terça-feira, 15 de julho de 2014

Resenha sobre a Copa, o Felipão e a Seleção

SOBRE A COPA


O futebol está feio. E não é preciso ser especialista para notar isso. A coisa vai mal não só aqui no Brasil. A Copa do Mundo é a melhor prova. Tanta expectativa pra nada. Não sei se sou o único, mas eu achei esta Copa, com o perdão da palavra, uma bosta. E não entro no mérito da participação dos torcedores, e da festa nos estádios. Falo da bola rolando. Há alguns anos a inspiração foi sumindo para se dar lugar à transpiração. Saíram de cena os craques, entraram os cabeças de bagre. Saiu o talento, entrou a força. Antes, assistir a uma partida de futebol era diversão, arte. Hoje é sofrimento, quase infarte.

Até a Alemanha, que todos já esperavam uma boa campanha por conta do ótimo desempenho dos clubes locais nos últimos anos (Bayern de Munique e Borussia Dortmund), não jogou lá aquelas coisas. Um futebol comum. Nenhum craque, nada diferente. Empatou com Gana, suou pra ganhar da Argélia... que, convenhamos, não são ninguém no mundo futebolístico.

Mas, depois da surra no Brasil, se tornou a sensação. Por aí se explica um pouco do que dizem que brasileiro gosta de sofrer. Quanto mais sofre, mais adora o opressor. Na boa, torcer pra Alemanha depois de tomar um sarrafo de 7 a 1 é algo estranho. Mesmo que o adversário seja a Argentina.

SOBRE O BRASIL
David Luiz é um grande jogador. Disso ninguém duvida. Mas, infelizmente, nesta Copa ele foi muito mal. Talvez por jogar como volante no seu clube, ele não conseguiu ir bem como zagueiro. Contra a Alemanha, ele foi o principal responsável pelo resultado. Até porque não teve o Thiago Silva ao lado, para chamar a atenção. Como capitão, ele tinha a obrigação de assumir a responsabilidade de organizar o time dentro de campo. Mas fez justamente o contrário. Parecia um doidão. Embalado pela torcida, curtiu a sensação de se sentir um ídolo. Em vez de fazer o que devia e manter sua posição dentro de campo, quis bancar o herói, expondo a equipe e proporcionando aquele resultado tão elástico. Dos 7 gols, pelo menos 3 foram por falha dele. O Dante, coitado, se viu perdido tendo que marcar os alemães enquanto o David se aventurava lá na frente. Mas, ressalto, é muito bom jogador. Fez um golaço de falta nesta Copa.

Não nego que foi comovente o discurso dele, mas na hora de ter consciência tática, ele não se preocupou. Discurso ganha torcida, mas não constrói resultado positivo. Quis ser mais importante que os outros e caiu por seus próprios erros. Devia ter pensado nos brasileiros na hora que fez as cagadas, não depois, enquanto pedia desculpas, lagrimando.

No geral, o grupo era muito fraco. Só tínhamos zagueiros e volantes de qualidade. Nas laterais, uma lástima. Daniel Alves a Maicon disputando para ver quem acertaria o primeiro cruzamento. Acho que até agora estão tentando. Nenhum meia capaz de fazer a diferença. Oscar sumiu em campo. William surgiu não sei de onde só para combinar com o penteado do Marcelo, Dante e David Luiz. E, no ataque, nem se fala. Pra quem já teve no camisa 9 a esperança de muitos gols, ver o Fred na seleção é motivo de piada. Falando em piada, era o Jô que participava do Casseta e Planeta?

A esperança é que até 2018 uma nova geração surja e faça a diferença.

SOBRE O FELIPÃO

Claro que o Felipão tem culpa pela campanha realizada pelo Brasil, em casa. Mas a culpa não é só dele. Tanto é, que no ano passado, quando ele faturou a Copa das Confederações, que quase ninguém acreditava ser possível, caiu nos braços da torcida. Assumiu a seleção às vésperas, herdando uma bagunça deixada por Mano Menezes, e conseguiu formar um time bastante competitivo.

Com os jogadores que tinha, ele levou a seleção longe demais. Dentre 32 seleções, ficamos entre as quatro melhores. Fiasco foi a Itália, Espanha... não passaram nem da fase de grupos. Claro, foi vergonhoso tomar uma taca de 7 a 1. Mas, friamente, perder de 1, 5, ou 7, tem o mesmo efeito prático.

O Felipão está menos de dois anos no cargo. Fez o que pôde. Já está na hora de pensar diferente e parar de mudar de técnico como se troca de roupa. Já que estão falando tanto da Alemanha, seria bom pegar o exemplo. Há anos a seleção alemã não ganhava nada. E, mesmo assim, bancaram o mesmo técnico. O Felipão nunca teve essa chance. Nunca teve tempo para desenvolver seu trabalho. Sempre foi chamado às pressas. 

Para quem agora critica o Felipão, é bom lembrar um pouco da história. Quando ele assumiu pela primeira vez a seleção, em 2001, a realidade era parecida. Pegou a bomba deixada por Luxemburgo, Candinho e Leão. O Brasil estava perdido. Jogava mal e corria até o risco de ficar fora da Copa. No início não foi fácil, mas com as peças que tinha, Felipão soube engrossar o caldo.

O grupo era muito diferente do atual. Naquela época tínhamos vários craques. São Marcos, que salvou o time em diversas ocasiões; Lúcio, sempre com muita garra e determinação; Roque Júnior; Edmílson; Cafu, o capitão de última hora (Emerson foi cortado por lesão); Roberto Carlos, um dos melhores laterais do futebol mundial; Ronaldinho Gaúcho, fundamental na campanha e eternamente lembrado pelo jogo contra a Inglaterra; Denílson, o artista dos gramados; Rivaldo, o gênio da bola, importante em todas as partidas; Ronaldo, artilheiro da competição e autor dos gols que deram o título contra a Alemanha; além de Edílson, Gilberto Silva, Kléberson, Juninho Paulista e Luizão... aquele time dava show. O atual dá choro. 

