Temos o terrível costume de dar valor demais a determinadas coisas. E
isso nos faz perder o foco sobre qual a direção que deveríamos tomar.
Infelizmente, tudo que é moda, vira lei. Se pesquisarmos um pouco, vamos
encontrar os absurdos. Em Barra do Garças (MT), no dia 5 de setembro de 1995, o prefeito tentou
criar um ‘aeroporto alienígena’ (Lei Municipal 1840/95). Reservou uma grande
área para o pouso de OVNIs, tudo por conta das falácias acerca das invasões
extraterrestres, na época. Em novembro de 1997, o Decreto Municipal 82/97, de Bocaiúva do Sul (PR),
proibiu a venda de camisinhas e anticoncepcionais na cidadezinha de 9 mil
habitantes. Tudo porque os índices de natalidade estavam baixos e,
consequentemente, menos recursos chegariam lá. Por sorte a lei foi revogada um
dia depois. Isso sem falar na lei que aumenta a pena dos crimes ambientais cometidos
nos finais de semana e feriados, ou da lei que pune quem anunciar em outdoors,
banners e faixas, com erros de ortografia, regência ou concordância. O discurso dos ambientalistas, dos ‘ecologicamente corretos’, tem tomado
grande parte da nossa atenção neste século. Apesar de, em anos anteriores, esse
discurso ser mais forte, ele ainda segue presente em nosso dia-dia, ganhando
páginas nos impressos, tempo nas emissoras de Rádio e TV, espaço nas
universidades, nas ruas... Já não podemos ir para o trabalho de carro, demorar um pouquinho mais na
hora do banho, carregar compras nas tradicionais sacolas... ,É, meu amigo, quem
diria que a modernidade seria assim?
Não vou negar, acho bacana toda essa onda de sustentabilidade. De
aproveitar a energia do sol, do vento, do mar. Só que, cá entre nós, quem pode
pagar por isso? A energia solar, por exemplo, tem um custo quatro vezes
superior ao das fontes tradicionais. No caso da energia eólica, os custos,
apesar de menores em relação à solar, ainda é elevado. O governo brasileiro
prevê que levará meia década para que os custos tornem-se, ao menos,
competitivos. E, enquanto isso, renegam os combustíveis fósseis, que geram
milhões de reais para o país, como se fossem verdadeiros monstros. A mais comemorada descoberta dos últimos anos, a do pré-sal, na costa
brasileira, é um exemplo da importância deste tipo de recurso. A Petrobrás, uma
das maiores empresas do mundo, sabe muito bem do valor que o petróleo tem. E
não é só ela. Guerras e mais guerras já aconteceram por causa dele. Não estou aqui para negar o valor dessa discussão, nem para dizer que
não se deve pensar em fontes alternativas de energia. Só que parece que essa
discussão é a coisa mais importante do mundo. Esse papinho de sustentabilidade
é uma grande besteira, na minha humilde opinião - claro!
Enquanto milhões de pessoas morrem por falta de ter o que comer.
Enquanto ter acesso a Saúde é só para quem pode pagar. Enquanto a educação
continua uma verdadeira porcaria (a não ser nas propagandas governamentais).
Enquanto saneamento básico e acesso à água de qualidade é privilégio de
pouquíssimos. Enquanto tantas outras coisas acontecem, ficamos aí, na mesma. Debatendo
leis para retirar sacolas plásticas do mercado.
Por mais que eu me esforce, nunca conseguirei entender este grandioso enigma que nos move. Não há receitas, não há conselhos. Cada um trilha seu proprio caminho e carrega consigo seus proprios medos e esperanças, sonhos e expectativas. Por melhor que tente ser, nunca agradará, sempre, os outros. Haverá momentos em que seu amigo se tornará inimigo, e inimigo, amigo. Suas lágrimas ninguém enxugará, e seus problemas a ti caberá.
Demorei mas aprendi. No que eu acredito vou seguir, mesmo que pensem diferente de mim...
É... E eu que achava que era o bom.
Quem diria, hein?
Será que vale a pena? Será?
As minhas certezas incertas estão.
O meu coração perdeu a razão...
