segunda-feira, 29 de julho de 2013

Mais um dia perdido


Quando acordo já está passando das 17h. Abro meus olhos e vejo, pela TV, Corinthians e São Paulo empatando em 0 a 0. Mexo-me na cama e sinto um objeto nas minhas costas. É o meu celular. Dou uma olhada nele, confiro as novidades. Nada além de mensagens de ‘bom dia’. Minha cabeça está latejando. Minha garganta, seca.

Levanto, vou até a cozinha. Tomo um gole de café, o resto da caneca eu jogo fora. Já está frio. Abro as panelas em cima do fogão. Hoje o almoço foi macarrão com frango. Estou sem fome, mas mesmo assim vou comer. Não preciso estar com fome para comer macarrão.

Vou tomar banho. Depois, ligo meu PC, tenho um TCC para terminar. Pra falar a verdade a minha cabeça começa a doer ainda mais só de pensar em mexer nesse projeto. Queria que tudo isso acabasse logo e eu me visse livre desse peso. O que me anima é pensar que falta apenas um mês para que tudo isso chegue ao fim. Mais um mês...

Abro meu email. Nada de importante. Abro meu Facebook. Nada de interessante. Abro meu TCC. Nada de estimulante. Olho para o lado. Vejo A AUTOESTRADA, um livro que comecei a ler dias atrás. Olho pra tela do meu DELL. Tenho que terminar o TCC, tenho que terminar... pego o livro. Procuro a página em que parei. É a 128. Não cheguei nem na metade da autoestrada. Começo a ler.

Ouço passos na escada. Em seguida, aparece a minha mãe. Ela vê a minha caneca ao lado da cafeteira e pergunta se eu quero que ela passe um café. Com toda a certeza.

Leio 19 páginas. Não consigo continuar. Estou com um tédio mortal. Deixo o livro de lado. Volto a atenção para o PC. Vou de aba em aba à procura de alguma coisa que me distraia. Coloco uma música para tocar. Encho minha caneca de café pra acompanhar.

Pego meu celular. Respondo algumas mensagens. Não estou com muito ânimo pra conversar. Deixo meu celular de lado. Encho minha caneca, novamente.

Retomo meu TCC. Faço algumas modificações. Mudo isso, mudo aquilo. Não tô com cabeça pra isso. Abando o projeto mais uma vez. E encho minha caneca, outra vez.

Dou uma olhada no Facebook, curto umas postagens interessantes – uma raridade. Converso, pelo bate papo, com duas amigas que moram fora. Abro o WORD. Tento começar a escrever um texto. Digito algumas palavras. Desisto. Volto ao Face, continuo a conversa. Pego a caneca e coloco mais um gole de café.

Minha mãe esquenta a janta. Como moderadamente.

Volto ao PC. Abro outra página no WORD. Tento escrever outro texto. Digito algumas frases, mas não consigo continuar. Que tédio! Desisto da missão.

Tomo outro banho. Volto ao PC. Começo a assistir uma série. Dois minutos. Esse é o tempo que eu assisto. Pego meu celular. Abro o WHATSAPP, não puxo conversa com ninguém. Deixo meu celular de lado. Olho pela janela, está uma escuridão sem fim. Já passa da meia noite.

Abro mais uma vez o WORD. Começo a escrever este texto. O nome já diz tudo: MAIS UM DIA PERDIDO. Hoje eu não fiz nada de interessante (talvez este texto), não conheci ninguém diferente, nem saí de casa! Simplesmente desperdicei um dia de vida à toa. Deixei o tédio me consumir. Isso não vai mais acontecer.

Abro o Face, dou uma olhada. Fecho a página. Pego o celular, nenhuma mensagem nova. Vou à cozinha, abro os armários, mas o dia está tão ruim que não encontro nada. Volto ao PC. 

Posto o texto.

Tédio, vai embora, por favor... 

sábado, 27 de julho de 2013

É, amigo... o tempo passa


Julho sempre foi sinônimo de férias. Sempre, até a gente se tornar grande e assumir responsabilidades que não permitem mais que isso aconteça.

Quinta-feira, quando eu estava voltando para casa, na hora do almoço, comecei a lembrar do tempo em que eu era estudante. É engraçado como a gente consegue lembrar cada detalhe que, na época, parecia insuportável. Apesar de sempre ter sido um bom aluno, nunca gostei muito de escola. Nas primeiras séries eu ia chorando. Só ficava na sala se, através da janela, eu visse a minha mãe. O tempo foi passando, fui me acostumando à ideia, mas, mesmo assim, não nutria grandes amores pela escola. Acho que até por isso eu me esforçava tanto para conseguir boas notas e passar direto. Seria tortura demais ter que perder um bom tempo das minhas férias preso em uma sala de aula.

Até hoje eu sei exatamente o cheiro que tinha o prédio em que eu estudei a 4ª série. De vez em quando me vem à lembrança tudo o que eu passei naquele local. Lembro que eu sempre estudava muito para as provas. E quando achava que não ia conseguir tirar uma boa nota, caía no choro. Não raramente, eu passava a noite chorando. Mas isso não durou muito tempo. Lá pela 6ª série eu tirei a minha primeira nota vermelha. Em Português, matéria que eu sempre prestei atenção. Depois daí eu não fui o mesmo. É claro que continuei sendo um bom aluno, no entanto eu comecei a perceber que havia coisas mais interessantes na escola do que só estudar.

A minha grande mudança foi quando cheguei ao ensino médio. Lá, sim, eu passei por uma revolução. Deixei de ser aquele moleque do sítio, todo quietinho, com o cabelo lambido de vaca, para ser alguém mais... autêntico.

Ao chegar à universidade eu passei por outro ‘upgrade’. Ali eu comecei a conviver com pessoas das mais distintas realidades. Era uma mistura de gente jovem com gente experiente. De gente frustrada com gente sonhadora. Um recorte de mundo que me fez crescer e amadurecer. Lá, também, sempre fui um bom aluno. Só depois da metade do curso que eu dei uma relaxada e acabei não me dedicando tanto quanto deveria. Mas, valeu.

Depois que a gente sai da universidade, tudo o que deseja é conseguir o primeiro emprego. A ideia de ser independente, de começar a construir a própria vida, de poder ter os próprios recursos, acaba invadindo a gente de tal maneira que fica difícil pensar em outra coisa. Você já começa a pensar em comprar um carro, a trocar de celular, a sair de casa... e esse ciclo nunca vai parar. A partir do momento em que você der o primeiro passo, vai ver que as circunstâncias vão exigir que você dê o segundo, o terceiro... quando se der conta, já vai estar lá no meio do caminho, apenas sobrevivendo, perdido em meio a tantos pensamentos, e sem saber o que fazer.

