sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Ser professor

Este foi o meu primeiro Dia do Professor. E espero que seja o primeiro de muitos. Lembro que desde pequeno eu gostava de brincar de dar aula. Fazia portas e paredes de quadro. E, mesmo não sabendo identificar as cores, sempre vivia cheio de gizes coloridos. Meus alunos eram imaginários, mas os conteúdos, não. Era o meu sistema de estudar para as provas. Eu passava a tarde brincando de ensinar as operações da matemática, interpretação de texto, os pontos cardeais, a chegada dos portugueses ao Brasil e tantas outras coisas... Parece que a estratégia deu certo (se não me falha a memória, tive apenas uma nota vermelha durante minha vida estudantil).

Ser professor é muito mais do que apenas repassar os ensinamentos escritos em um livro ou atribuir notas mediante o desempenho dos alunos. É compreender as dinâmicas que envolvem o universo dos estudantes. Notar as dificuldades que cada um apresenta, e a forma que essa resistência ao novo é exteriorizada, seja pelo grande número de faltas, por sempre chegar atrasado ou pela apatia durante as atividades propostas.

A missão do professor é fazer o diagnóstico precoce corretamente e realizar o tratamento capaz de reverter essa situação. Mas, para diagnosticar o problema, é preciso fazer uma autoavaliação. De que forma o conhecimento tem sido compartilhado? Será que os recursos utilizados estão em conformidade com o conteúdo proposto e com a necessidade dos estudantes?

Em um mundo cada vez mais dinâmico e tecnológico, ser professor torna-se mais complexo e desafiante. E um desses desafios é tornar as pessoas melhores. É oferecer a oportunidade de mudança e crescimento.

O melhor aluno não é o mais inteligente. É o mais esforçado. É o que mostra sede de conhecimento. Aquele que participa, que propõe. Que ensina, também. É aquele que gera discussão. E o melhor professor é aquele capaz de incitar tudo isso. Aquele que sabe no que é importante investir tempo. É aquele que não transforma o mundo, mas que ajuda as pessoas a transformá-lo.

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Amor e perdão

Há coisas na vida que só se tornam realmente importantes pela simples existência de outras.

O herói só é herói porque existe o vilão.

E, há coisas na vida, que só se tornam verdadeiras por estarem acompanhadas por outras.

Em se falando de herói, o que seria de Batman sem Robin, ou Robin sem Batman?

O amor está carregado de perdão. Só há amor se houver perdão. Não há perdão sem amor.

Muitos dizem que amam, mas poucos perdoam.

Amar pressupõe superar todos os defeitos do outro e, mesmo passando por todos os contratempos, não deixar que os diversos fatores altere seus sentimentos.

Amar no bom, é fácil. Na dor, insuportável. Na convivência, um chute no culhão.

[OBRA NÃO ACABADA]

segunda-feira, 25 de maio de 2015

O aplauso da maioria nem sempre é bom sinal


São tantas coisas que nos passam batidas, que muitas vezes perdemos a capacidade de refletir sobre os fatores e ações que rodeiam a nossa vida. Certa vez, em um curso de Ética do qual participei, ministrado pelo Dr. Clóvis de Barros Filho, da Universidade de São Paulo (USP), ouvi coisas extraordinariamente novas para mim, que, agora, decido compartilhá-las.

Quem nunca escutou que “o desejo da maioria deve ser respeitado.” “Se a maioria escolheu, então é a melhor opção”?

Esse discurso é até cansativo, principalmente, quando o assunto é política. Para a alegria da maioria, ganha a eleição o candidato mais bem votado.

Mas, na verdade, o aplauso da maioria não significa que aquilo seja algo realmente bom. Um exemplo bastante comum é a morte de Jesus. Ele foi crucificado com o aplauso da maioria. Sócrates também passou por isso. Foi acusado e morto sob aprovação da maioria. E, assim, também, mataram-se milhões de judeus. Esses exemplos nos mostram que o aplauso da maioria protagonizou as maiores barbáries da humanidade.