É... Quem diria que um dia assim eu pensaria? Quem diria...
Ninguém, ninguém vai dizer quando isso acabar.
Ninguém dirá.
Será que vai acabar?
Vou conseguir lutar?
Vou, não vou?
Acho que não...
Não, não quero o fim.
Mas não depende de mim.
É... Eu nunca diria!
Nunca diria que esse dia chegaria.
Nunca diria...
Acredito que deveríamos ser igual
a um limão. Discreto, com personalidade e com qualidades completamente únicas. Estava em casa e senti sede.
Lembrei que tinha uns limões na geladeira. Pensei em fazer um suco. Fui até a
cozinha, abri a geladeira e comecei a procurar o limão. Virei, revirei, até que
encontrei. Peguei o sobrevivente, velho, murcho e feinho, cortei ao meio e
espremi no copo. Foi aí que me surgiu essa reflexão.
Se tem uma coisa que acho
fundamental em casa é limão. Com ele dá pra fazer suco, temperar salada e ainda
servir de acompanhante em diversas comidas. É super barato, pequeno, e dá um
toque todo especial.
Sabia que existe pessoa-limão?
Aquelas pessoas discretas, que ficam escondidinhas e muitas vezes são colocadas
de lado. Não existem muitas delas, mas as poucas que existem fazem toda a
diferença. Assim como o limão, uma única pessoa desse tipo é capaz de fazer
muita coisa. Geralmente não aparece, mas quando entra em cena chama atenção,
não pela sua aparência, mas pelo seu conteúdo. E quando abre a boca deixa um
gosto azedo na boca dos outros, geralmente os que gostam se aparecer.
Bem que poderia ser eu, mas o editor a que o texto abaixo refere não se chama Joab Ferreira. Acho que vai ser muito bacana a experiência que ele se propôs a passar. Afinal a internet consome um tempo precioso.
Ex-editor do Engadget e atual
editor sênior do The Verge – portais americanos reconhecidos pelo
conteúdo de qualidade sobre tecnologia –, Paul Miller iniciou este mês o
projeto de manter-se um ano off-line e escrever relatos periódicos sobre
a experiência.
Não é só por meio do computador que
ele pretende ignorar a internet: também deixou de navegar via tablet,
iPod, notebook e outros portáteis; não vai jogar videogame online; não
vai utilizar e-mail, VoIP, redes sociais ou quaisquer outros artifícios
digitais; e, para finalizar, trocou seu smartphone pelo que chamou de dumbphone
(“telefone estúpido”) – um velho aparelho Nokia “tijolinho”, do qual é difícil
mandar até mesmo SMS.
Segundo ele – que tentará manter a
vida social e a profissional no limite da normalidade –, seu objetivo é
“observar a internet à distância. Ao me separar da conectividade constante,
posso ver quais aspectos são verdadeiramente válidos, quais são distrações para
mim e quais partes estão corrompendo a minha alma”.
E continua: “O que me preocupa é que
sou tão ‘adepto’ da internet que encontrei formas de preencher cada fresta da
minha vida com ela, e estou quase certo de que a internet invadiu alguns lugares
aos quais não pertence”.
Miller acrescenta que seus relatos e
vídeos serão postados por outros editores, pois ele não pretende ver a internet
nem por cima do “ombro alheio”, tampouco pedir a alguém que navegue por ele. A
experiência pode ser acompanhada em seu site
pessoal, onde já estão disponíveis os textos sobre seus primeiros
dias off-line.
Todo mundo, em algum momento, já
escutou os mais velhos contarem sobre como as coisas eram no seu tempo (hoje
eles acreditam que o tempo não seja mais deles). Falam sobre como eram os
namoros, a relação entre um casal, o respeito aos pais... em meio a uma
infinidade de coisas – que muitos julgam cafona – está o valor da palavra dada.
Conta a lenda que antigamente as
pessoas emprestavam até grande quantidade de dinheiro tendo como garantia
apenas a palavra. Uns davam um fio do próprio bigode para assegurar o
compromisso – é claro que esse artifício se restringia apenas aos homens... e à
algumas poucas mulheres. Hoje em dia
isso é quase impensável. Até para parente você fica com medo de emprestar
dinheiro, e quando empresta, fica com um receio enorme. Liga toda semana para
pedir o dinheiro de volta e, ainda, cobra juros. Dinheiro é um assunto muito
delicado, então vou mudar o rumo da conversa.