Assim como em 2002, Felipão foi cabeça dura. Lá ele apostou no Ronaldo (que vinha de seguidas lesões, deixando de fora Romário, o melhor jogador na posição, na época). Desta vez ele bancou o Fred. No entanto, o tiro saiu pela culatra. Se lá no passado Ronaldo resolveu e, ao lado do Rivaldo, foi o principal jogador brasileiro; no presente, Fred não mostrou ser merecedor da vaga na seleção. De longe foi o pior jogador brasileiro. Com ele, o Felipão cavou sua própria cova. Talvez ele queria dar uma de Zagallo, esperando Fred desencantar, pra poder gritar: “vocês vão ter que me engolir”. Mas foi uma opção. E, quando envolve escolhas, nem sempre é possível acertar.

Ele é o último técnico campeão do mundo pelo Brasil e vai continuar sendo até, pelo menos, 2018. E, por pior que pareça, a colocação da seleção na Copa de 2014 foi melhor do que nas duas anteriores. Em 2006, Parreira, apesar de todos os craques que tinha à disposição, ficou apenas em 5º. Em 2010, Dunga levou o Brasil para o 6º lugar. Quer dizer, mesmo com a pior safra de jogadores das últimas décadas, Felipão ainda conseguiu ser melhor que seus antecessores. 

Não vejo como desastre ficar entre os quatro melhores.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

#GORDINHOQUECORRE

Um gordinho feliz

Eis que a minha jornada definitiva em busca de uns 10 kg a menos começou pra valer. Eu sei que já iniciei, por diversas vezes, outras jornadas que não deram resultado. Sempre fiquei pelo caminho. Mas prometi para meu gordinho interior que desta vez seria diferente. E espero, de verdade, que seja.

Beirando os 100 kg, já era hora de me preocupar, né? Ainda mais quando o cálculo de Índice de Massa Corporal (IMC) dá 31,3 (obesidade grau I) e aparece a seguinte mensagem: "você está muito acima de seu peso normal. É recomendável que você procure auxílio para evitar complicações relacionadas à obesidade. Consulte um médico ou nutricionista."

Na segunda-feira (30 de junho) eu consegui vencer minha preguiça e caminhei no Parque da Cidade. Não foi fácil, mas dei os primeiros passos em busca da desgordurização do meu ser. E, levando em consideração a linda paisagem que eu vi por lá, não vou desanimar tão cedo. Cada docinho... :)

É isso. Em breve serei um ex-gordo. Que Deus me ajude.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Iguais? Nem tanto

O que dizer sobre as cotas raciais instituídas no Brasil? O tema, mais uma vez, vem à tona por conta do Projeto de Lei que pretende reservar 20% das vagas de concursos públicos para negros e pardos.

Segundo a Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Não importa a cor da pele, não importa o sexo, não importa a conta bancária. No entanto, na prática, não é bem assim que as coisas funcionam. Para reparar – ou, ao menos, amenizar – o tratamento dado a grupos historicamente desprestigiados, busca-se criar mecanismos para que eles possam ter as mesmas oportunidades que os demais. Procura-se dar aos desiguais um tratamento desigual, para que as diferenças, ao longo do tempo, diminuam.

Se a intenção é boa, o resultado, nem tanto. Ao selecionar grupos específicos para que recebam benefícios, entra-se em um cenário delicado. Como é possível combater o racismo, por exemplo, se as próprias políticas públicas contribuem para que ele aconteça? É preciso bom senso. Até porque, ao separar a sociedade em grupos, sempre haverá os que se sentem menos prestigiados. Então, será que a todos esses seriam dadas regalias específicas?

Não acho lógico usar o argumento de dívida histórica com os negros por conta da escravidão para concorrência de cotas. Até porque, se for usado o mesmo argumento, teriam que ser concedidas cotas às mulheres, por conta de sempre estarem submetidas à vontade do homem ao longo da história. E, quem sabe, dar os mesmos privilégios aos homossexuais, que sempre sofreram escancarado preconceito... creio que não é por aí que as coisas devem caminhar.

As cotas raciais para o acesso à universidade e, agora, para concursos públicos, cria, na população, um sentimento de revolta. Dá a ideia de que, quem não tem a cor da pele preta, é mais inteligente do que quem tem. O que não tem a mínima base de verdade. Não é a cor da pele que vai indicar a capacidade intelectual, nem força de vontade, muito menos até qual degrau de sucesso profissional uma pessoa pode chegar.

O que a cor da pele interfere? Nada. Absolutamente nada. Vai me dizer que o filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa tem menos chances de ingressar em uma universidade, ou em um cargo público, por meio de concurso, do que um filho de nordestino, pobre, que trabalha o mês todo para ganhar um salário mínimo para o sustento da família? Creio que não.

Qual é a lógica? Como eu posso lutar contra o racismo, se o próprio sistema contribui para que ele aconteça? Ou vai dizer que as pessoas de fora desse grupo não se sentem menosprezadas? Cotas raciais privilegiam apenas um grupo, sem justificativa. Diferentemente das cotas sociais. Se a intenção é dar oportunidade a quem não teria chance de outra forma, que dê a quem é menos favorecido economicamente. Afinal, nem todo negro é pobre, e nem todo branco é rico. E, olha só, ao estimular as cotas sociais, automaticamente os brasileiros negros são incluídos, já que cerca de 70% dos negros são pobres.

É grave separar a população entre negros e não-negros. Ao cometer isso, todo o discurso de igualdade vai para o ralo, e as consequências podem ser perigosas. Já tivemos casos bisonhos no Brasil por conta dessa ‘seleção racial’ para cotas. Há alguns anos a Universidade de Brasília (UnB) julgou gêmeos idênticos de forma distinta. Um foi considerado negro, o outro não. Duas pessoas que nasceram e cresceram no mesmo ambiente, recebendo a mesma educação e oportunidades, mas o critério de seleção simplesmente pela cor traçou destino diferente para os dois (após recurso, a universidade avaliou o julgamento errado e também admitiu o outro irmão).

É preciso dar educação de qualidade para todos, negros ou não. É preciso dar oportunidades para todos, negros ou não. É preciso incluir todos na sociedade, negros ou não. Afinal, somos todos iguais, negros ou não. Não é pela cor da pele que eu vou julgar uma pessoa. É preciso trabalhar para consertar os erros, e não criar mecanismos para maquiá-los.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Reflexão do limão


Acredito que deveríamos ser igual a um limão. Discreto, com personalidade e com qualidades completamente únicas.

