terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

#LQL – Cinza e Osso



Aproveitei o domingo chuvoso para concluir Cinza e Osso. Agora que concluí, penso que talvez teria sido melhor fazer outra coisa. O livro, antes de tudo, é extenso. Não por ter 448 páginas, mas pelo fato de John Harvey não conseguir desenvolver de maneira satisfatória e ritmada a história. São muitos detalhes desnecessários que – em boa parte - ao invés de ajudar a contextualizar a narrativa e agregar fatos interessantes, quebram a sequência e empacam a leitura.

Durante todo o livro eu fiquei com a sensação de que iria acontecer alguma coisa e, para minha tristeza, nada aconteceu. São três histórias que caminham paralelamente, com pontos que se cruzam, mas que não causam nenhuma expectativa. O cenário criado no início se mantém até o final. Sem surpresas. Sem nada.

Também achei fraca a construção das figuras principais da narrativa – protagonista e antagonistas. Está certo que os vilões não precisam agradar ninguém, mas devem possuir características fortes, marcantes. E o cara principal não causa nenhuma sensação... 

SINOPSE ORIGINAL 
Em Cinza e Osso, Frank Elder vive uma espartana e solitária existência na isolada costa da Cornualha. Em busca de paz, ele tenta entender o que deu errado em seu casamento, a infidelidade da esposa impossível de ignorar. Procurando isolamento, abandona tudo o que é familiar: a carreira como detetive, a mulher e a filha adolescente, Katherine. Mas seu retiro é quebrado por um telefonema da ex-esposa, preocupada com o comportamento cada vez mais inconstante da filha.

Os temores de Elder são agravados pelo sentimento de culpa: foi seu envolvimento num caso que conduziu ao sequestro e estupro da jovem. A crescente inquietação com a menina o leva de volta à ativa: Elder reabre uma investigação que pode ter repercussões devastadoras para toda a divisão de homicídios. E ele precisa aprender a controlar seus próprios demônios para descobrir a verdade.

Horripilante, indispensável, essencial, Cinza e Osso aborda vários temas — violências doméstica e sexual, corrupção, assassinatos. Harvey volta a acertar em cheio, abalando nervos e acelerando corações, enquanto nos conduz a passos firmes através de uma complexa trama cujos vários elementos mantém em perfeita sintonia. 

CINZA E OSSO
Autor: John Harvey
Editora: Record
Páginas: 448 
Nota: 5

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Brasil maltrata idosos



Pelo curso natural da vida - caso nada aconteça interrompendo-o abruptamente - todos serão idosos um dia. Assim como já foram crianças, e precisaram contar com a ajuda dos outros, também vão envelhecer um dia e, novamente, terão que recorrer aos cuidados de alguém.

No Brasil não é fácil ser criança. Nem adulto. Muito menos idoso.

Após uma vida dedicada ao desenvolvimento do país, os trabalhadores são encostados em algum lugar qualquer para esperar, lentamente, a chegada da morte. Isso, recebendo, muitas vezes, uma mixaria da aposentadoria.

O Brasil, com mais de 20 milhões de pessoas acima dos 60 anos, ocupa a humilhante 58ª posição no ranking de bem estar do idoso. Esse índice - HelpAge International's Global AgeWatch - é calculado com base em quatro itens: ambiente estimulante, capacidades, segurança de renda e status de saúde.

No primeiro item, o Brasil apresenta uma das piores avaliações entre os 96 países estudados, ocupando a 87ª posição. Ambiente estimulante tem a ver com interação social, segurança, transporte público, etc.

O quesito ‘capacidades’ tem a ver com emprego e educação na terceira idade. No Brasil, 52,3% dos idosos estão empregados e 21,1% cursaram ensino superior.

A avaliação sobre ‘segurança de renda’ é o que eleva um pouco a condição dos idosos no país. Neste quesito o Brasil está em 14º no ranking, já que 86,3% da população têm aposentadoria, contam com razoável cobertura de serviços prestados pelo Estado e menos de 9% são pobres.