É aí que você vai tentar se lembrar de quem você era, dos sonhos que tinha, e de como chegou até ali... é aí que você, num dia de chuva, quando estiver voltando para casa, vai se recordar do tempo em que era apenas uma criança. Em que o mundo era todo colorido e grande o suficiente para abrigar todos os seus sonhos. É aí que você vai se tocar que julho não significa mais nada para você. Que você já não tem aquela liberdade de chutar os seus problemas como se fossem uma bola de futebol, ou ver o seu maior desejo ganhar vida no céu, como se fosse aquela pipa que por tanto tempo te acompanhou... é aí que alguém vai virar para você, com os olhos cheios de lágrima, e dizer: “é, amigo... o tempo passa”.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Perdemos a essência


No Facebook:
- Tão reclamando do dinheiro que o governo está gastando com o Papa? Não sei porque... afinal, a maioria da população é Católica, nada mais justo do que gastar esse dinheiro.

- Sendo assim, por que reclamaram do dinheiro gasto com a Copa? A maioria dos brasileiros é apaixonada por futebol, logo, nada mais justo do que gastar esse dinheiro.
- Lá vai... o que que tão falando do Papa? Porque tudo o que os pastores querem é se aproveitar dos fiéis e promover a sua imagem. Só andam de carrões, jatinhos e se hospedam em hotéis cinco estrelas. Olha só o caso do Feliciano, já quer ser até presidente da República...
- Querem falar de dinheiro, é isso mesmo?! Rá rá. Por acaso não é a Igreja Católica a mais rica do mundo? Ou já se esqueceram da história? Pois eu, não. Sempre se aproveitou do povo para enriquecer... não é à toa que até hoje ostenta tanto luxo e poder. Já enganaram as pessoas por muito tempo, mas agora o jogo está mudando. Ano após ano o número de fiéis está diminuindo... menos fiéis, menos poder, menos dinheiro...

- E a cada dia os pastores estão mais ricos, mais poderosos... tudo às custas dos fiéis. Prometendo milagres, curas, libertações. O que tem de pastor pilantra... O que tem de pastor cometendo adultério...
- E o que tem de padre pedófilo... e o que tem de padre gay...
- E o que tem de filho de pastor perdido, drogado, caloteiro...
E assim vai...

O amor de Deus é a única coisa que nos faz viver. Por amor a nós, pecadores, Ele deu o seu único filho para morrer naquela cruz. Ele não nos separou em grupos. Não fez distinção entre Católicos, Evangélicos, Espíritas, ateus... Ele não escolheu a quem dar a chance de uma nova vida. Ele deu a mesma oportunidade a todos. Aos que acreditavam nEle, aos que xingavam Ele, aos que negavam Ele. Todos tiveram a sua chance. Ladrões, assassinos e todo tipo de gente.

Por isso eu acho incrível a capacidade que nós temos de, nos dias atuais, pegar a Palavra de Deus e jogar no lixo. Não fazer o que Ele nos ensinou, ou pior, fazer tudo aquilo que Ele disse para não fazermos. Deus não é Católico, Deus não é evangélico, Deus não é espírita. Deus é Deus. Por que, então, em vez de fazer a missão que Ele nos deixou, perdemos tempo semeando a discórdia entre irmãos, numa disputa sem-fim em busca de poder e reafirmação? Por que sempre queremos ser um melhor que o outro, se, diante de Deus, somos todos iguais?

De uns tempos para cá essa situação ‘religiosa’ está se tornando um verdadeiro pé no saco. Católicos de um lado, Evangélicos de outro. E no meio dos dois, uma multidão de gente. Muitos que abrem a boca não porque tenham alguma mensagem interessante para falar, mas porque não sabem ouvir. A vinda do Papa ao Brasil, assim como o aumento das passagens em R$ 0,20 lá em São Paulo, foi a gota d’água, pra mim.

Já tá na hora de acabar com esse joguinho besta entre religiões. Aliás, já tá na hora de pararmos de pensar que a religião nos garante alguma coisa. Na verdade, a principal coisa que ela faz é nos cegar. Cegar dos princípios de Deus, cegar do amor ao próximo, cegar da verdade.

Religião não salva, quem salva é Deus. Não temos que fazer o que o pastor A falou, ou o que o padre B disse. Temos que seguir o que Jesus nos ensinou.

Por que não paramos de falar um pouco e prestamos mais atenção na mensagem que o Papa está transmitindo? Sim, por que não? E por que não podemos refletir no que o pastor tem a dizer, antes de condenarmos todos, como sendo iguais?

É que claro que as diferenças vão existir. E é até bom que existam. Na diversidade aparece a verdade. Até porque dentro dos semelhantes, há os diferentes. Dentro das doutrinas evangélicas, há inúmeros ensinamentos que se diferem. Batistas pensam diferente dos Assembleianos, que agem diferente dos Presbiterianos. E assim vai. Não adianta juntar tudo e dizer que são todos iguais.
Respeito é o mínimo que devemos ter. Respeito com todos, sem exceção.

O tempo em que perdemos trocando farpas uns com os outros, poderíamos estar investindo naquele morador de rua, solitário, precisando de uma companhia. Ou quem sabe naquela jovem mãe solteira que está precisando de ajuda, mas que a Igreja virou às costas pra ela. Ou naquele idoso que não tem ninguém para conversar, apenas passa seus dias à espera da morte. Ou, quem sabe, naquele jovem enfiado nas drogas...

Jesus, mesmo sabendo das piores coisas das pessoas, ainda assim Ele as amava. Ele via o fio de vida que estava escondido em cada uma delas. Ele não julgava, Ele não excluía. Ele trazia para perto de si e torna-se amigo delas. “Bonito é a amizade que nasce a partir da precariedade”, disse alguém, certa vez.

Jesus chocou o mundo religioso da sua época. Ele deu o exemplo. Acho que já está na hora de seguir...

Bom, essa é a minha opinião.