Nem sempre a felicidade do maior número é um bom critério. Se o maior número está aplaudindo, aí é que devemos nos preocupar. Até porque, para ganhar o aplauso da maioria, as pessoas usam de vários artifícios. Um deles é a mentira.

Por exemplo, o vendedor vende bem quando, necessariamente, vende. Vendedor que não vende, não é bom vendedor. O que importa não é o método. O que vale é o resultado. Mas, percebe-se, que, quanto mais verdade esse vendedor disser sobre determinado produto, mais ele reduz as chances de venda. Quanto mais ele mentir, no sentido de dissimular as imperfeições, ou mostrar que aquele produto é exatamente aquilo que a pessoa precisa, ele aumenta as chances de venda.

Portanto, mentir para vender é uma conduta óbvia. O vendedor usa do artifício da mentira para vender. Por meio da mentira, ele consegue convencer. Se acharmos que a conduta do vendedor conta apenas em função do seu resultado, somos obrigados a aceitar que eticamente a mentira é aceitável. E isso é, no mínimo, discutível.

E, cá entre nós, não é exatamente isso que presenciamos em nosso dia a dia? Voltando ao assunto política, não é isso que vemos repetir de dois em dois anos, quando ocorrem as eleições?

Sempre a maioria escolhe os representantes do povo, e sempre vemos que os fatos que levaram a isso não estão baseados na verdade. Políticos são mestres na arte de contar histórias (e estórias). São bons em iludir a maioria. Em mentir como forma de alcançar o resultado esperado. Eles são vendedores de ilusões. Mas, quase sempre, esquecem que relações sem confiança não duram muito tempo. E, por isso, mais cedo ou mais tarde, como dizemos no jargão policial, a casa cai para eles. Precisamos abrir nossos olhos. A maioria não é tão sábia quanto parece.

terça-feira, 7 de abril de 2015

A arte de contar boas histórias


Jornalismo para mim é isso: a arte de contar boas histórias.

Histórias capazes de emocionar, de despertar interesse, de provocar reflexão.

Jornalista é quem vê o que os outros não veem. É quem conta o que não querem que conte.

Não é, apenas, relatar um fato qualquer. É transmitir algo surpreendente.

É aprofundar-se na História, resgatar o passado. É se antecipar ao futuro, prever o amanhã. É indignar-se com a injustiça, com a desigualdade.

Jornalismo não se contenta com superficialidades, com banalidades...

Jornalismo é independente. Jornalista, também. A não ser quando toma o lado da população. Aliás, esse é o único partido do jornalismo: a sociedade.

Jornalista é aquele que sente a dor do outro e age para que outras pessoas não passem pela mesma coisa.

Jornalista tem que se indignar com os fatos. Não pode ver as coisas erradas e continuar inerte a elas. Não é preciso corrigir as coisas, mas é necessário mostrá-las.

Jornalismo é feito de conteúdo. E o melhor conteúdo que um jornalista pode ter é a verdade. Nada, além da verdade, importa.

Jornalismo é investigação. E investigação nada mais é do que apurar os fatos. Fatos esses que contam a história da humanidade e ajudam a formar a consciência crítica de uma comunidade em determinado espaço de tempo.

Ao contar histórias embasadas na verdade e na ética, o jornalista terá a consciência tranquila ao deitar. E, com essa consciência, é que vai lutar por valores que orientem o aperfeiçoamento da sociedade, como liberdade, igualdade e respeito.

7 de abril, o Dia do Contador de História, vulgo Jornalista.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Transporte público no Brasil



Esta semana foi lançada uma enquete no perfil do JSBA no Facebook, para saber a opinião dos leitores sobre transporte público: deveria ser de graça?

As opiniões divergiram-se bastante. Muita gente, como a Sarah Ferreira, acredita que “se pago já uma precariedade, imagina gratuito.” A Margarete Moro acha que não daria certo. Rosivânia Oliveira não concorda com o serviço ser gratuito. “No Brasil nada é valorizado se é público. Os custos de manutenção triplicariam os valores dos impostos que já são altos”.