Acredito que umas das melhores
coisas que uma pessoa possa ter é crédito. Não crédito pra celular – o que
também é uma maravilha -, mas ter crédito em sua palavra. Poder ser acreditada.
No entanto, para isso acontecer, é necessário que a pessoa tenha muitas outras
qualidades, o que, em geral, não acontece.
Uma coisa tão simples pode fazer
toda a diferença. O que custa honrar com os compromissos? Se tem uma reunião às
10h, por que chega às 10h30? Se disse que ia levar tal coisa, por que aparece
de mãos vazias? Se emprestou dinheiro e não pagou (calote), por que finge que
está tudo bem, como se fosse algo comum?
Isso é uma questão profunda, que
mexe com os valores do ser humano. Não quero entrar nas profundezas da ética,
entretanto tem tudo a ver. Eu não posso fazer o errado e achar que é certo. Não
devo assinar uma lista de frequência dos dias em que faltei, nem furar fila só
porque me considero mais importante que os outros, ou aproveitar da falta de
instrução alheia para sair sempre ganhando.
Tudo tem consequência, tudo tem
um preço. Não adianta pensar que seremos eternos ou que nossas ações passarão
despercebidas. Uma hora vamos precisar de alguém, mais cedo ou mais tarde, e é
aí, caro leitor, que a coisa pega. Refaça-se enquanto há tempo. Boa leitura e
boa semana!
Além de contribuir com o meio ambiente, processo é lucrativo.
No
oeste do Pará apenas uma empresa faz o serviço.
Joab Ferreira
O lixo é um dos maiores
problemas enfrentados na atualidade, em todo o planeta. Em muitas cidades onde
a coleta não é eficiente, esse material que um dia teve serventia, ocupa
calçadas, ruas e quintais abandonados. Gerando, com isso, problemas muito
maiores. Além dos impactos ambientais e estéticos, restos de materiais,
principalmente de alimentos, podem causar agravantes na saúde pública. O
problema não se resume a ter uma coleta de lixo eficiente. A destinação é parte
vital da questão. Para onde vai todo
esse material? Geralmente para os famosos lixões, que são locais destinados
para receber todo o lixo urbano.
A reciclagem aparece
neste cenário como uma alternativa viável e apropriada para ser aplicada em
tempos em que a sustentabilidade e a preservação dos recursos naturais ganharam
espaço, e seguidores. “Estamos diante de um caso raro de atividade, em que
todos são a favor e só têm a ganhar com sua implantação”, diz o professor de
pós-graduação em Engenharia de Embalagem da Escola de Engenharia Mauá, Fabio Mestriner, em artigo publicado sobre a
importância de se reciclar embalagens.
Para ele, os valores ambientais devem ser cada vez mais abordados na
sociedade atual. Esses temas, como o de reciclagem, têm amplo espaço entre a
população e é bem aceito, apesar de a prática ainda não ser tão grande. “Temos
certeza de que a sociedade brasileira acolhe com simpatia e entusiasmo a
reciclagem e deseja participar dela. O poder público só tem a ganhar com a
coleta seletiva, que vai fazer com que o manejo do lixo, que hoje representa
custos elevados para as municipalidades, passe a se constituir numa fonte de
receita para as prefeituras, e, finalmente, a indústria para a qual converge o
produto da reciclagem tem cálculos muitos precisos do valor dessa atividade para seu negócio e
sabe que só tem a ganhar com isso”, explica o professor Fabio Mestriner.
Reciclagem, em termos gerais, é transformar um
produto que já foi usado e hoje não tem mais utilidade em outro que possa ser
útil. Isso reduz a quantidade de recursos naturais extraídos, evita a produção
de mais resíduos poluentes, reaproveita os materiais já existentes e cria
alternativas para o lixo urbano.