Em ‘status de saúde’ a expectativa além dos 60 é 21 anos de vida. Isso faz com que o Brasil ocupe a 47º colocação.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

#LQL - Não Conte a Ninguém



Este é um dos melhores livros que li ultimamente. Ainda não havia lido nenhuma obra de Harlan Coben. Confesso que me surpreendi.

A narrativa é muito boa, intercalando fragmentos em primeira e terceira pessoas.

O livro agrada logo de cara. Não é preciso muito para gostar da história e querer desvendar o mistério que a cerca.

O quebra cabeça é montado aos poucos. A cada capítulo novos detalhes são revelados. Mas eles não são suficientes para matar a charada e acabar a graça do livro. É preciso ler até a última linha para entender tudo que se passa no mundo protagonizado por Dr. David Beck e Elizabeth.

Vou tentar contextualizar... 

Oito anos atrás o pediatra David Beck perdeu a esposa de modo trágico. Eles foram ao lago Charmaine comemorar o 13º aniversário do primeiro beijo. O ritual cafona (como diria Beck) teve final trágico. Após gravar mais uma barra, acima das iniciais de seus nomes, no tronco da árvore escolhida, eles vão nadar no lago. Este seria o último momento em que estariam juntos.

Beck foi brutalmente atacado e Elizabeth sequestrada.

Dias depois, o corpo da esposa foi encontrado com um K marcado em seu rosto. Esta era a marca do mais procurado serial killer da região. O crime parecia resolvido. As pessoas seguiram suas vidas. Exceto Beck, que nunca aceitou a perda.

Após oito anos, vários acontecimentos trouxeram o caso à tona. Em uma mistura de ação e suspense, o médico investiga o que de fato aconteceu no passado e se surpreende com o que o destino o reserva. 

NÃO CONTE A NINGUÉM
Autor: Harlan Coben
Editora: Sextante
Páginas: -
Nota: 8

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Apesar de torrarem R$ 9 bilhões por ano, parlamentares ainda acham pouco



Os parlamentares brasileiros sugam uma verdadeira fortuna dos contribuintes. Cada um dos 594 vai custar R$ 151 mil mensais, a partir deste ano, após o superaumento que se autoconcederam. Juntando todas as regalias a que os nobres têm direito, o orçamento da Câmara vai bater em R$ 5,1 bilhões e o do Senado em R$ 3,9 bilhões.
Cada Senador (são 81) recebe um salariozinho R$ 33.763 mil. Só com esses salários, é gasto por mês quase R$ 3 milhões. Juntando os salários dos ilustres Deputados Federais (são 513), também de R$ 33,7 mil, teremos uma despesa mensal de R$ 17,3 milhões. Vale lembrar que esse grupo recebe até o 15º salário. Só de salários, o povo brasileiro gasta mais de R$ 300 milhões para dar boa vida e conforto aos ilustres parlamentares.
Além do humilde salário, os parlamentares têm uma série de outras vantagens. São R$ 3,8 mil de auxílio moradia, ajuda de custo de R$ 67,5 mil, verba de gabinete de R$ 78 mil para Deputados e R$ 80 mil para Senadores, e ainda tem a cota que varia conforme o estado. Para Deputados, o valor gira entre R$ 27 mil e 48 mil, e para Senadores, de R$ 21 mil a R$ 40 mil.
Como os Senadores acham que essa graninha que ganham é dinheiro de pinga, eles têm direito a desfrutar de gastos ilimitados com telefones celulares e ainda ganham um carro oficial com combustível. Tudo, claro, custeado pelo povo. Mas ainda assim parece que não estão contentes. Coitados, são obrigados a desviar verbas para garantir o leitinho das crianças.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

A realidade da ficção


Apesar da curiosidade, nunca tinha assistido à série norteamericana ‘The Walking Dead’. Com certeza você já deve ter ouvido falar. Se não, trata de um cenário devastador causado por uma invasão zumbi. Os walkers devoram tudo o que tem cheiro de vida. Pessoas, animais... 