Enquanto isso, no Face...
- Vocês ouviram? O Papa é contra o casamento gay. Isso mesmo, ele é contra! Rá rá rá. Não vão falar nada? Não vão chamá-lo de homofóbico? Hein, vão não? Sabe como é... o Feliciano disse a mesma e quase foi apedrejado...

terça-feira, 23 de julho de 2013

Nunca se falou tanta besteira

 
Quanto mais o tempo passa, mais as pessoas falam, mas menos elas dizem. Nunca fui um grande fã do Facebook, mas também nunca deixei de usá-lo (quer dizer, teve uma vez sim, mas não fiquei mais do que seis meses longe). Entendo que tudo tem a sua razão de existir. O Facebook é uma ótima ferramenta, não posso negar, desde que seja usado de forma apropriada. Assim como uma espingarda. Ou uma urna eletrônica. Não há distinção entre eles. Ao mesmo tempo em que podem ser uma coisa boa, também podem não ser. Tudo vai depender do modo como se opera a coisa. Aí é que a questão fica um pouco mais complicada. Cada cabeça, uma sentença, não é? Cada um julga as suas ações como quiser. O que é certo para mim, pode não ser para você.

Bom, por hora vou esquecer as armas e as urnas. Quero escrever sobre uma coisa que há tempos está entalada em minha garganta, mas que eu engolia em vez de por tudo para fora. Quero refletir sobre a capacidade de perder tempo com besteiras.

Um belo exemplo é você, que está perdendo preciosos segundo de vida lendo as asneiras que eu escrevo. 

O Facebook é o celeiro da idiotice. Nunca vi um lugar para reunir tanta gente à toa para falar de tanta coisa desinteressante. Até por isso reza a lenda que quem tem ocupações no mundo real, dificilmente perde seu tempo no Face. É só observar. Quem tem uma vida real, quem trabalha duro, quem rala nos estudos, quem se dedica a alguma coisa, raramente vai estar ‘on’ para colocar as fofocas em dia, ou para compartilhar o pensamento de A ou B. (Eu sei que você é exceção, tá? Este parágrafo foi uma mera coincidência).

Com os protestos surgidos no último mês, muito se falou do poder das redes sociais para mobilizar e unir as pessoas em torno de uma mesma causa. Diziam que a internet seria o grande trunfo desta geração que teria armas suficientes para bater de frente com o sistema e com as grandes mídias. No entanto, tenho um pensamento bem diferente desse. Acredito que com o avanço da internet até os confins da terra, abrangendo uma enorme fatia da população, o jogo de manipulação se tornou muito mais fácil.

Tanto é que qualquer besteira postada por algum perfil influente, ganha destaque internacional, com milhares de compartilhamentos e curtidas. Falando a verdade, menos de 10% dos usuários do Facebook tem neurônios suficientes para refletir sobre a onda em que navegam. É difícil você encontrar um ser pensante nesse mundo virtual. O que tem de sobra são os reprodutores dos hits do momento. É só algum assunto estar no auge que a boiada segue fielmente até o matadouro sem se dar conta da realidade.

Na época dos protestos que percorreram o Brasil, o Facebbok, o Twitter e o Instagram ficaram uma beleza. Todo mundo compartilhou #foradilma #ogiganteacordou #chupafeliciano... endeusaram  Joaquim Barbosa, colocaram os problemas centenários do país na costa da Copa do Mundo... e assim foi. Tempos depois, os mesmos que embarcaram nessa viagem sem destino, apenas levados pelo impulso de estar na moda, estavam desmentindo tudo aquilo que disseram. A partir desse momento, Joaquim Barbosa não era o homem íntegro de dias atrás. Não era mais o candidato ideal para assumir a presidência. O que mudou? Bastou algumas notícias circularem pela rede e uns babacas que nem sabem escrever o próprio nome compartilharem aquilo para que a ovelha se transformasse em lobo?

O que custa pensar? Por que o ser humano reluta tanto em usar o cérebro? Será que o Globo Repórter explica isso? (Que sem graça isso, eu sei).

Fato é que não tem coisa pior para perder o nosso tempo do que usar o Facebook. A cada dia o nível piora. Piora tanto que você fica até com medo de postar aquilo que acredita ser verdade, porque 90% dos usuários ali dançam conforme a música. Não adianta querem abrir os olhos dos outros. O melhor que temos a fazer é fechar a nossa boca.

Quando o papo é política, a situação foge ao controle. Dificilmente você vai ver alguém que veste vermelho, elogiar alguma ação dos que usam o amarelo como cor predominante. E vice e versa. E os que só falam mal dos dois é, porque, queriam estar no lugar deles e fazer as mesmas coisas que eles.

Não é à toa que política e religião não se discute. E isso acontece porque as pessoas estão tão envolvidas em suas causas que chega um momento em que deixam de enxergar a realidade. Simplesmente ficam cegas. E quando surge algo do qual sabem que está errado, usam dos mais diversos artifícios para tentar encobri-lo. Acham que são os melhores, ofendem os que julgam ser piores. Tudo para manter sua posição, ampliar seu território e adquirir mais poder.

Seja por má intenção, ou por ingenuidade, não há como conversar com alguém que não se permite abrir a outras possibilidades, que não consegue, ou não quer ver as coisas que o cerca.

E, como manda a regra, deixe que morram pela boca. Quem muito fala, nada tem a dizer. Eu, por exemplo, escrevi mais de 5 mil toques, e não disse o que queria dizer. Me enrolei lá pelo meio e saiu essa beleza aí. Mas, quem sabe, um dia eu aprenda.
 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Qual a minha cor?

Hoje eu fui ao Ministério do Trabalho e Emprego para solicitar a segunda via da minha Carteira de Trabalho já que a primeira, de uma forma mágica, sumiu da minha casa acompanhada de outros importantes documentos. Aguardei a minha vez, apresentei o que foi solicitado e, já no final do atendimento, a senhora (muito simpática, por sinal) perguntou:

- Qual a sua cor.

Eu olhei para os meus braços, refleti um pouco e disse:

- Não sei. Que cor a senhora acha que eu tenho?

- Não posso te ajudar. Você que deve dizer qual a cor que você se considera, não posso interferir – respondeu a senhora.

Pensei mais um pouco...

- Olha... não sei... tô meio amarelado... precisando de um sol... acho que sou amarelo... é, acho que é isso... sou amarelo.

- Tudo bem, vou colocar ‘branco’ aqui.

É claro que eu não disse para a senhora que eu sou daltônico e, por isso, precisava de uma ajudinha...

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Na hora do almoço, em casa, contei o episódio aos meus pais e ao meu irmão. Discutimos o assunto, mas não chegamos a uma conclusão. Afinal cada um tem a sua verdade e não abre mão. Eu estava insatisfeito com o fato de ser considerado branco, por não ser literalmente branco. Nem o meu sorriso é branco, é meio amarelado, igual a mim.