Estava em casa e senti sede. Lembrei que tinha uns limões na geladeira. Pensei em fazer um suco. Fui até a cozinha, abri a geladeira e comecei a procurar o limão. Virei, revirei, até que encontrei. Peguei o sobrevivente, velho, murcho e feinho, cortei ao meio e espremi no copo. Foi aí que me surgiu essa reflexão.

Se tem uma coisa que acho fundamental em casa é limão. Com ele dá pra fazer suco, temperar salada e ainda servir de acompanhante em diversas comidas. É super barato, pequeno, e dá um toque todo especial.
Sabia que existe pessoa-limão? Aquelas pessoas discretas, que ficam escondidinhas e muitas vezes são colocadas de lado. Não existem muitas delas, mas as poucas que existem fazem toda a diferença. Assim como o limão, uma única pessoa desse tipo é capaz de fazer muita coisa. 

Geralmente não aparece, mas quando entra em cena chama atenção, não pela sua aparência, mas pelo seu conteúdo. E quando abre a boca deixa um gosto azedo na boca dos outros, geralmente os que gostam se aparecer.  


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Histórias da Dona Márcia III

Troca de favores


- Jo, faz um favor pra mim?

- Qual, mãe?

- Compra uma Coquinha?

- Não.

- Poxa, Jo. Compra uma Coquinha pra mim.

- Só compro se a senhora ficar aqui, me fazendo companhia. Tô com saudade da senhora, quase não te vejo mais.


Quando viro as costas, Dona Márcia sumiu.
Minutos depois, ela volta.


- Não acredito! Nem pra ganhar Coca a senhora quer me fazer companhia?

- Que que eu vou ficar fazendo aqui?

- Podemos ficar conversando.

- Toda vez que eu te chamo para assistir às minhas séries, você nunca vai.

- E por que eu que tenho que fazer um programa que a senhora gosta? Não podemos fazer algo bom pros dois?

- Melhor ver minhas séries do que ver o joguinho de vocês. Credo, não sei como vocês conseguem jogar aquilo.

- Maas é tão legal! A senhora voltou aqui pra fazer uma pizza?

- Se eu fizer pizza você compra a Coca?

- Claro que compro!

- Oba! Deixa eu ver se tem queijo – dá uma olhada na geladeira – yeeeees, tem queijo! Deixa eu ver se tem molho – dá uma olhada no armário – yeeeeees, tem molho! Pode ir comprar a Coca.

- Liiiipe, você não ia lá comprar uma Coca pra mãe? – gritei para meu irmão, que estava no quarto.

- Não! – respondeu.

Putz.


Mas no final, o Lipe, como prova do bom filho que é, foi comprar uma Coca. Uma não, comprou duas Cocas pra mamãe matar a vontade. E todos nós nos deliciamos com as épicas pizzas da Dona Márcia.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Último suspiro

[Editorial do Jornal de Santarém e Baixo Amazonas, na edição de 6 a 12 de setembro]