Em Santarém, há cinco anos a empresa Amazônia Viva trabalha com
a reciclagem de alguns materiais. O proprietário, Eduardo de Lima, concorda com o
professor. “Em dois anos mandamos 1.500 toneladas de papelão de Santarém. Aí você
imagina como seria todo esse material na cidade? Seria muito melhor se o
‘sistema’ ajudasse a pagar o frete, em vez de pagar a contratada para jogar no
lixão”.
Eduardo explica que trabalhar com reciclagem é algo vantajoso,
porque além do lucro, ajuda na conservação do meio ambiente, reaproveitando o
lixo e impedindo que ele seja descartado em locais impróprios. Mas que para
montar um negócio assim, é preciso muito investimentos e apoio. “A gente não
tem apoio de ninguém. Hoje, aqui na cidade, a gente trabalha em média com 130
toneladas de materiais recicláveis batidos por mês. Pegamos até garrafões de
água, óleo, mesas, cadeiras, além de ferro e alumínio. Se somar tudo, entre
material coletado, prensado e enviado, vai dar cerca de 300 toneladas por mês. É
viável, dá lucro, mas tem que ter uma logística muito grande e apoio”, diz.
A
empresa envia cerca de 60 toneladas de papelão prensado por mês, para Manaus.
Polímeros (PET e outros) também são recolhidos, lavados e processados. Especialistas
acrescentam a fala do proprietário da empresa de reciclagem. Afirmam que a
reciclagem é uma atividade econômica que demanda atenção, pois trabalha com
muitos processos. É preciso haver conscientização tanto da população em geral,
quanto de outras empresas e instituições para que percebam a importância desse
trabalho. Também é necessário que o poder público se manifeste por meio de
apoio e projetos com cunhos ambientais, já que é muito mais vantajoso dar um
novo destino ao lixo, do que gastar dinheiro apenas recolhendo e despejando nos
lixões.
“Tudo isso já está
sendo feito e funcionando no país, graças a uma série de iniciativas da
sociedade civil, de algumas prefeituras e da indústria de embalagem. A
reciclagem no Brasil hoje é uma realidade”, fala Fabio Mestriner. Atualmente o
Brasil é o segundo maior reciclador de PET do mundo e quanto ao papelão, já
consegue reciclar 75%.
A reciclagem parte da coleta seletiva, que é um sistema de
recolhimento de papéis, plásticos, vidros, enfim, materiais que possam ser
reciclados, separados após terem sido usados. Para essa coleta acontecer
torna-se necessária que o processo de educação ambiental esteja bem apurado em
cada cidadão e instituição.
Quais os benefícios que a música pode trazer ao ser humano? Por que ela exerce tanta influência sobre as pessoas? Ela nos torna mais inteligentes?
Joab Ferreira
A música faz parte do ser humano, inegavelmente. E isso não vem de agora. Estudos indicam que desde que o homem começou a se organizar em tribos primitivas a música tem espaço garantido. Na verdade, na pré-história ela já era produzida, por meio dos utensílios do dia-a-dia. Com o passar do tempo, e das épocas, essa produção cultural ganhou mercado e novos estilos.
A música é entendida como a arte de combinar os sons e o silêncio. Arte capaz de fazer sorrir, chorar e estimular. Usada amplamente pela mídia, em filmes, novelas e campanhas publicitárias. E estudada profundamente pela ciência, trazendo a cada pesquisa, mais perguntas do que respostas. E é nesse meio que permeiam as dúvidas e mitos¹.
“Nessa área há muito interesse, especialmente da mídia, mas existem muitos mitos também. E existem muitas coisas que não estão completamente comprovadas”, explica a doutora em psicologia Iani Lauer, professora da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).
Música é emoção
Iani Lauer explica por que o conjunto harmonioso de sons tem uma receptividade e uma influência tão forte nas pessoas. “A música está muito próxima da emoção. É um ponto muito forte de relação que existe. Ela ativa em nosso cérebro os locais que trabalham com a questão da emoção, e fortemente. Isso interfere na questão dos batimentos cardíacos, pressão arterial... Vai diretamente na emoção e não na razão”.