Fiquei com isso (e estou até agora) na cabeça. Procurei o amigo Google para ver se ele me tirava a dúvida. E, por meio dele, encontrei a definição de cores estabelecida e utilizada pelo IBGE. No entanto, a definição é tão sucinta que sempre vai me ressuscitar a dúvida. A explicação é a seguinte:

“COR OU RAÇA É: Leia as opções de cor ou raça para a pessoa e considere aquela que for a declarada. Caso a declaração não corresponda a uma das alternativas enunciadas no quesito, esclareça as opções para que a pessoa se classifique na que julgar mais adequada. Assinale a quadrícula, conforme o caso:
1 - BRANCA - para a pessoa que se enquadrar como branca;
2 - PRETA - para a pessoa que se enquadrar como preta;
3 - PARDA - para a pessoa que se enquadrar como parda ou se declarar mulata, cabocla, cafuza, mameluca ou mestiça;
4 - AMARELA - para a pessoa que se enquadrar como amarela;
5 - INDÍGENA - para a pessoa que se enquadrar como indígena ou se declarar índia;
Esclareça à pessoa, quando necessário, que a classificação amarela não se refere à pessoa que tenha a pela amarelada por sofrer de moléstia como empaludismo, malária, amarelão, etc. A classificação Indígena aplica-se aos que vivem em aldeamento como, também, aos indígenas que vivem fora do aldeamento.”
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Li. Adiantou de nada. É aquela coisa, eu sou da cor que me considerar, mas se eu me considerar de uma cor diferente da que sou, não posso ser considerado da cor que eu acho que sou.

Bom, vou tentar esclarecer a minha dúvida. Deixa eu perguntar para minha colega de trabalho.

- Hei, Fulana, qual é a minha cor?
- Você é branco, pô. Tem nem o que discutir.
- Tem certeza? Não sou meio amarelado?
- Tá doido?! Você é branco. Só tem branco, pardo e preto. Pardo e preto você não é.
- Qual a sua cor?
- Eu sou parda.
- Tá bem... obrigado.

Passou algum tempo. Continuei refletindo sobre isso.

- Hei, Beltrana, e o Ronaldo Fenômeno, qual a cor dele?
- Branco.
- Branco?!
- É.
- Mas ele tem cabelo de preto.
- Então quer dizer que se um negão tiver o cabelo loiro ele vai ser branco?!
- Não sei... não quero saber do negão. Só quero saber qual a minha cor.

Passou mais algum tempo...

- Hei, Cicrana, qual a minha cor?

segunda-feira, 24 de junho de 2013

352 anos. Já está na hora de mudar.



É com muita alegria que comemoramos mais um aniversário desta cidade amada. Agora, já se somam 352 anos de história. Três séculos e meio de muita luta, opressão, exploração. Mas também de muitas alegrias e vitórias. Sempre tenho a esperança de que, a cada ano, esta cidade, que um dia foi chamada de Pérola do Tapajós, consiga alcançar seu lugar ao sol.
Mas ainda estamos longe disso. Em pleno século 21 ainda carecemos de necessidades básicas. Os mesmos problemas que os primeiros moradores desta terra conviveram. Apesar de já se terem passado tanto tempo, em muitas áreas estagnamos. Em outras tantas, regredimos.
As problemáticas são as mais diversas. Ainda não conseguimos ter um serviço eficiente de abastecimento de água. Nem de fornecimento de energia. Ainda não conseguimos aliar o progresso à conservação ambiental. Nem criar meios de desenvolvimento permanente. Até hoje baseamos a nossa economia aos vários ciclos por quais passamos. Infelizmente, como o nome diz, não duraram muito tempo, apenas o necessário para criar uma triste ilusão e contribuir para aumentar ainda mais o abismo social.
O que dizer de ainda não termos um porto decente? Ou de conseguirmos acabar com as invasões e proporcionar um crescimento ordenado, bom para todos? O que falar sobre a nossa insegurança? Ou sobre a educação e a saúde?
Sempre acho importante a passagem desta data para podermos analisar como está o município. É claro que temos de fazer festa para comemorar um marco como este, no entanto, também vale fazermos uma profunda reflexão. Creio que os protestos realizados aqui, na última quinta-feira, já mostraram que o povo não é mais o mesmo. Esperamos que os políticos também não.
 
 

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Quando vamos estar preparados para as mudanças?

 
Mudar é inevitável. Por mais que nos prendamos a nossas mais profundas raízes, mais hora ou menos hora somos obrigados a mudar. Esse é o curso natural da vida. Nada dura para sempre. Tudo dura o tempo que tem de durar, não é o que dizem?
 
Todo mundo tem o sonho de se fixar. Seja em uma carreira, seja em um relacionamento, seja em uma cidade... o grande sonho do brasileiro, por exemplo, é a conquista da casa própria. Ter um espaço para chamar de seu. Ninguém gosta de não ter o próprio cantinho. Aquele para você chegar todo dia depois do trabalho, se refugiar quando um temporal cair ou apenas para cultivar algumas flores no jardim. Poucos são os que não lutam para conquistar isso, os que se acomodam de não saber quais serão as coordenadas que o destino vai traçar no dia de amanhã, que não se importam de não ter um lugar para chamar de lar. Mais uma vez, não queremos mudanças.
Um dos maiores desafios é traçar a carreira profissional. É definir o que ser ‘quando crescer’. Por isso que muita gente vive mudando de colégio, de cursinho, de curso, de faculdade. Mas uma hora, quando essa tal pessoa descobrir o que realmente quer, não vai mais querer saber de outra coisa. E a partir daí, as mudanças não serão bem vindas. Tem, também, aqueles que já nascem sabendo o que querem. Despertam desde cedo o desejo de se tornar professor, piloto, jornalista... ou os pais despertam o desejo neles de se tornarem médicos, advogados, engenheiros...
 
Depois de formado, a luta é para entrar no mercado de trabalho. Conseguir um bom emprego, participar ativamente da empresa, crescer profissionalmente... depois que chegar ao topo, ou ao cargo almejado, ou ainda montar o próprio negócio, a mesma rotina permanecerá por anos e anos. Todo dia fará a mesma coisa, terá o mesmo campo de atuação, sem mudanças, tudo igual.
 