Hoje, mais um ciclo, para mim, chega ao fim. Depois de 120 edições do Jornal de Santarém e Baixo Amazonas, finalmente o nome correspondente ao cargo de ‘Editor-chefe’, aqui ao lado, no expediente, será trocado. Então eu acho que vale a pena curtir este último suspiro de vida editorial para contar um pouco sobre tudo o que vivi nesta casa.
Sempre achei interessante como a vida trilha os nossos caminhos. Quando nos esforçamos, nem que seja um pouquinho, sempre conseguimos realizar os nossos sonhos. Ou, pelo menos, parte deles.
Em 2011, pouco tempo após a minha formatura, fui procurado pelo diretor do JSBA para assumir a vaga de editor-chefe que, no momento, estava precisando de um ocupante. No final da tarde de 29 de abril de 2011, uma terça-feira, foi quando eu recebi a ligação do jornal, informando-me sobre a vaga. No dia seguinte, eu sentei para conversar sobre o trabalho com o diretor do jornal. Na verdade nem foi uma conversa. Durou uns três minutos. Nem apresentei currículo, nem nada.
- Olha, o salário é esse aqui, mais isso aqui. Vai querer? – disse ele, assim, bem direto.
Falei que pensaria no caso e depois ligaria para dar a minha resposta. Saí do jornal extasiado de tanta alegria. Mais do que um bom salário, eu teria a grande chance de realizar um dos meus inúmeros sonhos: ser editor. Desde os tempos de faculdade sempre gostei mais de escrever do que falar. Nunca fui muito amigo do Rádio ou Telejornalismo, mas, sim, do Impresso e Webjornalismo. E ser editor-chefe do jornal mais tradicional de Santarém não era uma oportunidade que bateria à minha porta outra vez.
Cheguei em casa, contei a novidade à minha família, e, à noite, liguei para o diretor do jornal.
- Boa noite. Só estou ligando para dizer que vou ficar com a vaga. Amanhã passo lá no jornal pra gente acertar os detalhes.
No outro dia, como combinado, fui até a empresa. Quando cheguei, o diretor não estava. A secretária pediu para eu esperar. Após alguns minutos, ela retornou, perguntando se eu tinha experiência como editor.
- Não... sou recém-formado. Tenho apenas uma noção do que fazer.
Ela pediu para eu acompanha-la até a redação. Quando entramos, ela me apresentou a equipe e disse:
- Esse aqui é o seu computador. Pode fechar o jornal, ele circula amanhã.
Esse dia, 31 de abril de 2011, quinta-feira, nunca sairá da minha memória. Foi o dia mais tenso e intenso da minha vida. Eu, que nunca havia passado mais de três meses em um mesmo trabalho, que não tinha ideia de como fechar um jornal, enfrentava meu maior leão profissionalmente.
- Mas eu só vim para falar que vou ficar com o emprego, não vim para trabalhar! – tentei, em vão, argumentar.
Com a ajuda daquela equipe, e, principalmente de Deus, no final do dia o jornal estava pronto. Apesar das feridas causadas pelo feroz leão, no final, eu consegui matá-lo. Admito que pensei em desistir... mas continuei até hoje matando o meu leão de cada dia, e convivendo com as quintas-feiras de cão.
Trabalhar neste jornal foi uma das coisas mais importantes que fiz. E eu só tenho a agradecer a Deus por todo o tempo que passei aqui, e por todos que contribuíram para que o meu trabalho ficasse mais fácil, quer dizer, menos difícil. Aos olhos de quem está de fora, de você leitor, pode parecer que o nosso trabalho seja moleza. Mas para quem está do lado de cá, as coisas não são tão moles assim.
Fazer jornalismo exige muito mais do que saber contar uma boa história. Sempre penso o jornalismo como um grande pilar da sociedade, como uma inesgotável fonte em busca da verdade, visando sempre – como diz o juramento dos jornalistas - um futuro mais justo e mais digno para todos os cidadãos. Em muitos casos, a imprensa é a única aliada da população. É nela que a sociedade vê a esperança de alguma melhora.
Agora imagine a responsabilidade que um editor-chefe tem. É ele o responsável por tudo o que sai em um jornal. Se aparecer algum erro, alguma informação trocada, alguma acusação infundada, alguma mentira deslavada, a culpa é dele. É ele quem tem a missão de ser o capitão do navio, principalmente quando o perigo de um naufrágio está próximo.
Trabalhar neste jornal fez de mim uma pessoa muito melhor. Comecei a expandir horizontes que nunca havia vislumbrado, a analisar ângulos quase invisíveis. Exercitei a minha paciência, e, também, tive a oportunidade de sentir na pele o peso de uma liderança. E isso, talvez, tenha sido o meu maior aprendizado. Comandar uma equipe é muito mais complexo do que parece, principalmente quando você tem metas muito rígidas a serem alcançadas. E se não forem, a bomba cairá em suas mãos.
Sempre procurei ser amigo de quem dividia a labuta comigo, orientando, incentivando e sempre disposto ajudar. É claro que nem sempre foi possível, mas sempre procurei dar o meu melhor. Às vezes, quando se estabelece uma relação muito próxima, você começa a falhar em um dos seus papéis, o de cobrar. Puxões de orelhas são necessários. Todo mundo, vez ou outra, precisa de uma chamada de atenção quando anda meio distraído com suas obrigações. Minha pior experiência foi ter que demitir um dos integrantes da nossa equipe. Passei vários dias me preparando para isso, e outros tantos para tentar superar isso. Foi a sensação mais desumana que vivi, até porque, na minha visão, não foi um decisão muito justa. Mas, como eu digo, bom é ser patrão, chefe não. Chefe sempre está num campo de batalha, com dos exércitos em constante guerra entre ele, patrão e empregados.
Para terminar – ‘o substituto’ já deve estar desesperado com a minha demora em escrever este texto - queria agradecer a todos com quem eu tive a oportunidade de dividir experiências. Por menores que tenham sido, para mim significaram muito. Primeiramente à minha família, que sempre me deu muita força para continuar firme, aos amigos, pelo companheirismo, e a quem hoje não se encontra ao meu lado, mas que serei eternamente grato por tudo que fez. À equipe do JSBA por todo apoio, paciência e dedicação. À diretoria do jornal pela confiança, por permitir meu horário flexível e me dar o sábado livre e, principalmente, pelos pagamentos sempre em dia. E quero agradecer profundamente a você, leitor, que por tanto tempo me deu a oportunidade de estar ao seu lado, contando novas histórias, relatando fatos importantes, mostrando a realidade, fosse alegre ou não. Obrigado pela companhia e por sempre relevar as minhas falhas.
Não sei como será a partir da próxima semana, quando eu não precisar mais acordar cedo, quase de madrugada (lá pelas 9h), para vir trabalhar. Quando eu não tiver com quem passar o dia dando risadas das coisas mais inúteis possíveis. Quando não tiver uma garrafa de café a dois metros da minha mesa, e quando não tiver alguém para pedir que pegue o café pra mim, porque está longe. Quando não tiver que passar o dia ouvindo Bruno e Marrone, Eduardo Costa ou Júlio Nascimento. Quando eu não tiver alguém para contar as minhas histórias, e ouvir as histórias desse alguém. Quando eu não tiver que fazer vaquinha pra comprar uma Coca, ou colocar umas moedinhas no porquinho da confraternização. Quando não sentir vontade de esganar alguém... enfim, acho que ficarei bem, apesar da saudade que sentirei de todos, por ter convivido e dividido tantos bons momentos. Seu Júlio, Jô, Lorena e Seu João, com quem passei mais tempo, obrigado por tudo. Aos outros, com quem a convivência foi menor, e com quem aprendi tantas coisas, desejo sempre sucesso. Continuem forte na luta. Ao Ben, meu profundo agradecimento por ter aceitado o desafio. Ao Raimundinho, pelas missões secretas realizadas. E, claro, à Rosa, por fornecer todas as manhãs o nosso combustível (café). Confesso que eu mais bebia do que trabalhava. E claro, a quem já passou por aqui e, mais do que grandes profissionais, se mostraram grandes amigos. Carregarei vocês para sempre em meu coração. Aos correspondentes de outros municípios, obrigado pelo companheirismo e empenho, apesar de sempre darem bastante trabalho, e entregarem o material quando o deadline já tinha ido pro espaço...
Como este é o meu último editorial, não queria parar de escrever, para que este momento não tivesse fim. Mas o meu editor já está meio impaciente, com a barriga roncando de tanta fome, e não acho que seja justo com ele, afinal já estive na pele dele, e sei que ele já deve ter pensado em 10 maneiras diferentes de como me matar. E como eu não quero que isso aconteça, vou ficar por aqui.
Mais uma vez, muito obrigado! Forte abraço.

Super propaganda do Jornal.

Um dia normal de trabalho...

Outro dia normal de trabalho...