A música é um agente de transformação social, e nela estão incluídos diversos fatores que a transformam em algo de surpreendente valor e complexidade. Ela pode aumentar, ou diminuir, o estado de excitação dos ouvintes, dependendo do tipo de ritmo e do contexto em que está inserida. Em um filme, por exemplo, grande parte da mensagem e, consequentemente emoção, transmitida é repassada pela trilha sonora.
Ao ouvir uma música mais ‘rápida’ a pessoa fica agitada, com um nível de excitação maior. Ao escutar uma música ‘lenta’, a pessoa passa a ter uma calma maior, tendo mais espaços a reflexões. Ela cria novos ambientes e também ajuda a preencher um vazio causado pela falta de interação com outras pessoas. Ou pode justamente auxiliar nessas relações interpessoais, aproximando indivíduos por meio da dança, por exemplo.
Outro ponto importante causado pela música é a facilitação de armazenar lembranças. Ao ouvir uma música a pessoa pode se lembrar de algum fato na infância que a marcou, ou de um relacionamento que não deu certo, ou ainda de uma cidade em que morou. A música tem o poder de ativar no cérebro essas lembranças. “A música parece constituir um artefato mnemônico que estabelece ligações entre as pessoas e os eventos, ajudando a armazená-los na memória”, relata a doutora em PhD em educação musical, Beatriz Ilari, em um dos seus trabalhos.
Música e seus benefícios
A música tem grande destaque nas áreas de educação e saúde. Os pais são aconselhados a incentivarem seus filhos à prática musical. Nas salas de aulas os professores fazem coro para defenderem as vantagens ao desenvolvimento humano que a música proporciona. Dizem que estimula a mente da criança, ajuda na memória e concentração. “Para a criança tudo é mais fácil. A fase de maior aprendizado humano é a primeira infância. Então daí a preocupação de expor a criança, não apenas à música, que é um estímulo muito rico, mas a outros estímulos também”, diz a professora da Ufopa, Iani Lauer.
Na Saúde a relação entre música e paciente é muito próxima, por conta do poder que ela tem em mexer com a emoção das pessoas. “Conhecemos bem o efeito que música tem principalmente sobre nossas emoções e o poder que ela tem de induzir estados emocionais. Por isso, cada vez mais ela vem sendo usada em terapia de doenças psíquicas, associada ou não a técnicas corporais. Também pode ser aplicada para melhorar a concentração e conduzir a estados meditativos. Não há dúvida que a música gera bem estar, mas o contrário também pode ocorrer, alguns tipos de ritmos musicais podem gerar desconforto emocional e físico”, relata a médica Bernadette Serra.
Relação mãe e filho
Entre os 5 e 6 meses após a concepção, o feto já é capaz de reagir ao som. Apesar de estes soarem diferentes do que foram emitidos, por terem de passar através do abdômen da mãe e do líquido amniótico. A voz materna é a melhor para ser ouvida, pois pode ser percebida por meio das vibrações do seu próprio corpo.
“O bebê escuta, ainda na barriga da mãe, e grava esses sons. Ele tem memória. Existem vários relatos de mães que dizem que escutaram a mesma música durante a gravidez inteira e, ao nascer, quando colocada a mesma música, ou quando a mãe canta, o neném acalma. Ele reconhece a voz da mãe”, diz Iane Lauer.
Ao ouvir a voz da mãe, ainda dentro da barriga, ocorre mudanças nos batimentos cardíacos do bebê. Pesquisas revelam que eles são sensíveis às propriedades do som. Do nascimento até o terceiro mês, os sons melhores percebidos são os graves. Após esse período, a partir dos seis meses, as crianças invertem, os sons agudos passam a ser melhores percebidos, em detrimento aos graves. Mas o equilíbrio na audição só vai acontecer depois dos dois anos. Quando a criança atinge 10 anos, o nível audição já é muito parecida com a de um adulto.
A professora Iane Lauer desenvolve o projeto de extensão ‘Cantando Histórias²’, que trabalha a relação entre mães (e familiares) com os filhos de três meses a dois anos de idade. Ela fala sobre o desenvolvimento que é notado no durante a execução do projeto. “No decorrer das atividades das oficinas é possível ver o desenvolvimento acontecendo, o que por si só é maravilhoso. Também é extremamente gratificante perceber a alegria das mães e das crianças no processo de interação. Esse é um momento que se torna apenas delas: mães e bebês”, finaliza.
