São tantas coisas que nos passam
batidas, que muitas vezes perdemos a capacidade de refletir sobre os fatores e
ações que rodeiam a nossa vida. Certa vez, em um curso de Ética do qual
participei, ministrado pelo Dr. Clóvis de Barros Filho, da Universidade de São Paulo
(USP), ouvi coisas extraordinariamente novas para mim, que, agora, decido
compartilhá-las.
Quem nunca escutou que “o desejo
da maioria deve ser respeitado.” “Se a maioria escolheu, então é a melhor opção”?
Esse discurso é até cansativo,
principalmente, quando o assunto é política. Para a alegria da maioria, ganha a
eleição o candidato mais bem votado.
Mas, na verdade, o aplauso da
maioria não significa que aquilo seja algo realmente bom. Um exemplo bastante comum
é a morte de Jesus. Ele foi crucificado com o aplauso da maioria. Sócrates
também passou por isso. Foi acusado e morto sob aprovação da maioria. E, assim,
também, mataram-se milhões de judeus. Esses exemplos nos mostram que o aplauso
da maioria protagonizou as maiores barbáries da humanidade.
Nem sempre a felicidade do maior
número é um bom critério. Se o maior número está aplaudindo, aí é que devemos
nos preocupar. Até porque, para ganhar o aplauso da maioria, as pessoas usam de
vários artifícios. Um deles é a mentira.
Por exemplo, o vendedor vende bem
quando, necessariamente, vende. Vendedor que não vende, não é bom vendedor. O
que importa não é o método. O que vale é o resultado. Mas, percebe-se, que,
quanto mais verdade esse vendedor disser sobre determinado produto, mais ele
reduz as chances de venda. Quanto mais ele mentir, no sentido de dissimular as
imperfeições, ou mostrar que aquele produto é exatamente aquilo que a pessoa
precisa, ele aumenta as chances de venda.
Portanto, mentir para vender é
uma conduta óbvia. O vendedor usa do artifício da mentira para vender. Por meio
da mentira, ele consegue convencer. Se acharmos que a conduta do vendedor conta
apenas em função do seu resultado, somos obrigados a aceitar que eticamente a
mentira é aceitável. E isso é, no mínimo, discutível.
E, cá entre nós, não é exatamente
isso que presenciamos em nosso dia a dia? Voltando ao assunto política, não é
isso que vemos repetir de dois em dois anos, quando ocorrem as eleições?
Sempre a maioria escolhe os
representantes do povo, e sempre vemos que os fatos que levaram a isso não
estão baseados na verdade. Políticos são mestres na arte de contar histórias (e
estórias). São bons em iludir a maioria. Em mentir como forma de alcançar o
resultado esperado. Eles são vendedores de ilusões. Mas, quase sempre, esquecem
que relações sem confiança não duram muito tempo. E, por isso, mais cedo ou
mais tarde, como dizemos no jargão policial, a casa cai para eles. Precisamos
abrir nossos olhos. A maioria não é tão sábia quanto parece.
Excelentes reflexões!
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