Vaquinha pra cortar a juba

Homenagem do Banco da Amazônia

Homenagem do Corpo de Bombeiros 

Ensaio Fotográfico I

Ensaio Fotográfico II
Ensaio Fotográfico III

Protesto #ogiganteacordou

Jogo do Brasil na Copa das Confederações

Churrasco com o povo do jornal

Outro povo do jornal

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Histórias da Dona Márcia II

Lugar na fila




Este ano o Seu Luiz passou o Dia dos Pais distante de nós. Ele teve que viajar bem no dia 11 de agosto. Por ser uma data tão especial, não podíamos deixa-lo ir sem que ganhasse algum presentinho.
Então, na véspera, eu, meu irmão e minha mãe fomos à caça de algo do agrado do Seu Luizão (o que não é tão simples).
Acabamos chegando à Yamada. Estava uma loucura. Pior que a bagunça do local, com as coisas todas jogadas pelo chão, era o nível da beleza humana encontrada ali. Sem exagerar, parecia que estávamos no show do Zezé Di Camargo e Luciano. Filas gigantescas de gente feia. E bote feia nisso.
Eu e meu irmão escolhemos os presentes que daríamos ao véinho e, depois, tentamos localizar a Dona Márcia. Após alguns instantes, ela aparece.
- E aí, mãe, bora?!
- Já escolheram os presentes?
- Já. A senhora também vai dar presente pro pai?
- Não. Esse aqui é pra mim... – disse, sorrindo com os olhos.
- O negócio é encarar essa fila.
- Não precisa, Jo, eu tenho um lugar naquela outra fila.
- Tem?! Então bora lá. Qual é o lugar da senhora?
Ela prontamente respondeu:
- Tenho. Eu sou a última da fila.
Eu e meu irmão não aguentamos. Caímos na gargalhada, no meio de todo mundo, naquela loja lotada.
- Mãããe, quer matar a gente de rir?! Se a senhora é a última, a senhora não tem lugar. Melhor a gente ficar nessa aqui mesmo.
- É claro que eu tenho. Eu tô atrás daquela moça morena, magrinha, da blusa azul, que é a última da fila. Lá que é o meu lugar.
Bem que eu e meu irmão nos esforçamos para enxergar a tal blusa azul, mas sabe como é, o daltonismo de vez em quando nos atrapalha.
Acabamos ficando na fila em que já estávamos, apesar de o lugar maravilhoso que a mamãe tinha conseguido...
Desta vez a história aqui relatada não precisou da ajuda da minha imaginação. Então, Dona Márcia, a sra. não tem motivos para ficar brava comigo. Afinal, eu te amo!

Dona Márcia em sua passagem pelo Caribe

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Histórias da Dona Márcia I

Pizza de vento


Passava um pouco da meia noite quando meu irmão resolveu mandar uma mensagem para nossa mãe.

- Véinha, prepara uma pizza aí que a gente tá chegando.

Antes de irmos para casa, fomos a um mercadinho comprar refrigerante para acompanhar.

Ao chegar em casa, encontramos a cozinha vazia. E, o pior, sem sinal da pizza.

- Mãe!!! – gritamos, carinhosamente.

Após alguns instantes, escutamos a Dona Márcia descendo as escadas.

- Recebeu o nosso recado?

- Recebi... mas achei que era brincadeira.

- Mãe, não se brinca com fome.

- Se quiserem, eu faço agora, bem rapidinho...

- Claro que a gente quer. Compramos até refrigerante.

3 minutos depois.

- Não precisa colocar calabresa, né?

- Não, mãe. O que der menos trabalho pra senhora.

2 minutos depois.

- Vão querer azeitona? Tem na geladeira, mas já tá acabando.

- Não, mãe. Pode ser sem azeitona.

1 minuto depois.

- Tem pouco queijo... precisa colocar?

- Pow, mãe. E existe pizza sem queijo? Então nem precisa colocar nada, a gente come só a massa.

- Sério? Que bom. Já ia falar que não tinha molho mesmo...



Antes que eu receba umas boas palmadas da minha amada mãe, vou logo alertando que, talvez, nem todos os fatos da história narrada acima sejam verídicos. Minha imaginação pode ter dado outro rumo aos acontecimentos...

Já posso sair do castigo, mamãe?

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Mais um dia perdido


Quando acordo já está passando das 17h. Abro meus olhos e vejo, pela TV, Corinthians e São Paulo empatando em 0 a 0. Mexo-me na cama e sinto um objeto nas minhas costas. É o meu celular. Dou uma olhada nele, confiro as novidades. Nada além de mensagens de ‘bom dia’. Minha cabeça está latejando. Minha garganta, seca.

Levanto, vou até a cozinha. Tomo um gole de café, o resto da caneca eu jogo fora. Já está frio. Abro as panelas em cima do fogão. Hoje o almoço foi macarrão com frango. Estou sem fome, mas mesmo assim vou comer. Não preciso estar com fome para comer macarrão.

Vou tomar banho. Depois, ligo meu PC, tenho um TCC para terminar. Pra falar a verdade a minha cabeça começa a doer ainda mais só de pensar em mexer nesse projeto. Queria que tudo isso acabasse logo e eu me visse livre desse peso. O que me anima é pensar que falta apenas um mês para que tudo isso chegue ao fim. Mais um mês...

Abro meu email. Nada de importante. Abro meu Facebook. Nada de interessante. Abro meu TCC. Nada de estimulante. Olho para o lado. Vejo A AUTOESTRADA, um livro que comecei a ler dias atrás. Olho pra tela do meu DELL. Tenho que terminar o TCC, tenho que terminar... pego o livro. Procuro a página em que parei. É a 128. Não cheguei nem na metade da autoestrada. Começo a ler.

Ouço passos na escada. Em seguida, aparece a minha mãe. Ela vê a minha caneca ao lado da cafeteira e pergunta se eu quero que ela passe um café. Com toda a certeza.

Leio 19 páginas. Não consigo continuar. Estou com um tédio mortal. Deixo o livro de lado. Volto a atenção para o PC. Vou de aba em aba à procura de alguma coisa que me distraia. Coloco uma música para tocar. Encho minha caneca de café pra acompanhar.

Pego meu celular. Respondo algumas mensagens. Não estou com muito ânimo pra conversar. Deixo meu celular de lado. Encho minha caneca, novamente.

Retomo meu TCC. Faço algumas modificações. Mudo isso, mudo aquilo. Não tô com cabeça pra isso. Abando o projeto mais uma vez. E encho minha caneca, outra vez.

Dou uma olhada no Facebook, curto umas postagens interessantes – uma raridade. Converso, pelo bate papo, com duas amigas que moram fora. Abro o WORD. Tento começar a escrever um texto. Digito algumas palavras. Desisto. Volto ao Face, continuo a conversa. Pego a caneca e coloco mais um gole de café.

Minha mãe esquenta a janta. Como moderadamente.

Volto ao PC. Abro outra página no WORD. Tento escrever outro texto. Digito algumas frases, mas não consigo continuar. Que tédio! Desisto da missão.

Tomo outro banho. Volto ao PC. Começo a assistir uma série. Dois minutos. Esse é o tempo que eu assisto. Pego meu celular. Abro o WHATSAPP, não puxo conversa com ninguém. Deixo meu celular de lado. Olho pela janela, está uma escuridão sem fim. Já passa da meia noite.