As pessoas ficam mais inteligentes?
O debate é antigo. Será que viver em um ambiente musicalmente rico é sinônimo de inteligência? As pesquisas não comprovam um efeito durador, mas é fato comprovado que a música traz benefícios. No entanto não se pode afirmar que esses benefícios tornam as pessoas mais inteligentes. Segundo a teoria das inteligências múltiplas³ do americano Howard Gardner, a inteligência não é unitária, mas, sim, compartimentada por competências específicas. Ele identificou as inteligências lingúística, lógico-matemática, espacial, musical, cinestésica, interpessoal e intrapessoal.
Todo indivíduo possui essas inteligências, o que varia são as predominâncias de uma a outra. “Na questão da aprendizagem lógico-matemática, por exemplo, existe uma relação entre crianças que são submetidas a estímulo da música e uma aprendizagem mais efetiva, mais rápida. Mas a gente também não pode dizer que por conta de haver essa relação, isso transcende para outros domínios”, esclarece Iani Lauer.
A música exerce um papel importantíssimo nas diversas sociedades, do oriente ao ocidente, nas suas mais diferentes formas. Desde antes de o nascimento até o último suspiro a música acompanha a vida do ser humano, estando presente em suas datas mais marcantes, arrancando lágrimas e sorrisos. A música é fundamental na vida de qualquer pessoa, não pelo que se pode conseguir por meio dela, mas pelo que ela é, por si mesma. Ninguém joga futebol para ficar mais inteligente, então por que se deve estudar música para este fim? “É importante estudar música, pela musica em si. E não porque vai ajudar na aprendizagem ou vai deixar o bebê mais calmo. A música é uma produção humana muito importante, então ela deve ser estimulada por si só, e não porque vai ajudar nisso ou naquilo”, finaliza Iane Lauer.
¹Efeito Mozart
O ‘Efeito Mozart’, que hoje é marca registrada, deu origem a uma verdadeira febre de consumo da música de Mozart e de programas ‘mágicos’ de educação musical, que prometiam desenvolver bebês mais inteligentes e mais aptos a obterem um lugar em universidades famosas, nos EUA. Em 1998, o governador da Geórgia, Zell Milner, ordenou a distribuição de CDs intitulados ‘Construa o cérebro de seu bebê através da música de Mozart’ em todas as maternidades do estado. Segundo o político, a distribuição do CD supostamente ‘garantiria’ o desenvolvimento da inteligência dos bebês e, portanto, de um estado com indivíduos mais inteligentes que a média. Tudo por conta da disseminação prematura pela mídia dos resultados de uma investigação científica preliminar em que apontou uma pequena melhoria em um sub-teste (habilidades espaciais) do famoso teste Stanford Binet de inteligência ocorrida logo após a audição de uma determinada obra musical de W.A. Mozart.
Oficinas de interação e desenvolvimento para mães e bebês
A criança é compreendida pelas atuais teorias do desenvolvimento de base construtivista como um ser ativo no próprio processo desenvolvimental, que acontece mediante a interação com o meio no qual está inserida. Nesse contexto a interação com os pais/cuidadores, em especial com a mãe é vista como propiciadora de desenvolvimento físico, mental e emocional.
O projeto de extensão “Cantando histórias” objetiva oferecer a mães de crianças de três meses a três anos, um espaço de interação e desenvolvimento para a díade e disponibilizar conhecimentos sobre desenvolvimento e saúde para essa faixa etária, mediante oficinas que acontecerão em fluxo contínuo durante o período de um ano.
As atividades das oficinas serão realizadas por professores e alunos da Ufopa e contarão com colaboradores de outras instituições voltadas para o público infantil. São dois os tipos de oficinas oferecidas:
1) Música e movimento: voltada para o público de três meses a dois anos, objetiva: promover o desenvolvimento perceptual e motor dos bebês, utilizando a música, dar noções de tons, ritmos e movimento e propiciar a interação entre mãe e bebê nesse processo. São 10 vagas ofertadas.