Nesse mundo apocalíptico, sobreviver é a única coisa que importa. Decisões extremamente difíceis são tomadas. A luta é diária, nem só contra os ‘comedores’, mas também contra os outros sobreviventes. Os humanos tornam-se verdadeiros animais, não restando quase nenhum pingo de civilização. Os bons se vão... os fracos, também. As batalhas são travadas pelos fortes.

A dramaticidade é tão intensa que nos faz pensar o que realmente tem valor. Em um mundo dominado por criaturas mortas-vivas, que não têm almas, não têm sentimentos... o que fazer? Coisas que as pessoas, hoje, dão tanto valor, como casas, carros e luxo não servem de nada. A única coisa que têm, são um ao outro.

Na série, a princípio, há um choque ao ver como pessoas podem matar outras pessoas sem o menor ressentimento, em busca de ser o mais forte e querer o melhor para seu grupo. Mas, pensando bem, a ficção está bem próxima da realidade.

Em Santa Catarina, um jovem foi baleado durante o réveillon. A galera que fazia a festa simplesmente cobriu o corpo do rapaz e continuou a agitação, como se nada tivesse acontecido. Sem o menor remorso. No Rio de Janeiro, um fisiculturista (que não sabia nadar) se atirou ao mar com um amigo e morreu afogado. A festa que rolava no barco continuou por horas sem que ninguém se importasse. 

Estamos em uma sociedade tão anestesiada pela dor que não sabe mais ser humana...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

A floresta e a escola

Oswald de Andrade teria completado 125 anos no dia 11 de janeiro, se estivesse vivo. Mas, talvez, para ele, tenha sido melhor já ter partido e não ver a situação dramática e lamentável a que chegou o Brasil. Andrade faleceu em outubro de 1954, aos 64 anos.  
Oswald de Andrade é um dos grandes nomes do modernismo literário brasileiro. À época, era considerado um polemista, mas ele tinha uma grade visão de futuro. 
No Manifesto da Poesia Pau-Brasil, já falava sobre a importância de a humanidade aprender o que a floresta e a escola têm a oferecer. Mais que isso, sobre a necessidade de se preservar a natureza e conseguir fazer com que a população tenha acesso à Educação. Até hoje, quase um século depois (o manifesto é de 1924), o brasileiro ainda não entendeu o recado.
Tanto é que a presidente Dilma, assim que tomou posse de seu segundo e último mandato, fez Oswald se remexer na cova: escalou a ruralista Kátia Abreu para o Ministério do Meio Ambiente e cortou bilhões da verba destinada à Educação e Ciência e Tecnologia.
Ao longo dos anos, não se vê os governantes – em todas as esferas – demonstrarem preocupação com o rumo que essas duas áreas tomam. Muito menos se preocupam em investir em Educação Ambiental, como forma evitar que as futuras gerações enfrentem tantos problemas.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Hepatite em Alter do Chão: esconder ou resolver?


No final de semana retrasado, tive a oportunidade de passar bons momentos em Pindobal, e, também, tomar um refrescante banho em um igarapé – do qual não sei o nome - que fica em Iruçanga (creio ser assim que se escreve).
Após algum tempo em que eu estava lá aproveitando o paraíso intocado com alguns amigos, chegou um guia turístico, acompanhando um casal vindo da capital amazonense. Após as apresentações e conversas iniciais, ele foi questionado sobre o movimento de turistas nos últimos dias, principalmente no que diz respeito à praia de Alter do Chão.

Ele contou que o fluxo caiu de forma acentuada. Naquele igarapé em que estávamos, por exemplo, que recebia dezenas de visitantes por dia, agora é um ou outro que aparece. Os guias de Alter do Chão estão parados, sem público para atender. O motivo disso, claro, é o fato de se constatar vários casos de hepatite na principal praia de Santarém.