Abro mais uma vez o WORD. Começo a escrever este texto. O nome já diz tudo: MAIS UM DIA PERDIDO. Hoje eu não fiz nada de interessante (talvez este texto), não conheci ninguém diferente, nem saí de casa! Simplesmente desperdicei um dia de vida à toa. Deixei o tédio me consumir. Isso não vai mais acontecer.

Abro o Face, dou uma olhada. Fecho a página. Pego o celular, nenhuma mensagem nova. Vou à cozinha, abro os armários, mas o dia está tão ruim que não encontro nada. Volto ao PC. 

Posto o texto.

Tédio, vai embora, por favor... 

sábado, 27 de julho de 2013

É, amigo... o tempo passa


Julho sempre foi sinônimo de férias. Sempre, até a gente se tornar grande e assumir responsabilidades que não permitem mais que isso aconteça.

Quinta-feira, quando eu estava voltando para casa, na hora do almoço, comecei a lembrar do tempo em que eu era estudante. É engraçado como a gente consegue lembrar cada detalhe que, na época, parecia insuportável. Apesar de sempre ter sido um bom aluno, nunca gostei muito de escola. Nas primeiras séries eu ia chorando. Só ficava na sala se, através da janela, eu visse a minha mãe. O tempo foi passando, fui me acostumando à ideia, mas, mesmo assim, não nutria grandes amores pela escola. Acho que até por isso eu me esforçava tanto para conseguir boas notas e passar direto. Seria tortura demais ter que perder um bom tempo das minhas férias preso em uma sala de aula.

Até hoje eu sei exatamente o cheiro que tinha o prédio em que eu estudei a 4ª série. De vez em quando me vem à lembrança tudo o que eu passei naquele local. Lembro que eu sempre estudava muito para as provas. E quando achava que não ia conseguir tirar uma boa nota, caía no choro. Não raramente, eu passava a noite chorando. Mas isso não durou muito tempo. Lá pela 6ª série eu tirei a minha primeira nota vermelha. Em Português, matéria que eu sempre prestei atenção. Depois daí eu não fui o mesmo. É claro que continuei sendo um bom aluno, no entanto eu comecei a perceber que havia coisas mais interessantes na escola do que só estudar.

A minha grande mudança foi quando cheguei ao ensino médio. Lá, sim, eu passei por uma revolução. Deixei de ser aquele moleque do sítio, todo quietinho, com o cabelo lambido de vaca, para ser alguém mais... autêntico.

Ao chegar à universidade eu passei por outro ‘upgrade’. Ali eu comecei a conviver com pessoas das mais distintas realidades. Era uma mistura de gente jovem com gente experiente. De gente frustrada com gente sonhadora. Um recorte de mundo que me fez crescer e amadurecer. Lá, também, sempre fui um bom aluno. Só depois da metade do curso que eu dei uma relaxada e acabei não me dedicando tanto quanto deveria. Mas, valeu.

Depois que a gente sai da universidade, tudo o que deseja é conseguir o primeiro emprego. A ideia de ser independente, de começar a construir a própria vida, de poder ter os próprios recursos, acaba invadindo a gente de tal maneira que fica difícil pensar em outra coisa. Você já começa a pensar em comprar um carro, a trocar de celular, a sair de casa... e esse ciclo nunca vai parar. A partir do momento em que você der o primeiro passo, vai ver que as circunstâncias vão exigir que você dê o segundo, o terceiro... quando se der conta, já vai estar lá no meio do caminho, apenas sobrevivendo, perdido em meio a tantos pensamentos, e sem saber o que fazer.

É aí que você vai tentar se lembrar de quem você era, dos sonhos que tinha, e de como chegou até ali... é aí que você, num dia de chuva, quando estiver voltando para casa, vai se recordar do tempo em que era apenas uma criança. Em que o mundo era todo colorido e grande o suficiente para abrigar todos os seus sonhos. É aí que você vai se tocar que julho não significa mais nada para você. Que você já não tem aquela liberdade de chutar os seus problemas como se fossem uma bola de futebol, ou ver o seu maior desejo ganhar vida no céu, como se fosse aquela pipa que por tanto tempo te acompanhou... é aí que alguém vai virar para você, com os olhos cheios de lágrima, e dizer: “é, amigo... o tempo passa”.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Perdemos a essência


No Facebook:
- Tão reclamando do dinheiro que o governo está gastando com o Papa? Não sei porque... afinal, a maioria da população é Católica, nada mais justo do que gastar esse dinheiro.

- Sendo assim, por que reclamaram do dinheiro gasto com a Copa? A maioria dos brasileiros é apaixonada por futebol, logo, nada mais justo do que gastar esse dinheiro.
- Lá vai... o que que tão falando do Papa? Porque tudo o que os pastores querem é se aproveitar dos fiéis e promover a sua imagem. Só andam de carrões, jatinhos e se hospedam em hotéis cinco estrelas. Olha só o caso do Feliciano, já quer ser até presidente da República...
- Querem falar de dinheiro, é isso mesmo?! Rá rá. Por acaso não é a Igreja Católica a mais rica do mundo? Ou já se esqueceram da história? Pois eu, não. Sempre se aproveitou do povo para enriquecer... não é à toa que até hoje ostenta tanto luxo e poder. Já enganaram as pessoas por muito tempo, mas agora o jogo está mudando. Ano após ano o número de fiéis está diminuindo... menos fiéis, menos poder, menos dinheiro...

- E a cada dia os pastores estão mais ricos, mais poderosos... tudo às custas dos fiéis. Prometendo milagres, curas, libertações. O que tem de pastor pilantra... O que tem de pastor cometendo adultério...
- E o que tem de padre pedófilo... e o que tem de padre gay...
- E o que tem de filho de pastor perdido, drogado, caloteiro...
E assim vai...

O amor de Deus é a única coisa que nos faz viver. Por amor a nós, pecadores, Ele deu o seu único filho para morrer naquela cruz. Ele não nos separou em grupos. Não fez distinção entre Católicos, Evangélicos, Espíritas, ateus... Ele não escolheu a quem dar a chance de uma nova vida. Ele deu a mesma oportunidade a todos. Aos que acreditavam nEle, aos que xingavam Ele, aos que negavam Ele. Todos tiveram a sua chance. Ladrões, assassinos e todo tipo de gente.