2) Hora da história: voltada para o público de três meses a três anos, objetiva: facilitar a interação entre mães e bebês mediante o ensino do uso de músicas cantadas e histórias, ensinar às mães a utilização de materiais simples para contar histórias, possibilitar ambiente rico de estímulos adequados ao desenvolvimento das crianças da faixa etária escolhida e propiciar a interação entre mãe e bebê nesse processo. São 10 as vagas ofertadas.
O projeto contribuirá, mediante as atividades oferecidas, para o uso efetivo das habilidades parentais no cuidado com os filhos e consequentemente, para o desenvolvimento mais saudável destes.
As oficinas acontecem sempre aos domingos, de 9h às 11h30, no endereço: Av. Mendonça Furtado, 699 (prédio da igreja Adventista). Para frequentar é necessário contato prévio para inscrição, pois as vagas são limitadas. Fone: 91946557
³Inteligências Multiplas
Inteligência linguística - Os componentes centrais são uma sensibilidade para os sons, ritmos e significados das palavras, além de uma especial percepção das diferentes funções da linguagem.
Inteligência musical - Inclui discriminação de sons, habilidade para perceber temas musicais, sensibilidade para ritmos, texturas e timbre, e habilidade para produzir e/ou reproduzir música.
Inteligência lógico-matemática - É a habilidade para explorar relações, categorias e padrões, através da manipulação de objetos ou símbolos, e para experimentar de forma controlada; é a habilidade para lidar com séries de raciocínios, para reconhecer problemas e resolvê-los.
Inteligência espacial - Capacidade para perceber o mundo visual e espacial de forma precisa. É a habilidade para manipular formas ou objetos mentalmente e, a partir das percepções iniciais, criar tensão, equilíbrio e composição, numa representação visual ou espacial.
Inteligência cinestésica - É a habilidade para usar a coordenação grossa ou fina em esportes, artes cênicas ou plásticas no controle dos movimentos do corpo e na manipulação de objetos com destreza.
Inteligência interpessoal - Habilidade para entender e responder adequadamente a humores, temperamentos motivações e desejos de outras pessoas.
Inteligência intrapessoal - É o correlativo interno da inteligência interpessoal, isto é, a habilidade para ter acesso aos próprios sentimentos, sonhos e idéias, para discriminá-los e lançar mão deles na solução de problemas pessoais.
Ano eleitoral é um espetáculo a parte. Surgem artistas dos mais diversos cantos, todos querendo um espaçozinho no palco. Loucos para mostrarem todo o repertório de encenação que conhecem. E olha que os truques não são poucos. Uns já são, digamos, ‘macacos velhos’ nessa arte. Outros começaram a comer banana agora, e parece que gostaram da fruta.
No final da apresentação a plateia aplaude, entusiasmada, os grandes atores. O público fica impressionado com tantos movimentos, tantas falas, tanta ilusão... Apesar de saber que aquilo ali, que passa diante dos seus olhos, não é real, não é verdade, se esforçam para acreditar. Afinal, se não sonharem, a única coisa que restará vai ser encarar a mesma realidade de décadas. A mesma triste, e quase eterna, realidade.
Em Santarém a situação não é diferente das demais cidades brasileiras. A movimentação começou bem antes, e as estratégias também. Algumas já fazem aniversário. Agora todo mundo é do bem, está do lado do povo, lutando contra os ‘ricos e poderosos’. Esse papo todo mundo já conhece, né? Ou pelo menos deveria, até porque de dois em dois anos tudo se repete. E nós assistimos, quase que inertes, aos shows realizados por eles. E é neste momento também que surgem os blogueiros, os líderes de movimentos sociais, os empresários, os religiosos... Todos querendo abocanhar o seu voto.
Escolher nossos representantes não é tarefa fácil, mas mais difícil que escolher, vai ser aguentá-los por quatro anos. E o pior, sustentando-os. Por isso pense, reflita. Não acredite em propostas furadas. Não deixe que se aproveitem da sua situação para brincar com os seus sentimentos. Analise profundamente as propostas e, quando chegar no dia das eleições, vote consciente.