No campo sentimental é a mesma coisa. O sonho de todo mundo, seja homem ou mulher, rico ou pobre, preto ou branco, bonito ou feio, (e por aí vai) é encontrar a sua alma gêmea, unir o príncipe à princesa, o mocinho com a mocinha, o Romeu e a Julieta (e por aí vai). Os livros, os filmes, as músicas... Tudo faz com que as pessoas pensem que em algum lugar do mundo, alguma esquina da vida, alguma fila de banco, algum show sertanejo, alguma aula prática, algum passeio no bosque vai fazer você conhecer a pessoa que nasceu para ser sua. Muitos saem à procura, tentando encontrar desesperadamente, outros nem se preocupam com isso. Mas, fato é, que qualquer dia, quando menos se espera, um anjo aparece à sua frente e, na mesma hora, você sente que essa é a pessoa com quem você quer passar cada segundinho da sua vida. O tempo passa, vocês se casam... e tudo fica normal.
 
Mas, seja em qual área for, menos hora ou mais hora, um terremoto vai chacoalhar a sua estrutura. Você vai começar a pensar em mudanças... já está cansado dessa mesma vidinha. De ter que acordar cedo, passar o dia trabalhando, e quando chegar em casa ainda ter que aturar aquela pessoa com quem se casou (o anjo virou dragão). Ou, pior ainda, o furacão passa pela sua vida devastando tudo o que tinha, arrancando suas raízes, te jogando para o alto. Sabe aquele emprego dos sonhos, que você sempre desejou e ralou tanto para conseguir? Pois é, sua demissão chega. Ou a mulher da sua vida, aquela que você sempre fez de tudo para agradar, esqueceu do mundo para viver para ela, abriu mão das suas necessidades para suprir as dela. Lembra dela? Então, assim do nada, ela sumiu da sua vida. Disse que não dava mais e zarpou da sua frente.
 
Como reagir a tudo isso? Como estar preparado para essas mudanças que parecem roubar a sua alma, a sua vida?

Querem a resposta? Eu procurei no Google, mas não achei nada apropriado... então, meu conselho, é que você encontre o seu próprio caminho, até porque, na verdade, nunca vamos estar preparado para isso. Por mais que achamos estar, a realidade é bem diferente do que a nossa imaginação. O importante é aprender a lição, por mais amarga e dolorida que seja. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Um pobre solitário



Pela primeira vez em muito tempo estou passando o Dia dos Namorados sozinho. Não sei se estou reagindo muito bem a isso, afinal, por mais que as pessoas digam o contrário, ninguém gosta de estar solteiro. Principalmente em uma data como esta, né?
Parece que o mundo para para viver o 12 de junho. Nas propagandas de TV, nos filmes, nas trilhas sonoras, nas redes sociais... será que não tem algum outro assunto mais interessante para se falar? Sei lá, alguma nova guerra eclodindo no mundo, a crise na Europa, um novo escândalo de um famoso?
O que tem de especial nesse dia? Nada... Até porque, na maioria dos casos, os namoros não são aquela maravilha toda passada pelos filmes românticos e cantadas pelos boêmios. Aquela melosidade toda, aquela bajulação, beijinhos e abraços não resistem a mais do que dois anos. No começo vocês podem até comemorar indo a um rodízio de sushi ou qualquer outro restaurante que proporcione momentos marcantes, únicos e apaixonantes. Mas, como tudo na vida, isso uma hora tem fim. Vai ver, tempo depois, que tudo aquilo que foi dito, sonhado e acreditado, não passou de ilusão. Que as pessoas não fazem ideia do que é o amor, e por isso enganam a si próprias e as outras, como se isso fosse algum tipo de brincadeira.
Enquanto você faz parte do jogo, tudo é lindo. No entanto, uma hora você vai ter que acordar e, ao despertar, vai ter um choque cruel com a realidade. A partir daí vai começar a rever um monte de conceitos que, na sua cabeça de paspalho, já estavam formados. Vai cair de joelhos no chão e ver, como se dizem, que o buraco é bem mais embaixo. Vai começar a duvidar do amor, dos relacionamentos, de você mesmo... Vai deixar o cabelo crescer, a barba dar nó. Um tempo depois vai começar a andar igual hippie. Quando se der conta, já vai estar jogado pelos bancos da praça, mendigando além de um pedaço de pão, um pouco de amor e atenção.
Não que eu esteja assim, longe disso. Estou bem pra caramba. Mas, caso alguma princesa esteja lendo este texto e queira fazer alguma caridade neste Dia dos Namorados, pode me procurar. Prometo tentar ser uma boa companhia e viver uma doce e mágica ilusão. Vou ser um verdadeiro príncipe, com direito a flores, champanhe e algumas cositas mas. Não custa tentar, né? Vai que dessa mentira brote alguma verdade...

terça-feira, 4 de junho de 2013

A febre das redes sociais


Nos tempos atuais só é gente quem está conectado. Lá, no Facebook, Twitter, Instagram e semelhantes, você é quem e o que quiser. Poucos o conhecem, então, por isso, você acaba tornando-se refém do seu perfil. Você será, a partir do momento em que ingressar em algumas dessas redes, aquela pessoa que os outros veem, e não você mesmo. E tem gente que leva isso muito a sério.
É difícil dimensionar qualquer coisa baseado na internet, já que é algo muito dinâmico e imprevisível. Toda semana um novo aplicativo é lançado, uma nova plataforma é criada... A única projeção que se pode fazer com certeza é de que, a cada novo dia, mais pessoas estão se conectando. E isso vai continuar aumentando até que quase todo mundo tenha acesso a essa grande rede. Até por isso os governos têm trabalhado bastante para conseguir formas de promover a inclusão digital.
Hoje, em pleno século 21, é impensável alguém viver sem acesso à internet. Os que já provaram da viagem fascinante proporcionada por ela, dificilmente conseguem tirá-la do seu dia-a-dia. Assim como pode ser uma grande aliada, pode, também, ser uma pedra bem grande no caminho de algumas pessoas.
Assim como tantas outras coisas, a internet é apenas uma ferramenta, um instrumento na mão do usuário. Como será usada, depende exclusivamente dele. Ela, então, não pode ser julgada como culpada ou inocente, já que não tem vontade própria.
Os benefícios são enormes. Com aplicativos como o Skype, WhatsApp e Zello Walkie Talkie, por exemplo, é possível se comunicar com qualquer pessoa, independente da localização no planeta, e de forma gratuita. As únicas exigências são que você esteja conectado à internet, tenha a plataforma necessária (PC, tablete, smartphone) e tenha conta nessas ferramentas. Por meio desses aplicativos milhões de pessoas se comunicam diariamente em todo o mundo, seja por mensagem de texto, por áudio ou por vídeo. Seja a negócio, para matar a saudade dos familiares ou apenas para bater papo com os amigos.
Pelo Facebook, Twitter, Instagram e Foursquare, é possível se atualizar e atualizar seus amigos a respeito de tudo. Lá você é livre para fazer o que bem entender. As redes sociais servem como terapia para muita gente. Usam para fazer seus desabafos, para compartilhar seus problemas, para afrontar seus desafetos, para falar mal dos outros... enfim, usam para tudo.
Um dos maiores problemas é o nível de envolvimento que uma pessoa real cria com esse ambiente virtual. Milhares de pessoas deixam de viver a própria vida para assumir a sua identidade virtual, em que podem ser quem bem entenderem, sem regras, sem pressão, sem nada. Suas amizades são as mais diversas, e com pessoas que talvez nunca vão ver na vida. Lá são livres para contar as mais mirabolantes mentiras ou para dizer as mais tristes verdades, sem ninguém para julgá-las ou dizer o que é certo ou errado. Acabam abrindo mão da própria vida “aqui” para ser alguém “lá”.
Muitas questões ainda pesam sobre as redes sociais, como o direito autoral e uso de imagem, e a privacidade dos usuários. Até porque nunca se tem a dimensão exata do efeito que causa qualquer publicação em algum desses meios. A linha que divide o que é pessoal do que é público é muito tênue, e poucos sabem desse limite.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Vamos ficar em casa, que é melhor