Por isso eu acho incrível a capacidade que nós temos de, nos dias atuais, pegar a Palavra de Deus e jogar no lixo. Não fazer o que Ele nos ensinou, ou pior, fazer tudo aquilo que Ele disse para não fazermos. Deus não é Católico, Deus não é evangélico, Deus não é espírita. Deus é Deus. Por que, então, em vez de fazer a missão que Ele nos deixou, perdemos tempo semeando a discórdia entre irmãos, numa disputa sem-fim em busca de poder e reafirmação? Por que sempre queremos ser um melhor que o outro, se, diante de Deus, somos todos iguais?

De uns tempos para cá essa situação ‘religiosa’ está se tornando um verdadeiro pé no saco. Católicos de um lado, Evangélicos de outro. E no meio dos dois, uma multidão de gente. Muitos que abrem a boca não porque tenham alguma mensagem interessante para falar, mas porque não sabem ouvir. A vinda do Papa ao Brasil, assim como o aumento das passagens em R$ 0,20 lá em São Paulo, foi a gota d’água, pra mim.

Já tá na hora de acabar com esse joguinho besta entre religiões. Aliás, já tá na hora de pararmos de pensar que a religião nos garante alguma coisa. Na verdade, a principal coisa que ela faz é nos cegar. Cegar dos princípios de Deus, cegar do amor ao próximo, cegar da verdade.

Religião não salva, quem salva é Deus. Não temos que fazer o que o pastor A falou, ou o que o padre B disse. Temos que seguir o que Jesus nos ensinou.

Por que não paramos de falar um pouco e prestamos mais atenção na mensagem que o Papa está transmitindo? Sim, por que não? E por que não podemos refletir no que o pastor tem a dizer, antes de condenarmos todos, como sendo iguais?

É que claro que as diferenças vão existir. E é até bom que existam. Na diversidade aparece a verdade. Até porque dentro dos semelhantes, há os diferentes. Dentro das doutrinas evangélicas, há inúmeros ensinamentos que se diferem. Batistas pensam diferente dos Assembleianos, que agem diferente dos Presbiterianos. E assim vai. Não adianta juntar tudo e dizer que são todos iguais.
Respeito é o mínimo que devemos ter. Respeito com todos, sem exceção.

O tempo em que perdemos trocando farpas uns com os outros, poderíamos estar investindo naquele morador de rua, solitário, precisando de uma companhia. Ou quem sabe naquela jovem mãe solteira que está precisando de ajuda, mas que a Igreja virou às costas pra ela. Ou naquele idoso que não tem ninguém para conversar, apenas passa seus dias à espera da morte. Ou, quem sabe, naquele jovem enfiado nas drogas...

Jesus, mesmo sabendo das piores coisas das pessoas, ainda assim Ele as amava. Ele via o fio de vida que estava escondido em cada uma delas. Ele não julgava, Ele não excluía. Ele trazia para perto de si e torna-se amigo delas. “Bonito é a amizade que nasce a partir da precariedade”, disse alguém, certa vez.

Jesus chocou o mundo religioso da sua época. Ele deu o exemplo. Acho que já está na hora de seguir...

Bom, essa é a minha opinião.

Enquanto isso, no Face...
- Vocês ouviram? O Papa é contra o casamento gay. Isso mesmo, ele é contra! Rá rá rá. Não vão falar nada? Não vão chamá-lo de homofóbico? Hein, vão não? Sabe como é... o Feliciano disse a mesma e quase foi apedrejado...

terça-feira, 23 de julho de 2013

Nunca se falou tanta besteira

 
Quanto mais o tempo passa, mais as pessoas falam, mas menos elas dizem. Nunca fui um grande fã do Facebook, mas também nunca deixei de usá-lo (quer dizer, teve uma vez sim, mas não fiquei mais do que seis meses longe). Entendo que tudo tem a sua razão de existir. O Facebook é uma ótima ferramenta, não posso negar, desde que seja usado de forma apropriada. Assim como uma espingarda. Ou uma urna eletrônica. Não há distinção entre eles. Ao mesmo tempo em que podem ser uma coisa boa, também podem não ser. Tudo vai depender do modo como se opera a coisa. Aí é que a questão fica um pouco mais complicada. Cada cabeça, uma sentença, não é? Cada um julga as suas ações como quiser. O que é certo para mim, pode não ser para você.

Bom, por hora vou esquecer as armas e as urnas. Quero escrever sobre uma coisa que há tempos está entalada em minha garganta, mas que eu engolia em vez de por tudo para fora. Quero refletir sobre a capacidade de perder tempo com besteiras.

Um belo exemplo é você, que está perdendo preciosos segundo de vida lendo as asneiras que eu escrevo. 

O Facebook é o celeiro da idiotice. Nunca vi um lugar para reunir tanta gente à toa para falar de tanta coisa desinteressante. Até por isso reza a lenda que quem tem ocupações no mundo real, dificilmente perde seu tempo no Face. É só observar. Quem tem uma vida real, quem trabalha duro, quem rala nos estudos, quem se dedica a alguma coisa, raramente vai estar ‘on’ para colocar as fofocas em dia, ou para compartilhar o pensamento de A ou B. (Eu sei que você é exceção, tá? Este parágrafo foi uma mera coincidência).

Com os protestos surgidos no último mês, muito se falou do poder das redes sociais para mobilizar e unir as pessoas em torno de uma mesma causa. Diziam que a internet seria o grande trunfo desta geração que teria armas suficientes para bater de frente com o sistema e com as grandes mídias. No entanto, tenho um pensamento bem diferente desse. Acredito que com o avanço da internet até os confins da terra, abrangendo uma enorme fatia da população, o jogo de manipulação se tornou muito mais fácil.

Tanto é que qualquer besteira postada por algum perfil influente, ganha destaque internacional, com milhares de compartilhamentos e curtidas. Falando a verdade, menos de 10% dos usuários do Facebook tem neurônios suficientes para refletir sobre a onda em que navegam. É difícil você encontrar um ser pensante nesse mundo virtual. O que tem de sobra são os reprodutores dos hits do momento. É só algum assunto estar no auge que a boiada segue fielmente até o matadouro sem se dar conta da realidade.

