada até ver a reação dele. Se na minha mão não tem carro nem à frente, nem atrás, olho para as outras.

Para jogar videogame, preciso de algumas artimanhas. Quando é possível selecionar a cor de mira em jogos de ação, os daltônicos agradecem. Quando não, é preciso dar um jeito. A melhor solução encontrada (até agora) foi por um pingo de pasta de dente no centro da tela. Assim não tem como errar!

Jogar bola também pode ter suas complicações. Eu e meu irmão – que também é daltônico – já deixamos de jogar por causa das confusões nos coletes. Quando é amarelo, azul ou preto, fica fácil diferenciar. O problema é quando colocam verde e vermelho frente a frente. Aí não tem daltônico que resista. Para não pegarmos fama de maus jogadores, preferimos abrir mão de jogar. O pior é que ninguém acredita, mas fazer o que?

Mais recentemente meu irmão descobriu porque não achávamos tanta graça nos arcos-íris, enquanto todo mundo fazia o maior auê quando algum surgia. Para nós, as sete cores eram que nem o pote de ouro: só ilusão. Nós não as víamos. Quer dizer, nós não as vemos. No máximo, e, olha lá, com muita sorte, enxergamos umas três... mas, tá tudo bem.

Já escrevi, outras vezes, sobre daltonismo. Se quiser, pode conferir.

Histórias de um daltônico

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Asterix, o ciclista maluco

A melhor parte de ser jornalista é poder ouvir as mais loucas histórias que as pessoas têm para contar. A história que contarei a seguir, por exemplo, não sei até que ponto realmente aconteceu. Mas isso não diminui a beleza da coisa. 
Equipe do JSBA teve a honra de posar para foto ao lado do 'maluco' (Foto: Jô Tapajós)
Em 2003, Janilton Ferreira recebeu o apelido de ‘Ciclista Maluco’ de ninguém menos que o então presidente da república, Luís Inácio Lula da Silva. Desde lá ele carrega este nome por todo canto do Brasil por onde passa. Gostou tanto que até deixou de lado o ‘Zé Pedal’, como era chamado antes do encontro com o ex-presidente. Há ainda quem o compare com o herói gaulês das histórias em quadrinhos, o Asterix (presta atenção, são muito parecidos!). 

O ‘Ciclista Maluco’ é, no mínimo, um bom contador de histórias. Histórias estas vividas intensamente durante seus 59 anos de vida (ele vai completar 60 ainda neste ano). Só de pedal, ele já acumula 28 anos. Conheceu alguns países, várias capitais e milhares de cidades. Ele chegou a Santarém na semana passada, vindo do Amapá, onde concluiu mais uma de suas jornadas malucas.

PRIMEIRA AVENTURA


Tudo começou em 1986, quando Ferreira tinha 32 anos. “Teve um amigo que me convidou para dar uma volta. Eu topei. Falei para minha mulher: ‘daqui a seis meses talvez eu volte’”, conta. A viagem por Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia durou bem mais que o previsto: foram necessários 14 meses. “Fomos devagar, sem pressa, para conhecer as cidades”.

A partir daí ele não conseguiu mais desgrudar da bicicleta. Após descansar da primeira viagem, já quis partir para outra aventura. A ideia era desbravar, junto com o amigo, o litoral brasileiro, de Itajaí (SC) até Belém (PA). No entanto, o companheiro não aceitou o novo desafio. Em compensação, a esposa do aventureiro topou. “Nem chegamos a completar o caminho. Fomos até Fortaleza (CE) e voltamos”. Mesmo sem alcançar o objetivo, o ‘passeio’ durou mais de um ano.
Lula, o mentor do apelido 'Ciclista Maluco'