 
 
É, meu amigos, a vida não anda fácil. Na verdade o que não anda fácil é andar. Aliás, acho que o que anda mais fácil é andar. E esta tem sido a opção escolhida por muitos santarenos nesta última semana, como ‘meio’ de locomoção. Com a greve dos ônibus, a situação ficou preta para os trabalhadores e estudantes. Está certo que o transporte público municipal não é uma maravilha, passa longe disso. Mas, convenhamos, se com ele funcionando a coisa não flui bem, imagine sem ele...
 
A opção mais lógica e imediatista seria a utilização dos mototaxis enquanto nenhuma solução é tomada. No entanto, o preço da corrida assustadoramente caro e a insegurança proporcionada por eles, fazem os cidadãos pensarem bem mais do que duas vezes antes de aceitar subir em uma moto. Os credenciados que eram para fazer a diferença e fazer jus a reclamação contra os clandestinos, são tão (ou mais) irresponsáveis que os colegas ‘piratas’.
 
Os mais ousados, cansados dessa situação de dar dinheiro para marginal, resolveram apertar um pouco mais a cinta e fazer sobrar uma graninha para comprar o próprio transporte. Muitos dos que escolheram a moto como opção, agora ou estão nos leitos dos hospitais, ou estão em casa, com as cicatrizes de algum acidente de trânsito. Dos que optaram por carros, muitos estão em oficinas, consertando os reparos provocados pela vergonhosa infraestrutura urbana, ou estão parados na garagem, sem uma gota sequer de gasosa no tanque.
 
Os mais ambientalistas uniram o útil ao agradável e decidiram preencher as ruas santarenas com suas bicicletas, um meio que quase não dá despesa. Em compensação dá muita dor de cabeça. Nos poucos espaços destinados aos ciclistas, os companheiros das motos dividem espaço com eles. Um risco para todos. E o mais incrível é que parece que ninguém vê. E os que veem se fazem de cegos. Tão cegos que nem devem estar conseguindo ler o que está escrito nesta página.
 
Lá no começo do texto eu disse que a melhor opção seria andar, né? Mas pensando bem, não sei se concordo com essa minha afirmação. Andar é legal, faz bem para saúde e é o meio de locomoção mais barato que se tem. No entanto, não sei se isso cola aqui para Santarém. Já deram uma olhada no nível das calçadas da cidade? Se até cachorro tem dificuldade para andar nelas, imagine o bicho homem... enfim, acho que falei tudo, mas não disse nada. Então vou parar por aqui. Até a próxima.
 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Povo inútil

Sabe o que eu acho engraçado? Esse povinho que não faz nada na vida, tem um emprego de merda - ou é um merda no emprego -, passa o dia inteiro no Face achando que é o justiceiro intelectual - ou coisa do tipo - compartilhando um monte de informações que nem ele mesmo conhece e não faz nada para mudar as coisas. Ah, vá se ferrar!
 
Todo dia, todo santo dia, a mesma pessoa, ou pessoas diferentes, compartilhando aquelas mesmas coisas, ou coisas diferentes. Protestam contra o baixo salário dos professores e policiais, contra os políticos corruptos, contra a violência à mulher, contra a prostituição infantil, contra a fome na África...
 
E aí me pergunto: do que isso adianta?
 
Naaaaada! A única coisa que serve é para encher o meu saco. Se postar coisas do Facebook funcionasse para alguma coisa, eu já estaria casado com uma princesa gostosa. Mas olha só a minha realidade. Sozinho, largado às traças...
 
É claro que cada um tem a liberdade de postar o que bem entender. Não tenho nada contra. O que me deixa P da vida é ver como as pessoas lutam tanto nas redes sociais, e, na vida real, são uns mongoloides acomodados incapazes de mexer um único dedo para mudar alguma coisa.
 
É aquela coisa, né, quem muito fala, nada faz. E quem realmente faz, não fica falando.
 
As coisas estão como estão porque nós permitimos. Se realmente nos engajássemos em alguma coisa útil, mudaríamos a nossa realidade. De nada adiantar postar coisas bonitinhas para os outros verem, se você não faz parte disso. E não estou falando em sair às ruas protestando, quebrando o pau. Não! Coisas simples como enxergar melhor a realidade que nos cerca, e escolher melhor nossos representantes são passos simples que não conseguimos dar.
 
Às vezes perdemos tanto tempo com coisas banais, e esquecemos do que realmente tem importância. Nos últimos meses o caso Feliciano deu muito pano para manga em todo canto. Todo dia era protesto em cima de protesto. As redes sociais bombaram nessa guerrinha entre defensores e acusadores de ele estar à frente da Comissão dos Direitos Humanos e blablabla... por que será que ninguém fez os mesmos protestos contra os corruptos condenados pelo Mensalão por estarem comandando a Comissão de Ética e Justiça? O que realmente está em jogo? Quer dizer que é mais errado falar o que pensa do que roubar milhões dos nossos bolsos?
 
Nem sei por que ainda me estresso com essas coisas. Afinal, também de nada vai adiantar.

terça-feira, 7 de maio de 2013

O que há de errado com elas?

 
(Tudo, elas são mulheres...)
 
