Além de contribuir com o meio ambiente, processo é lucrativo.
No
oeste do Pará apenas uma empresa faz o serviço.
Joab Ferreira
O lixo é um dos maiores
problemas enfrentados na atualidade, em todo o planeta. Em muitas cidades onde
a coleta não é eficiente, esse material que um dia teve serventia, ocupa
calçadas, ruas e quintais abandonados. Gerando, com isso, problemas muito
maiores. Além dos impactos ambientais e estéticos, restos de materiais,
principalmente de alimentos, podem causar agravantes na saúde pública. O
problema não se resume a ter uma coleta de lixo eficiente. A destinação é parte
vital da questão. Para onde vai todo
esse material? Geralmente para os famosos lixões, que são locais destinados
para receber todo o lixo urbano.
A reciclagem aparece
neste cenário como uma alternativa viável e apropriada para ser aplicada em
tempos em que a sustentabilidade e a preservação dos recursos naturais ganharam
espaço, e seguidores. “Estamos diante de um caso raro de atividade, em que
todos são a favor e só têm a ganhar com sua implantação”, diz o professor de
pós-graduação em Engenharia de Embalagem da Escola de Engenharia Mauá, Fabio Mestriner, em artigo publicado sobre a
importância de se reciclar embalagens.
Para ele, os valores ambientais devem ser cada vez mais abordados na
sociedade atual. Esses temas, como o de reciclagem, têm amplo espaço entre a
população e é bem aceito, apesar de a prática ainda não ser tão grande. “Temos
certeza de que a sociedade brasileira acolhe com simpatia e entusiasmo a
reciclagem e deseja participar dela. O poder público só tem a ganhar com a
coleta seletiva, que vai fazer com que o manejo do lixo, que hoje representa
custos elevados para as municipalidades, passe a se constituir numa fonte de
receita para as prefeituras, e, finalmente, a indústria para a qual converge o
produto da reciclagem tem cálculos muitos precisos do valor dessa atividade para seu negócio e
sabe que só tem a ganhar com isso”, explica o professor Fabio Mestriner.
Reciclagem, em termos gerais, é transformar um
produto que já foi usado e hoje não tem mais utilidade em outro que possa ser
útil. Isso reduz a quantidade de recursos naturais extraídos, evita a produção
de mais resíduos poluentes, reaproveita os materiais já existentes e cria
alternativas para o lixo urbano.
Em Santarém, há cinco anos a empresa Amazônia Viva trabalha com
a reciclagem de alguns materiais. O proprietário, Eduardo de Lima, concorda com o
professor. “Em dois anos mandamos 1.500 toneladas de papelão de Santarém. Aí você
imagina como seria todo esse material na cidade? Seria muito melhor se o
‘sistema’ ajudasse a pagar o frete, em vez de pagar a contratada para jogar no
lixão”.
Eduardo explica que trabalhar com reciclagem é algo vantajoso,
porque além do lucro, ajuda na conservação do meio ambiente, reaproveitando o
lixo e impedindo que ele seja descartado em locais impróprios. Mas que para
montar um negócio assim, é preciso muito investimentos e apoio. “A gente não
tem apoio de ninguém. Hoje, aqui na cidade, a gente trabalha em média com 130
toneladas de materiais recicláveis batidos por mês. Pegamos até garrafões de
água, óleo, mesas, cadeiras, além de ferro e alumínio. Se somar tudo, entre
material coletado, prensado e enviado, vai dar cerca de 300 toneladas por mês. É
viável, dá lucro, mas tem que ter uma logística muito grande e apoio”, diz.
A
empresa envia cerca de 60 toneladas de papelão prensado por mês, para Manaus.
Polímeros (PET e outros) também são recolhidos, lavados e processados. Especialistas
acrescentam a fala do proprietário da empresa de reciclagem. Afirmam que a
reciclagem é uma atividade econômica que demanda atenção, pois trabalha com
muitos processos. É preciso haver conscientização tanto da população em geral,
quanto de outras empresas e instituições para que percebam a importância desse
trabalho. Também é necessário que o poder público se manifeste por meio de
apoio e projetos com cunhos ambientais, já que é muito mais vantajoso dar um
novo destino ao lixo, do que gastar dinheiro apenas recolhendo e despejando nos
lixões.
“Tudo isso já está
sendo feito e funcionando no país, graças a uma série de iniciativas da
sociedade civil, de algumas prefeituras e da indústria de embalagem. A
reciclagem no Brasil hoje é uma realidade”, fala Fabio Mestriner. Atualmente o
Brasil é o segundo maior reciclador de PET do mundo e quanto ao papelão, já
consegue reciclar 75%.
A reciclagem parte da coleta seletiva, que é um sistema de
recolhimento de papéis, plásticos, vidros, enfim, materiais que possam ser
reciclados, separados após terem sido usados. Para essa coleta acontecer
torna-se necessária que o processo de educação ambiental esteja bem apurado em
cada cidadão e instituição.
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