sábado, 23 de agosto de 2014

Um ser daltônico

Antes de ler este texto, quero que você me faça uma promessa. Preste atenção, porque para mim é algo bem simples, mas, para você, talvez não seja. Toda vez que alguém fica sabendo que eu sou daltônico, sempre repete os questionamentos feitos por trilhões de pessoas. Então, encarecidamente, eu peço para que não me pergunte coisas do tipo: “que cor é essa? E aquela?” (apontando para diversos objetos) ou “como você consegue dirigir?”... vou explicar tudo aqui, belê?

Ser daltônico já é algo normal, para mim. Não é nada que tire meu encanto pela vida ou me faça entrar em depressão. Não ver algumas cores ou confundir tantas outras, de uns anos para cá, tem até sido motivo de muitas gargalhadas. Mas nem sempre foi assim...

Quando eu era um menino, e nada mais que um menino, eu sofria bastante por não saber diferenciar as cores. Acho que a primeira a perceber que eu era daltônico foi minha mãe. No começo, quando meus pais viam meus desenhos, eles achavam que eu gostava muito de vermelho e marrom, porque tudo era nessas cores: casas, pessoas e bichos. De vez em quando apareciam umas nuvens roxas, também. Mesmo assim, tenho certeza que eles sempre ficaram felizes em receber as minhas obras de arte.

As lembranças mais ingratas que eu tenho são das aulas de geografia. Não sei o porquê de a gente ter que colorir tantos mapas. Quando chegava essa hora, sempre me dava uma dor de barriga.
- Pintem a Europa de vermelho – dizia a professora.
- Hei, depois que você usar, empresta o vermelho? – eu pedia para meu colega de turma.
- Eu tenho dois, pode pegar aqui – respondia, me indicando seu estojo repleto de lápis de cor.
- Humm... tá bem – falava sem saber o que fazer. Não custava nada ele pegava o vermelho e me dar, né? Mas não, eu era obrigado a localizar o bendito lápis entre tantos.
- Haha. Você é doido, por que não pegou o vermelho? A professora vai brigar com você se ver que pintou de marrom.
- Sabe como é, não gosto de seguir as regras... – respondia me cagando de medo.
Depois de seguidos episódios como esse, meus lápis começaram a receber as iniciais das cores, para ver se eu conseguia ‘seguir as regras’.

O engraçado é que lido diariamente com as cores. Seja no meu emprego, ou em bicos por aí, criando artes ou diagramando jornais e livros. Em vez de correr do problema, justamente vou ao centro dele. :/

O maior questionamento de todo mundo é: como você consegue dirigir?

Bom, passei anos desenvolvendo uma técnica para que eu pudesse dirigir sem que matasse ou morresse no trânsito. O primeiro passo é óbvio: decorar a posição das cores. Isso é muito prático, no entanto se limita apenas durante o dia. Se for horizontal, às vezes os semaforístas (não sei se essa palavra existe, mas a usei no sentido de 'os caras que instalam os semáforos') não seguem o mesmo padrão e bagunçam a minha vida. À noite, em certos pontos onde a iluminação pública não é tão boa, você vê apenas a luz acesa, mas não consegue saber em que posição ela está. Às vezes consigo identificar a cor, mas quando isso não acontece, faço uma rápida análise do cenário e observo a movimentação dos outros veículos. Se tem carro à minha frente, faço o que ele faz. Se tem carro atrás, dou uma segurada até ver a reação dele. Se na minha mão não tem carro nem à frente, nem atrás, olho para as outras.

Para jogar videogame, preciso de algumas artimanhas. Quando é possível selecionar a cor de mira em jogos de ação, os daltônicos agradecem. Quando não, é preciso dar um jeito. A melhor solução encontrada (até agora) foi por um pingo de pasta de dente no centro da tela. Assim não tem como errar!

Jogar bola também pode ter suas complicações. Eu e meu irmão – que também é daltônico – já deixamos de jogar por causa das confusões nos coletes. Quando é amarelo, azul ou preto, fica fácil diferenciar. O problema é quando colocam verde e vermelho frente a frente. Aí não tem daltônico que resista. Para não pegarmos fama de maus jogadores, preferimos abrir mão de jogar. O pior é que ninguém acredita, mas fazer o que?

Mais recentemente meu irmão descobriu porque não achávamos tanta graça nos arcos-íris, enquanto todo mundo fazia o maior auê quando algum surgia. Para nós, as sete cores eram que nem o pote de ouro: só ilusão. Nós não as víamos. Quer dizer, nós não as vemos. No máximo, e, olha lá, com muita sorte, enxergamos umas três... mas, tá tudo bem.

Já escrevi, outras vezes, sobre daltonismo. Se quiser, pode conferir.

Histórias de um daltônico

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Asterix, o ciclista maluco

A melhor parte de ser jornalista é poder ouvir as mais loucas histórias que as pessoas têm para contar. A história que contarei a seguir, por exemplo, não sei até que ponto realmente aconteceu. Mas isso não diminui a beleza da coisa. 
Equipe do JSBA teve a honra de posar para foto ao lado do 'maluco' (Foto: Jô Tapajós)
Em 2003, Janilton Ferreira recebeu o apelido de ‘Ciclista Maluco’ de ninguém menos que o então presidente da república, Luís Inácio Lula da Silva. Desde lá ele carrega este nome por todo canto do Brasil por onde passa. Gostou tanto que até deixou de lado o ‘Zé Pedal’, como era chamado antes do encontro com o ex-presidente. Há ainda quem o compare com o herói gaulês das histórias em quadrinhos, o Asterix (presta atenção, são muito parecidos!). 

