sexta-feira, 27 de abril de 2012

Reciclagem é alternativa para um dos maiores problemas na atualidade

Além de contribuir com o meio ambiente, processo é lucrativo. 
No oeste do Pará apenas uma empresa faz o serviço.

Joab Ferreira

O lixo é um dos maiores problemas enfrentados na atualidade, em todo o planeta. Em muitas cidades onde a coleta não é eficiente, esse material que um dia teve serventia, ocupa calçadas, ruas e quintais abandonados. Gerando, com isso, problemas muito maiores. Além dos impactos ambientais e estéticos, restos de materiais, principalmente de alimentos, podem causar agravantes na saúde pública. O problema não se resume a ter uma coleta de lixo eficiente. A destinação é parte vital da questão.  Para onde vai todo esse material? Geralmente para os famosos lixões, que são locais destinados para receber todo o lixo urbano.

A reciclagem aparece neste cenário como uma alternativa viável e apropriada para ser aplicada em tempos em que a sustentabilidade e a preservação dos recursos naturais ganharam espaço, e seguidores. “Estamos diante de um caso raro de atividade, em que todos são a favor e só têm a ganhar com sua implantação”, diz o professor de pós-graduação em Engenharia de Embalagem da Escola de Engenharia Mauá, Fabio Mestriner, em artigo publicado sobre a importância de se reciclar embalagens.

Para ele, os valores ambientais devem ser cada vez mais abordados na sociedade atual. Esses temas, como o de reciclagem, têm amplo espaço entre a população e é bem aceito, apesar de a prática ainda não ser tão grande. “Temos certeza de que a sociedade brasileira acolhe com simpatia e entusiasmo a reciclagem e deseja participar dela. O poder público só tem a ganhar com a coleta seletiva, que vai fazer com que o manejo do lixo, que hoje representa custos elevados para as municipalidades, passe a se constituir numa fonte de receita para as prefeituras, e, finalmente, a indústria para a qual converge o produto da reciclagem tem cálculos muitos precisos do valor dessa atividade para seu negócio e sabe que só tem a ganhar com isso”, explica o professor Fabio Mestriner.

Reciclagem, em termos gerais, é transformar um produto que já foi usado e hoje não tem mais utilidade em outro que possa ser útil. Isso reduz a quantidade de recursos naturais extraídos, evita a produção de mais resíduos poluentes, reaproveita os materiais já existentes e cria alternativas para o lixo urbano.

Em Santarém, há cinco anos a empresa Amazônia Viva trabalha com a reciclagem de alguns materiais. O proprietário, Eduardo de Lima, concorda com o professor. “Em dois anos mandamos 1.500 toneladas de papelão de Santarém. Aí você imagina como seria todo esse material na cidade? Seria muito melhor se o ‘sistema’ ajudasse a pagar o frete, em vez de pagar a contratada para jogar no lixão”.

Eduardo explica que trabalhar com reciclagem é algo vantajoso, porque além do lucro, ajuda na conservação do meio ambiente, reaproveitando o lixo e impedindo que ele seja descartado em locais impróprios. Mas que para montar um negócio assim, é preciso muito investimentos e apoio. “A gente não tem apoio de ninguém. Hoje, aqui na cidade, a gente trabalha em média com 130 toneladas de materiais recicláveis batidos por mês. Pegamos até garrafões de água, óleo, mesas, cadeiras, além de ferro e alumínio. Se somar tudo, entre material coletado, prensado e enviado, vai dar cerca de 300 toneladas por mês. É viável, dá lucro, mas tem que ter uma logística muito grande e apoio”, diz. 

A empresa envia cerca de 60 toneladas de papelão prensado por mês, para Manaus. Polímeros (PET e outros) também são recolhidos, lavados e processados. Especialistas acrescentam a fala do proprietário da empresa de reciclagem. Afirmam que a reciclagem é uma atividade econômica que demanda atenção, pois trabalha com muitos processos. É preciso haver conscientização tanto da população em geral, quanto de outras empresas e instituições para que percebam a importância desse trabalho. Também é necessário que o poder público se manifeste por meio de apoio e projetos com cunhos ambientais, já que é muito mais vantajoso dar um novo destino ao lixo, do que gastar dinheiro apenas recolhendo e despejando nos lixões.

“Tudo isso já está sendo feito e funcionando no país, graças a uma série de iniciativas da sociedade civil, de algumas prefeituras e da indústria de embalagem. A reciclagem no Brasil hoje é uma realidade”, fala Fabio Mestriner. Atualmente o Brasil é o segundo maior reciclador de PET do mundo e quanto ao papelão, já consegue reciclar 75%.

A reciclagem parte da coleta seletiva, que é um sistema de recolhimento de papéis, plásticos, vidros, enfim, materiais que possam ser reciclados, separados após terem sido usados. Para essa coleta acontecer torna-se necessária que o processo de educação ambiental esteja bem apurado em cada cidadão e instituição.

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