segunda-feira, 25 de maio de 2015

O aplauso da maioria nem sempre é bom sinal




São tantas coisas que nos passam batidas, que muitas vezes perdemos a capacidade de refletir sobre os fatores e ações que rodeiam a nossa vida. Certa vez, em um curso de Ética do qual participei, ministrado pelo Doutor Clóvis Filho, da Universidade de São Paulo (USP), ouvi coisas extraordinariamente novas para mim, que, agora, decido compartilhá-las.

Quem nunca escutou que “o desejo da maioria deve ser respeitado.” “Se a maioria escolheu, então é a melhor opção”?

Esse discurso se até cansativo, principalmente, quando o assunto é política. Para a alegria da maioria, ganha a eleição o candidato mais bem votado.

Mas, na verdade, o aplauso da maioria não significa que aquilo seja algo realmente bom. Um exemplo bastante comum é a morte de Jesus. Ele foi crucificado com o aplauso da maioria. Sócrates também passou por isso. Foi acusado e morto sob aprovação da maioria. E, assim, também, mataram-se milhões de judeus. Esses exemplos nos mostram que o aplauso da maioria protagonizou as maiores barbáries da humanidade.

Nem sempre a felicidade do maior número é um bom critério. Se o maior número está aplaudindo, aí é que devemos nos preocupar. Até porque, para ganhar o aplauso da maioria, as pessoas usam de vários artifícios. Um deles é a mentira.

Por exemplo, o vendedor vende bem quando, necessariamente, vende. Vendedor que não vende, não é bom vendedor. O que importa não é o método. O que vale é o resultado. Mas, percebe-se, que, quanto mais verdade esse vendedor disser sobre determinado produto, mais ele reduz as chances de venda. Quanto mais ele mentir, no sentido de dissimular as imperfeições, ou mostrar que aquele produto é exatamente aquilo que a pessoa precisa, ele aumenta as chances de venda.

Portanto, mentir para vender é uma conduta óbvia. O vendedor usa do artifício da mentira para vender. Por meio da mentira, ele consegue convencer. Se acharmos que a conduta do vendedor conta apenas em função do seu resultado, somos obrigados a aceitar que eticamente a mentira é aceitável. E isso é, no mínimo, discutível.

E, cá entre nós, não é exatamente isso que presenciamos em nosso dia a dia? Voltando ao assunto política, não é isso que vemos repetir de dois em dois anos, quando ocorrem as eleições?

Sempre a maioria escolhe os representantes do povo, e sempre vemos que os fatos que levaram a isso não estão baseados na verdade. Políticos são mestres na arte de contar histórias (e estórias). São bons em iludir a maioria. Em mentir como forma de alcançar o resultado esperado. Eles são vendedores de ilusões. Mas, quase sempre, esquecem que relações sem confiança não duram muito tempo. E, por isso, mais cedo ou mais tarde, como dizemos no jargão policial, a casa cai para eles. Precisamos abrir nossos olhos. A maioria não é tão sábia quanto parece.

Um comentário:

Faça-me feliz. Comente aqui :)