 
Vale lembrar que nunca a minha intenção é de ofender ou causar desconforto em alguém. Pelo contrário, sou amante do humor e dos risos provocados por ele. Sempre gostei de escrever sobre relacionamentos. Talvez porque me julgasse um bom entendedor das mulheres e conhecedor de suas necessidades. Agora, depois de quase uma década tendo relacionamentos ‘sérios’ com esses seres de outro mundo, sei que de nada, absolutamente nada, eu sei.
 
Mais uma vez, não leve a sério o que eu escrevo.
A primeira coisa instigante é achar que tudo tem um motivo. As donzelas acreditam que toda postagem no Facebook, por exemplo, tem um porquê. Elas não aceitam o fato de os homens postarem alguma coisa só porque quiseram postar. Exemplo: o cara posta: “Fome :(”. A mulher pensa que ele está dando indireta para ela fazer alguma coisa para ele comer. Ou, pior ainda, isto é um convite para sair para jantar com alguma piriguete. Sempre as coisas são colocadas como forma de indireta para alguém. Isso é o que pensam. Talvez seja porque sempre ajam assim. Como diz um brilhante filósofo: “de indiretas as mulheres são feitas”.
 
Homem é objetivo. É sincero (sim!). É direto. Se ele quer falar ‘A’, ele vai falar ‘A’. A mulher não. Sempre imagina um milhão de possibilidades. Para ela o ‘A’ nunca vai ser um ‘A’. E aí a paranóia começa. “Será que ele quis dizer ‘B’? Não, não... o que ele disse foi ‘C’, eu conheço aquela figura. Ou será que foi ‘D’. Pensando bem... ele quer mesmo é ‘E’...”. E assim elas viajam em suas fantasias, percorrendo os mais absurdos caminhos até encontrar uma história condizente com sua necessidade momentânea. E, o pior, é que elas acreditam na própria loucura e acham – sempre! – que têm razão. Para completar ainda soltam a célebre frase: “como pude ser tão burra e não ter pensado nisso antes?”.
 
Sabe qual é a outra besteira? Confundir ‘ser difícil’ com ‘mal educada’. Sempre tem aquela menininha que quer bancar a durona difícil. Morre de vontade de falar com aquele cara bacana, mas não faz isso porque gosta da sua brincadeira favorita: os joguinhos. Mulher ama fazer um jogo. Gosta de fazer um doce, de ser o centro do mundo e de ver o peão correndo atrás da égua. Se está com saudade se finge de indiferente. Quando está mal, coloca um sorriso na cara. Está louca para ficar com o amado, mas não tem coragem suficiente para admitir, esperando que ele, por conta própria, descubra isso.
Agora você acha que alguém vai sair com uma pessoa que sempre gosta de ficar por cima, se julga superior, e, tentando ser difícil, banca a mal educada? Claro que não!
Não tem coisa mais desanimadora do que você mandar um ‘bom dia’ e depois de três madrugadas ainda não ter obtido uma resposta. Ou quando pergunta alguma coisa e a resposta, depois de séculos, é um ‘humm’, ou ‘:P’... Cara, o que custa conversar numa boa? Se o papo estiver muito chato, ou você estiver ocupada, ainda vai. Mas querer bancar a difícil assim? Tá f...
Homem é assim, quando ele quer uma coisa, ele corre atrás do que quer! A mulher, não. Ela simplesmente foge do que quer. Ela pensa que assim o homem vai correr atrás dela, mas o homem, vendo que ela não o quer, porque está fugindo, não vai atrás. Deu para entender? Ela despreza quando ama, chora quando ri... E ainda não gosta quando a chamam de falsa. Vai entender, né?
Tudo porque querem ser ‘superiores’. Acreditam que demonstrar os sentimentos é sinal de fraqueza. Mas aí, acredito eu, é que está o erro. Se elas nunca conseguem ser elas mesmas, onde está a tão falada sinceridade? Ninguém gosta de viver pisando em casca de ovos. Nenhum homem quer conviver com uma estranha, em que é mais fácil decifrar o mapa do tesouro perdido do que conseguir saber o que a companheira quer.
Querem sempre que tudo saia como desejam, e não enxergam o quanto isso estraga a relação. Ninguém pode desenhar o caminho do outro. Ninguém pode andar os passos dele. É claro que enquanto o feitiço da paixão durar, tudo vai ser um mar de flores. Mas depois quando a mulher ver que isso não vai durar para sempre, e a insegurança bater, vai querer dominá-lo cada dia mais. Vai fechando o mundinho dos dois até não sobrar mais ninguém nele. Ela acha que, assim, ele será dela para sempre.
No entanto, lá pelo meio das tantas, o cara vai perceber que seu barquinho está cada dia mais longe do cais. Vai se ligar que largou sua vida para embarcar naquela viagem. Que abriu mão de tudo que tinha. E mesmo assim, mesmo depois de ter gasto até a última gota de suor nesta empreitada, ele nunca será considerado bom o suficiente. Se o mar estiver agitado, se o vento estiver forte ou se a chuva não cessar, tudo é culpa do cara. Tudo. “Mas minha? Que culpa eu tenho?”. Ela não pensa assim, afinal, se os planos não saíram exatamente como ela quis, a culpa só pode ter sido dele.
No entanto, depois que o homem vê as coisas de outro ângulo e decide pular do barco, sabe que tomou a única decisão que poderia tomar. O barco naufragaria logo. Pelo menos, pulando agora, ele se salvou... e ela... bom... ela fica falando que isso era o que ele sempre quis. Que ele planejou toda aquela viagem só para abandoná-la no meio do oceano, sozinha e indefesa. E ainda tem gente que acredita.

O negócio, meu amigo, é tão feio, que o homem pode acertar 200 trilhões de vezes, mas basta um errinho pra vaca ir pro brejo. A mulher nunca vai lembrar das coisas boas. Isso ela esquece. O que vai ficar gravado e sempre será jogado na sua cara são as coisas ruins. infelizmente.