Na contramão destes, muita gente pensa que sim, o transporte público - assim como os demais serviços básicos - deveria ser gratuito. “Pelo tanto de imposto que pagamos, sim, deveria ser!”, afirma Drick Sousa. Jane Leal usa o mesmo argumento. “Com certeza, pagamos muitos impostos”.

Independente de o transporte ser pago, ou não, o que todos querem é um serviço de qualidade. “Não deveria ser gratuito, mas podia ser bom”, diz Dalva Gama. “Gratuito não digo, mas com um melhor conforto”, pede Regina Melo. “Quando tem qualidade é outra coisa”, opina Aucileia Damasceno. 

PROTESTOS 

Todo mundo se lembra dos protestos que varreram o Brasil – a partir de São Paulo – em junho de 2013. O que desencadeou aquela onda de revolta? O aumento no preço da passagem de ônibus. Mas não é o aumento em si que é a causa do problema. É a falta de qualidade. É aquela coisa: ninguém se importa em pagar um pouco mais caro em um produto, desde que ele ofereça tudo o que dele se espera. Mas todo mundo se importa em pagar por uma coisa que sempre vai te deixar na mão.

Ninguém acharia ruim se os ônibus fossem novos, confortáveis, com ar condicionado, oferecessem acessibilidade, cumprissem os itinerários corretamente, sem atrasos ou desvios... mas, hoje, andar de ônibus é um risco. E por isso as pessoas reclamam.

Vale lembrar que a culpa não é apenas das empresas que prestam esse serviço. O transporte público compreende, também, questões como mobilidade urbana e infraestrutura. 

CONTEXTO 

O transporte público, no Brasil, nunca foi bom. E vai demorar para ser. Principalmente pela forma que o país se desenvolveu. A partir da metade do século passado, o Brasil passou por muitas transformações no cenário econômico. Em pouco tempo, desenvolveu-se muito. O processo de migração das famílias do campo para cidade, aliado à total falta de planejamento, os serviços básicos ficaram comprometidos – incluindo o transporte. Aliado a isso, boa parte das empresas que instalaram suas fábricas no país foram montadoras de veículos. Isso acarretou consequências sérias enfrentadas até hoje. 

IMPACTOS 

Ao não oferecer um transporte público de qualidade, estimula-se o transporte individual. Como os espaços para se locomover de bicicleta, por exemplo, ainda são escassos, a grande maioria da população – que tem melhor condição – opta por carros e motos. E isso se reflete em outras áreas. 

Em 2012 o Ministério da Saúde gastou mais de R$ 416 milhões somente com o tratamento de vítimas de acidente de trânsito. Motociclistas representaram 48% dos casos. E, segundo o presidente da Associação Brasileira de Vítimas do Trânsito, Dirceu Rodrigues Alves, esse percentual cresce 103% ao ano.

Se o transporte público fosse adequado, o número de acidentes seria bem menor e, consequentemente, o recurso gasto, também.

Além do fato de prejudicar a classe menos favorecida que, muitas vezes, não pode ter acesso a entretenimento, cultura e lazer por conta dos percursos dos ônibus, valor das passagens e horário das rotas.

É preciso repensar as rotas existentes. Será que oferecem a melhor cobertura? Depois – e não menos importante – é necessário avaliar a condição das frotas existentes e detectar os problemas. Após isso, planejar as melhorias.

Santarém é uma cidade de porte médio, mas que começa a enfrentar graves problemas de trânsito. Fruto, principalmente, da falta de planejamento. A tendência é só piorar

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Política de torcedor




Fevereiro começou e está terminando com um cenário bastante desolador para os brasileiros. O assunto não é novo, mas nem por isso deixou de ser intragável. A corrupção é, sem dúvida, um dos piores pecados que não só o político, mas que qualquer pessoa pode cometer. E, por assim ser, muito me espanta o fato de encontrar tantas pessoas que, por uma cegueira partidária inacreditável, não só aceitam isso na maior tranquilidade, como ainda defendem corruptos até a morte.

