Chegamos ao Hospital Municipal de Ulianópolis. Sexta-feira à noite. A recepção estava vazia. O atendimento foi rápido. Em minutos encaminharam para a avaliação médica. No entanto, o médico estava em procedimento cirúrgico e poderia demorar para avaliar.
- Amor, está saindo muito líquido. O absorvente não está dando conta mais. Pode ir comprar fralda?
- Geriátrica?
- Não. Tem uma pós-parto. Ela é tipo uma cuequinha.
Saí, parei no posto para abastecer, porque o combustível já estava na reserva.
- Pega lanche - ela pede por mensagem.
Abasteci, fui à farmácia. 10 min depois ela avisa.
- Vida, o médico fez o exame do toque. Tô com 4 pra 5 cm. Vai me encaminhar. Só que doeu na hora do exame. Não sei se minha bolsa rompeu. Eu vim no banheiro porque saiu um monte de água.
- Caramba, vida. Encaminhar pra Belém?
- Imperatriz (MA). É mais perto. Vamos de ambulância.
- O que significa essa dilatação? - perguntei.
- Que eu já tô em trabalho de parto.
15 minutos depois eu retorno para o hospital. Na entrada, já me perguntam: você já está trazendo as coisas? A ambulância já está chegando.
Volto no carro. Estaciono bem em frente ao hospital, onde as câmeras de monitoramento tem visão, pego nossas coisas e entro no hospital.
Às 21h13 saímos de ambulância com destino a Imperatriz. Eu na frente, com o motorista. Ela atrás, deitada na maca, com a técnica de enfermagem. Fizemos uma única parada em Dom Eliseu para a subida do médico.
Primeira vez andando de ambulância e não recomendo a ninguém. Pensei que nem chegaríamos vivos para conhecer a nossa filha. Achei que estávamos indo rápidos, mas não sabia o quanto. Até olhar para o velocímetro da van e ver o ponteiro quase colocado ao limite. O motorista mantinha entre 150 e 160km/h. Como o giroflex não estava funcionando, ia na contramão, quando precisa ultrapassar, dando luz alta para os carros que vinham. Entrei em pânico.
Na parada em Dom Eliseu, às 21h47, passei para a parte de trás. "Prefiro nem ver", pensei. Maior besteira que fiz. Mal saímos e já comecei a suar frio. Como o banco é no sentido da lateral do veículo, não parava de sambar a cada acelerada ou freada. Foi um desespero só.
Às 23h16 chegamos ao hospital em Imperatriz.
Ulianópolis > Imperatriz: 208 km em 2h03.

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