O guia ficou enfurecido com o médico do posto de saúde, afinal foi ele quem revelou o grave problema à sociedade. Segundo o guia, isso é coisa que sempre aconteceu e não era agora que teria que ser revelado ao público. Poderia muito bem continuar como sempre foi.

A pura verdade é que não é apenas o guia que pensa dessa forma. Nossas autoridades, os integrantes que movem as engrenagens do turismo regional e até os próprios moradores preferiam que o problema não fosse revelado.

E é incrível isso. O maior patrimônio turístico santareno está sendo dilacerado ano após ano e parece que ninguém está nem aí para isso. O maior potencial que Santarém tem para se desenvolver e ser, de fato, importante para a região Norte é investir no turismo e preservar seus preciosos tesouros naturais. Mas, quase inacreditavelmente, isso não acontece. Esgotos continuam sendo jogados na água que banha o turista e o não turista. Lixo continua sendo descartado sem a menor preocupação, em qualquer lugar...

Mas o mais absurdo é que, quando alguém faz o seu trabalho, este é o vilão. Em vez de as pessoas pararem para pensar no que está acontecendo em Alter do Chão, culpam o médico, que detectou o problema, e a imprensa, que alertou a população sobre os riscos. 

Para ver o absurdo, o vereador Luiz Alberto (PP), em seu pronunciamento na Câmara, semana passada, considerou que houve exagero quanto à divulgação do possível surto de hepatite na vila balneária. Ele acredita que ao fazer isso, o município foi penalizado, já que o número de turistas sofrerá grande redução.

Em vez de fazer o trabalho dele, e cobrar do prefeito, ou dos secretários responsáveis uma atuação mais eficiente, ele reclama da imprensa.

Como todos sabem, de fato, esse problema é antigo em Alter. Na verdade, desde sempre, já que nenhum dos governantes locais teve a preocupação e capacidade para salvar o maior patrimônio natural dos santarenos. E, se nada for feito, futuramente o Tapajós não passará de um Tietêzão.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Depois não adianta reclamar

Desde a virada do século, quando as questões ambientais ganharam destaque no cenário internacional, assistimos a uma série de acordos e situações que pretendiam reduzir o desmatamento em várias regiões do planeta, diminuir a população e repensar novos modelos de desenvolvimento, com principal enfoque para a sustentabilidade.

No entanto, no Brasil, isso, até hoje, ainda não foi levado a sério. Segundo o Greenpeace, entre 2007 e 2012, foram explorados ilegalmente cerca de 700 mil campos de futebol - equivalente a cerca de 5 milhões de árvores ou 950 mil caminhões de tora -, que colocadas em linha reta somariam 9.500 quilômetros – a distância entre São Paulo e Paris.

E o desmatamento acontece bem perto da gente. O Pará é o maior produtor de toras da Amazônia. O monitoramento realizado pela ONG, no segundo semestre do ano passado, mostra as rotas percorridas pelos caminhões que transportam a madeira ilegal. Os cortes foram realizados em Placas e Uruará, sendo as cargas transportadas para Santarém (detalhe na imagem).


O interessante é que, por mais que isso aconteça debaixo do nariz das autoridades, o panorama nunca muda. Em 2014, por exemplo, o Brasil bateu o recorde de desmatamento, com um aumento de quase 200% em relação a 2013. Tudo, claro, omitido durante a campanha, pela presidente reeleita. Marina Silva tocou no assunto várias vezes, mas não foi ouvida. Hoje, todos pagam por essa irresponsabilidade.

Se a situação continuar como está, será difícil imaginar um futuro tranquilo para as próximas gerações. O Sudeste já sente nas torneiras o efeito da devastação ambiental desenfreada.
Será que agora os governantes vão mudar a maneira de pensar, ou vão continuar com os atuais modelos, nomeando pessoas como Kátia Abreu para cuidar do Ministério de Meio Ambiente?