Na época dos protestos que percorreram o Brasil, o Facebbok, o Twitter e o Instagram ficaram uma beleza. Todo mundo compartilhou #foradilma #ogiganteacordou #chupafeliciano... endeusaram  Joaquim Barbosa, colocaram os problemas centenários do país na costa da Copa do Mundo... e assim foi. Tempos depois, os mesmos que embarcaram nessa viagem sem destino, apenas levados pelo impulso de estar na moda, estavam desmentindo tudo aquilo que disseram. A partir desse momento, Joaquim Barbosa não era o homem íntegro de dias atrás. Não era mais o candidato ideal para assumir a presidência. O que mudou? Bastou algumas notícias circularem pela rede e uns babacas que nem sabem escrever o próprio nome compartilharem aquilo para que a ovelha se transformasse em lobo?

O que custa pensar? Por que o ser humano reluta tanto em usar o cérebro? Será que o Globo Repórter explica isso? (Que sem graça isso, eu sei).

Fato é que não tem coisa pior para perder o nosso tempo do que usar o Facebook. A cada dia o nível piora. Piora tanto que você fica até com medo de postar aquilo que acredita ser verdade, porque 90% dos usuários ali dançam conforme a música. Não adianta querem abrir os olhos dos outros. O melhor que temos a fazer é fechar a nossa boca.

Quando o papo é política, a situação foge ao controle. Dificilmente você vai ver alguém que veste vermelho, elogiar alguma ação dos que usam o amarelo como cor predominante. E vice e versa. E os que só falam mal dos dois é, porque, queriam estar no lugar deles e fazer as mesmas coisas que eles.

Não é à toa que política e religião não se discute. E isso acontece porque as pessoas estão tão envolvidas em suas causas que chega um momento em que deixam de enxergar a realidade. Simplesmente ficam cegas. E quando surge algo do qual sabem que está errado, usam dos mais diversos artifícios para tentar encobri-lo. Acham que são os melhores, ofendem os que julgam ser piores. Tudo para manter sua posição, ampliar seu território e adquirir mais poder.

Seja por má intenção, ou por ingenuidade, não há como conversar com alguém que não se permite abrir a outras possibilidades, que não consegue, ou não quer ver as coisas que o cerca.

E, como manda a regra, deixe que morram pela boca. Quem muito fala, nada tem a dizer. Eu, por exemplo, escrevi mais de 5 mil toques, e não disse o que queria dizer. Me enrolei lá pelo meio e saiu essa beleza aí. Mas, quem sabe, um dia eu aprenda.
 

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Qual a minha cor?

Hoje eu fui ao Ministério do Trabalho e Emprego para solicitar a segunda via da minha Carteira de Trabalho já que a primeira, de uma forma mágica, sumiu da minha casa acompanhada de outros importantes documentos. Aguardei a minha vez, apresentei o que foi solicitado e, já no final do atendimento, a senhora (muito simpática, por sinal) perguntou:

- Qual a sua cor.

Eu olhei para os meus braços, refleti um pouco e disse:

- Não sei. Que cor a senhora acha que eu tenho?

- Não posso te ajudar. Você que deve dizer qual a cor que você se considera, não posso interferir – respondeu a senhora.

Pensei mais um pouco...

- Olha... não sei... tô meio amarelado... precisando de um sol... acho que sou amarelo... é, acho que é isso... sou amarelo.

- Tudo bem, vou colocar ‘branco’ aqui.

É claro que eu não disse para a senhora que eu sou daltônico e, por isso, precisava de uma ajudinha...

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Na hora do almoço, em casa, contei o episódio aos meus pais e ao meu irmão. Discutimos o assunto, mas não chegamos a uma conclusão. Afinal cada um tem a sua verdade e não abre mão. Eu estava insatisfeito com o fato de ser considerado branco, por não ser literalmente branco. Nem o meu sorriso é branco, é meio amarelado, igual a mim.

Fiquei com isso (e estou até agora) na cabeça. Procurei o amigo Google para ver se ele me tirava a dúvida. E, por meio dele, encontrei a definição de cores estabelecida e utilizada pelo IBGE. No entanto, a definição é tão sucinta que sempre vai me ressuscitar a dúvida. A explicação é a seguinte:

“COR OU RAÇA É: Leia as opções de cor ou raça para a pessoa e considere aquela que for a declarada. Caso a declaração não corresponda a uma das alternativas enunciadas no quesito, esclareça as opções para que a pessoa se classifique na que julgar mais adequada. Assinale a quadrícula, conforme o caso:
1 - BRANCA - para a pessoa que se enquadrar como branca;
2 - PRETA - para a pessoa que se enquadrar como preta;
3 - PARDA - para a pessoa que se enquadrar como parda ou se declarar mulata, cabocla, cafuza, mameluca ou mestiça;
4 - AMARELA - para a pessoa que se enquadrar como amarela;
5 - INDÍGENA - para a pessoa que se enquadrar como indígena ou se declarar índia;
Esclareça à pessoa, quando necessário, que a classificação amarela não se refere à pessoa que tenha a pela amarelada por sofrer de moléstia como empaludismo, malária, amarelão, etc. A classificação Indígena aplica-se aos que vivem em aldeamento como, também, aos indígenas que vivem fora do aldeamento.”
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Li. Adiantou de nada. É aquela coisa, eu sou da cor que me considerar, mas se eu me considerar de uma cor diferente da que sou, não posso ser considerado da cor que eu acho que sou.

Bom, vou tentar esclarecer a minha dúvida. Deixa eu perguntar para minha colega de trabalho.

- Hei, Fulana, qual é a minha cor?
- Você é branco, pô. Tem nem o que discutir.
- Tem certeza? Não sou meio amarelado?
- Tá doido?! Você é branco. Só tem branco, pardo e preto. Pardo e preto você não é.
- Qual a sua cor?
- Eu sou parda.
- Tá bem... obrigado.

Passou algum tempo. Continuei refletindo sobre isso.

- Hei, Beltrana, e o Ronaldo Fenômeno, qual a cor dele?
- Branco.
- Branco?!
- É.
- Mas ele tem cabelo de preto.
- Então quer dizer que se um negão tiver o cabelo loiro ele vai ser branco?!
- Não sei... não quero saber do negão. Só quero saber qual a minha cor.

Passou mais algum tempo...

- Hei, Cicrana, qual a minha cor?