POR ONDE ANDOU


Encontro dos baixinhos contadores de histórias
O ‘Ciclista Maluco’ conta que não planeja as viagens. Apenas pensa para onde quer ir, pega a magrela, e vai. “A gente não planeja. Levo apenas umas cinco peças de roupa, ciclista não tem como levar muita coisa”. Mesmo assim a bicicleta vai carregada. Na bagagem, que pesa cerca de 80 kg, estão peças, caso a magrela quebre, pneus extras, câmaras de ar, além de várias sacolas, bandeiras e, principalmente, fotografias. Várias destas com personalidades conhecidas internacionalmente. São fotos com jogadores (Neymar, Júlio César, Pato), atores (Tonny Ramos, Antônio Fagundes) e políticos (Lula, Romário). Ele chegou a ficar acampado por 17 dias em frente ao Palácio do Planalto para tirar uma foto ao lado de Dilma Rousseff, mas o ciclista foi ignorado pela presidente.

Asterix e Neymar, uma dupla e tanto
Em 28 anos de pedaladas, Ferreira já percorreu mais de 100 mil quilômetros e visitou mais de 3 mil cidades em cinco países. No Brasil, ele conhece quase todas as capitais. “Eu conheço 24 capitais do Brasil. Falta conhecer apenas Boa Vista, Porto Velho e Rio Branco. A última que eu conheci foi Macapá, onde estive recentemente. O que eu faço é um cicloturismo, conhecer o Brasil de bicicleta. Pegar carona não tem graça. Meu amigo é Deus, a melhor companhia”.


OIAPOQUE AO CHUÍ


Há sete anos, em março de 2007, o ‘Ciclista Maluco’ partiu, talvez, para o seu maior desafio. Ele queria cortar o Brasil de Sul a Norte, de Chuí a Oiapoque (vale ressaltar que, apesar de amplamente difundido que esses sejam os dois pontos extremos do Brasil, Oiapoque não é onde ‘começa o Brasil’. O ponto mais ao Norte no mapa brasileiro é Caburaí, em Roraima. Em vez de Oiapoque ao Chuí, dever-se-ia falar: Caburaí ao Chuí).

O feito só foi completado no dia 23 de julho deste ano. “Eu andei por muitos lugares, acabei me atrasando muito, afinal já são sete anos. Em um ano e meio daria para fazer tudo isso”, explica o ciclista, que ainda pretende voltar ao Chuí.

DE JARDINEIRO A AVENTUREIRO


Antes, o ‘Ciclista Maluco’ era jardineiro, agora sua profissão, como ele mesmo diz, é o perigo. Já passou por poucas e boas nos acostamentos das estradas brasileiras. São tantas aventuras que ele já teve de trocar duas vezes de companheira. Margarida e Rebeca já estão aposentadas. Há oito anos a missão ficou por conta da Bambina, que ainda tem muito pneu para gastar. Foi com ela que ele cumpriu a jornada de Chuí ao Oiapoque. “Nunca perdi minha bicicleta, nem a roubaram”, comemora.

Oiapoque: "aqui começa o Brasil"
Ele sempre emagrece bastante durante as viagens. Atualmente está com 67 kg, mas quando partiu para a aventura estava um pouco mais forte, com quase 80 kg. Com a vida que leva, não conseguiu manter o casamento. Há três anos se separou da esposa, com quem teve três filhos. O caçula, inclusive, seguiu algumas viagens com o pai, mas não aguentou o tranco e desistiu do desafio.

Aos 59 anos ele esbanja vitalidade e boa vontade. Ele diz que não bebe, nem fuma (e é claro que eu acredito), e por isso consegue realizar os desafios que traça para sua vida. Ainda não se aposentou, então não tem renda fixa. Para viver, ele conta com o apoio das prefeituras dos municípios por onde passa, além da contribuição dos ‘amigos da estrada’ que admiram a coragem do simpático maluco. “A gente pede apoio nas prefeituras. Às vezes as pessoas passam por mim, dão alguma contribuição”, revela.