Em todas as áreas de nossa vida é preciso encontrar o equilíbrio. Não se pode viver nos extremos. Infelizmente no Brasil, o debate político ainda é muito fraco, porque as pessoas não conseguiram atingir certo grau de maturidade que possibilite deixarem de lado seu lado ‘torcedor’.

Ninguém sabe ao certo porque se torce por determinado time. Simplesmente se torce e pronto. Nenhum torcedor faz uma comparação dos times e, com base em uma análise racional, escolhe qual será o seu. Torcedor é paixão. É cegueira. Ele sente-se ligado e já era, vai carregar aquelas cores para sempre. Independente de ganhar títulos ou não, de brigar contra rebaixamentos ou não, torce-se. E, para quem torce, este time será o melhor do mundo. 

Na política parece que as coisas ocorrem do mesmo modo. Não se escolhe partido por ser o melhor ou o mais justo. As pessoas limitam sua visão e vão até o fundo do poço para tentar esconder a realidade e disfarçar as verdades que são incômodas. Elas não querem saber se o partido da qual são devotas desviou bilhões de reais que deveriam ser investidos na saúde, na educação, no saneamento... elas só querem encontrar algum partido que seja tão ruim quanto o seu, ou pior, para apontar o dedo. Elas não se preocupam com o bem da Nação, por isso não se importam com os escândalos protagonizados por seus ídolos políticos, mas se incomodam com quem os denunciam.

E todos perdem com isso, exceto os políticos que, habilmente, conseguem usar essas pessoas da forma que querem. Tanto que, por mais de dinheiro que tirem do povo, ainda recebem doações para se livrar da cadeia.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

#LQL – Cinza e Osso



Aproveitei o domingo chuvoso para concluir Cinza e Osso. Agora que concluí, penso que talvez teria sido melhor fazer outra coisa. O livro, antes de tudo, é extenso. Não por ter 448 páginas, mas pelo fato de John Harvey não conseguir desenvolver de maneira satisfatória e ritmada a história. São muitos detalhes desnecessários que – em boa parte - ao invés de ajudar a contextualizar a narrativa e agregar fatos interessantes, quebram a sequência e empacam a leitura.

Durante todo o livro eu fiquei com a sensação de que iria acontecer alguma coisa e, para minha tristeza, nada aconteceu. São três histórias que caminham paralelamente, com pontos que se cruzam, mas que não causam nenhuma expectativa. O cenário criado no início se mantém até o final. Sem surpresas. Sem nada.

Também achei fraca a construção das figuras principais da narrativa – protagonista e antagonistas. Está certo que os vilões não precisam agradar ninguém, mas devem possuir características fortes, marcantes. E o cara principal não causa nenhuma sensação... 

SINOPSE ORIGINAL 
Em Cinza e Osso, Frank Elder vive uma espartana e solitária existência na isolada costa da Cornualha. Em busca de paz, ele tenta entender o que deu errado em seu casamento, a infidelidade da esposa impossível de ignorar. Procurando isolamento, abandona tudo o que é familiar: a carreira como detetive, a mulher e a filha adolescente, Katherine. Mas seu retiro é quebrado por um telefonema da ex-esposa, preocupada com o comportamento cada vez mais inconstante da filha.

Os temores de Elder são agravados pelo sentimento de culpa: foi seu envolvimento num caso que conduziu ao sequestro e estupro da jovem. A crescente inquietação com a menina o leva de volta à ativa: Elder reabre uma investigação que pode ter repercussões devastadoras para toda a divisão de homicídios. E ele precisa aprender a controlar seus próprios demônios para descobrir a verdade.

Horripilante, indispensável, essencial, Cinza e Osso aborda vários temas — violências doméstica e sexual, corrupção, assassinatos. Harvey volta a acertar em cheio, abalando nervos e acelerando corações, enquanto nos conduz a passos firmes através de uma complexa trama cujos vários elementos mantém em perfeita sintonia. 

CINZA E OSSO
Autor: John Harvey
Editora: Record
Páginas: 448 
Nota: 5