Bom, deixa eu parar... até a próxima ;)

terça-feira, 30 de abril de 2013

Ler, uma prática saudável


 
O mundo da leitura é fascinante. Por ele podemos trilhar os mais diversos caminhos, viajar para os mais variados países, voltar no tempo e ter a sensação de como seria o futuro. Por meio das páginas de um livro somos capazes de despregar do presente, esquecer tudo à nossa volta e embarcar em uma maravilhosa jornada, que pode ser de ação, aventura, suspense, drama ou romance. Enquanto lemos estamos conectados com os personagens da história, compartilhando suas emoções, vontades e medos. Somos capazes de criá-los em nossa mente e nos tornarmos íntimos deles, como se fossem nossos melhores amigos, ou piores inimigos. Temos raiva, ódio. Emocionamo-nos...
Quem se apaixona pela leitura, dificilmente conseguirá deixar de lado esse vício. O corpo vai pedir, ou melhor, a mente vai exigir. A cada nova história, novos conhecimentos. Por isso é muito importante que esta prática seja incentivada na infância, nos primeiros passos da vida escolar. Quem não tem este incentivo enquanto é pequeno, depois, é mais difícil de pegar gosto pela coisa.
Quem gosta de lê, e faz isso com frequência, consegue fazer a leitura do mundo real com mais facilidade. Tem um vocabulário mais rico e, consequentemente, vai ter uma escrita que dá gosto de se ver. O primeiro passo para escrever, é saber lê. No entanto, tanto uma quanto a outra prática não entram como prioridades das pessoas de um mundo moderno. Cá entre nós, não tem coisa mais chata que desconhecer a própria linguagem. De maneira alguma quem lê é um gênio de língua portuguesa (ou qualquer outra), mas vai ter uma vivência maior com as palavras e, raramente, vai escrever palavras como ‘exelente’, ‘mais’ (querendo dizer ‘mas’) ou ‘trousse’.
Enfim, para muitos o ato de ler é uma perda de tempo. Cansei de ver pais brigando com os filhos enquanto estes se dedicavam à leitura. “Vai fazer alguma coisa útil, meu filho”, gritam. Também é bom que se diga que os livros não são produtos tão baratos, e, por isso, muita gente não tem acesso a eles. E como as bibliotecas disponíveis não são toda aquela maravilha, fica difícil exigir muita coisa... Na falta de amigos ou familiares presentes, os livros tornam-se os únicos amigos acessíveis. Neles as pessoas se jogam de cabeça e esquecem do mundo real, muitas vezes triste e solitário...


 

 

 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

A história indígena do Brasil




Por muitos anos a história indígena do Brasil ficou reservada apenas à época da colonização, e antes dela. Após isso os povos que habitaram (e habitam) as matas, vales e montanhas do nosso território, deixaram de ser lembrados, como se não existissem mais. Mantiveram-se vivos, somente, em livros que os tratam ora como puros, ora como selvagens. Muitas pessoas, por isso, até imaginam que eles fazem parte do folclore brasileiro. Mas esporadicamente são lembrados, geralmente por conta de alguma confusão ou conflito. Agora, no dia deles, 19 de abril, também são lembrados.

Por meio de estudos realizados nas últimas décadas, novos fatos – ou nem tão novos assim – colocam em dúvida tudo aquilo que foi ensinado sobre os índios nas escolas brasileiras. Diversos pesquisadores começaram a refutar as ideias já cristalizadas sobre esse longo período da história do Brasil.

O que a história tradicional mostra é que os índios viviam em perfeita harmonia com os seus semelhantes e a natureza, sobrevivendo de modo sustentável e em paz. E isso foi alterado por conta da chegada dos europeus, que dizimaram a população indígena com seus armamentos muito mais desenvolvidos e por meio da transmissão de doenças, desconhecidas até então pelos nativos.

REVELAÇÕES

O livro escrito pelo jornalista Leandro Narloch traz fatos relevantes e surpreendentes sobre esse período. Segundo as pesquisas apresentadas pelo autor, os massacres começaram bem antes da chegada dos portugueses. Os próprios habitantes do período pré-colonial adoravam uma guerra.

Os índios Tupi-Guaranis, que se localizavam originalmente na Amazônia, foram obrigados a se deslocarem rumo ao sul, por conta de alguma dificuldade encontrada no local de origem, talvez uma grande seca. Durante o percurso esses índios se depararam com outras etnias, que foram massacradas, exterminas ou, as que tiveram sorte, migraram para lugares mais distantes.

Segundo as pesquisas, em 1500, quando os portugueses chegaram, a nação Tupi, dividida em diversas tribos, se expandia pela Amazônia, passando pelo Nordeste até São Paulo. Para tal expansão ocorrer, muitas disputas entre si e outras etnias, foram realizadas.

Os povos indígenas não são todos iguais, assim como os brasileiros são diferentes dos argentinos e dos japoneses. A expressão européia de índio, usada para designar a população local das terras a serem desbravadas, cria a falsa ideia de que todos os povos formam uma única nação, de uma mesma etnia e cultura. Na época da chegada dos europeus, eles viam os visitantes com os mesmos olhos desconfiados e alertas que viam seus povos inimigos e matavam ambos, quando preciso, com a mesma fúria. A guerra fazia parte do calendário indígena, salvo exceções. Para algumas etnias, matar garantia acesso ao paraíso.

SOBERANOS?

A realidade dos navegadores, à época, não era essa moleza apresentada pelos livros escolares. Os portugueses não reinavam soberanos e absolutos nos lugares em que desembarcavam. Devido ao longo período dentro das embarcações, cruzando oceanos, eles chegavam ao seu destino com a saúde muito abalada, sendo presas fáceis. Ainda mais em lugares onde as histórias que reinavam colocavam medo em muitos marmanjos.

Em relatos feitos por Américo Vespúcio, em 1501, conta que a sua tripulação passou por apuros quando ancoraram na costa do Rio Grande do Norte. O livro de Leandro Narloch mostra que quem ousou, naquela ocasião, a desembarcar e caminhar pela mata, não voltou mais. Três dias depois, índias, nuas, apareceram na praia onde a embarcação estava. Os marujos que se aproximaram foram subitamente mortos por elas. Logo depois saíram das matas outros índios, que estavam escondidos, lançando um número sem fim de flechas em direção aos barcos. O próprio navegador já foi obrigado a sair às ruas, em outras conquistas, e pedir por comida para não morrer de fome.

TRAÇANDO O PRÓPRIO FIM

Não se pode negar, também, que com a chegada dos portugueses o cenário se transformou. Agora os índios passariam a ter um aliado muito importante nas futuras guerras. Os europeus faziam alianças com os caciques em troca de proteção e paz, haja vista que o número de portugueses que desembarcava no Brasil era irrisório se comparado à população indígena. Os índios ofereciam prisioneiros - às vezes até os próprios parentes – em troca de mercadorias. Os recém-chegados aceitavam a troca com o discurso de que se não fizessem, os presos seriam torturados e mortos pelos seus capturadores.

As próprias ondas de exploração rumo ao interior do país só foi possível ao apoio indígena, que tinha muito mais características Tupi do que européia. Então o extermínio e escravidão dos índios aconteceram, em grande parte, por conta dos próprios indígenas que ofereceram apoio militar e guarda constante aos estrangeiros.