FUTURO DO CICLISTA


O aventureiro ainda não decidiu para onde vai depois de Santarém. Estão nos planos Cuiabá ou Manaus. “Aqui é a primeira vez que eu venho. É uma cidade bonita, com bastante gente”, fala. Para ele, os lugares mais bonitos para onde foi, e deseja voltar, são Rio de Janeiro e Fortaleza.

Janilton Ferreira pretende chegar a sua casa, em Itajaí (SC), no final de 2016, e, depois, escrever um livro contando a história da sua vida, para ser lançado no começo de 2018. “Depois disso vou seguir viagem novamente. Eu adoro, sou apaixonado por isso”, finaliza.



A cada conto, aumenta um ponto...


Superbike


Para o jornal O Hoje, de Goiás, o ciclista informou que pedala, em média, a 60 km/h. Ele também falou que viaja cerca de nove horas por dia. Se a gente fizer a conta, ele transcorre um percurso diário de 540 km. Após ler a informação, eu fiquei me questionando: ou o maluco tem c# a jato ou ele peida nitro. O mais bacana de tudo é que o figura ainda é humilde. Diz que "não tem pressa".


Quilômetros incontáveis


Em maio deste ano, o jornal Agora, do Maranhão, disse que Janilton Ferreira havia percorrido cerca de 3.500 km, por 24 capitais brasileiras. Mais recentemente, no dia 14 de agosto, ao portal Globo Esporte, no Pará, o ciclista afirmou que sua quilometragem era muito mais alta: nada menos do que 120 mil km percorridos. Das duas, uma. Ou o odômetro de sua bicicleta está com defeito, ou ele percorreu 116.500 km em três meses.



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

De mãos atadas



Até quando o povo brasileiro vai ficar refém dos mesmos grupos políticos que se revezam na sucessão do poder há décadas? Até quando vamos continuar inertes neste cenário deplorável e degradante para que o Brasil caminha?

Não é possível que não haja solução. Todo mês eu escrevo um texto similar a este questionando as mesmas coisas e, ainda, continuo sem respostas. Não sei se realmente eu seja muito pessimista quanto ao presente/futuro ou se realmente tenho razão por ficar insatisfeito com o rumo que as coisas andam. Talvez se eu ficasse a maior parte do tempo em um mundo paralelo, puxando um baseado, como tantos por aí, eu defendesse que estamos caminhando no trilho certo...

Até a quarta-feira, 7, o governo, por meio de impostos e tributos, já havia sugado de nossos bolsos a salgada quantia de quase R$ 780 BILHÕES. Acredita nisso? Dinheiro meu, dinheiro seu. Dinheiro de famílias que não têm nem o que comer. O mais incrível é que essa montanha simplesmente desaparece na mão de nossos governantes. Esse dinheiro não volta em benefício. Problemas básicos – e centenários – continuam nos assolando. Saneamento básico parece até luxo.

Quando vamos comprar um produto, temos duas opções. Ou adquirimos algo de qualidade, no qual temos confiança de que o investimento valerá a pena e, por isso, desembolsamos uma quantia maior. Ou compramos um produto de preço muito mais baixo, que não tem a mesma qualidade, e logo vai nos deixar na mão.

Quando se fala em imposto, no Brasil, as coisas se invertem. Pagamos caro por um produto que não tem qualidade. Ou seja, suamos sangue pagando taxas altíssimas em produtos e serviços para que nossos ditos representantes apliquem mal os recursos – ou, pior, desviem para benefícios próprios.

O caso mais recente, escandaloso e ridículo é o aumento concedido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) à Celpa. A cacetada foi pesada. O sofrido povo paraense vai pagar 35% a mais em sua conta de energia. Um aumento enorme desse, superior a 1/3, e as coisas continuam como se tudo estivesse normal. Cadê os políticos ditos interessados nas causas populares?

É preciso mudar. É preciso encontrar um novo caminho para seguir, porque este, no qual estamos, vai para o precipício. E, se lá cairmos, nunca mais sairemos.