O ‘Ciclista Maluco’ é, no mínimo, um bom contador de histórias. Histórias estas vividas intensamente durante seus 59 anos de vida (ele vai completar 60 ainda neste ano). Só de pedal, ele já acumula 28 anos. Conheceu alguns países, várias capitais e milhares de cidades. Ele chegou a Santarém na semana passada, vindo do Amapá, onde concluiu mais uma de suas jornadas malucas.

PRIMEIRA AVENTURA


Tudo começou em 1986, quando Ferreira tinha 32 anos. “Teve um amigo que me convidou para dar uma volta. Eu topei. Falei para minha mulher: ‘daqui a seis meses talvez eu volte’”, conta. A viagem por Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia durou bem mais que o previsto: foram necessários 14 meses. “Fomos devagar, sem pressa, para conhecer as cidades”.

A partir daí ele não conseguiu mais desgrudar da bicicleta. Após descansar da primeira viagem, já quis partir para outra aventura. A ideia era desbravar, junto com o amigo, o litoral brasileiro, de Itajaí (SC) até Belém (PA). No entanto, o companheiro não aceitou o novo desafio. Em compensação, a esposa do aventureiro topou. “Nem chegamos a completar o caminho. Fomos até Fortaleza (CE) e voltamos”. Mesmo sem alcançar o objetivo, o ‘passeio’ durou mais de um ano.
Lula, o mentor do apelido 'Ciclista Maluco'


POR ONDE ANDOU


Encontro dos baixinhos contadores de histórias
O ‘Ciclista Maluco’ conta que não planeja as viagens. Apenas pensa para onde quer ir, pega a magrela, e vai. “A gente não planeja. Levo apenas umas cinco peças de roupa, ciclista não tem como levar muita coisa”. Mesmo assim a bicicleta vai carregada. Na bagagem, que pesa cerca de 80 kg, estão peças, caso a magrela quebre, pneus extras, câmaras de ar, além de várias sacolas, bandeiras e, principalmente, fotografias. Várias destas com personalidades conhecidas internacionalmente. São fotos com jogadores (Neymar, Júlio César, Pato), atores (Tonny Ramos, Antônio Fagundes) e políticos (Lula, Romário). Ele chegou a ficar acampado por 17 dias em frente ao Palácio do Planalto para tirar uma foto ao lado de Dilma Rousseff, mas o ciclista foi ignorado pela presidente.

Asterix e Neymar, uma dupla e tanto
Em 28 anos de pedaladas, Ferreira já percorreu mais de 100 mil quilômetros e visitou mais de 3 mil cidades em cinco países. No Brasil, ele conhece quase todas as capitais. “Eu conheço 24 capitais do Brasil. Falta conhecer apenas Boa Vista, Porto Velho e Rio Branco. A última que eu conheci foi Macapá, onde estive recentemente. O que eu faço é um cicloturismo, conhecer o Brasil de bicicleta. Pegar carona não tem graça. Meu amigo é Deus, a melhor companhia”.


OIAPOQUE AO CHUÍ


Há sete anos, em março de 2007, o ‘Ciclista Maluco’ partiu, talvez, para o seu maior desafio. Ele queria cortar o Brasil de Sul a Norte, de Chuí a Oiapoque (vale ressaltar que, apesar de amplamente difundido que esses sejam os dois pontos extremos do Brasil, Oiapoque não é onde ‘começa o Brasil’. O ponto mais ao Norte no mapa brasileiro é Caburaí, em Roraima. Em vez de Oiapoque ao Chuí, dever-se-ia falar: Caburaí ao Chuí).

O feito só foi completado no dia 23 de julho deste ano. “Eu andei por muitos lugares, acabei me atrasando muito, afinal já são sete anos. Em um ano e meio daria para fazer tudo isso”, explica o ciclista, que ainda pretende voltar ao Chuí.

DE JARDINEIRO A AVENTUREIRO


Antes, o ‘Ciclista Maluco’ era jardineiro, agora sua profissão, como ele mesmo diz, é o perigo. Já passou por poucas e boas nos acostamentos das estradas brasileiras. São tantas aventuras que ele já teve de trocar duas vezes de companheira. Margarida e Rebeca já estão aposentadas. Há oito anos a missão ficou por conta da Bambina, que ainda tem muito pneu para gastar. Foi com ela que ele cumpriu a jornada de Chuí ao Oiapoque. “Nunca perdi minha bicicleta, nem a roubaram”, comemora.

Oiapoque: "aqui começa o Brasil"
Ele sempre emagrece bastante durante as viagens. Atualmente está com 67 kg, mas quando partiu para a aventura estava um pouco mais forte, com quase 80 kg. Com a vida que leva, não conseguiu manter o casamento. Há três anos se separou da esposa, com quem teve três filhos. O caçula, inclusive, seguiu algumas viagens com o pai, mas não aguentou o tranco e desistiu do desafio.

Aos 59 anos ele esbanja vitalidade e boa vontade. Ele diz que não bebe, nem fuma (e é claro que eu acredito), e por isso consegue realizar os desafios que traça para sua vida. Ainda não se aposentou, então não tem renda fixa. Para viver, ele conta com o apoio das prefeituras dos municípios por onde passa, além da contribuição dos ‘amigos da estrada’ que admiram a coragem do simpático maluco. “A gente pede apoio nas prefeituras. Às vezes as pessoas passam por mim, dão alguma contribuição”, revela.


FUTURO DO CICLISTA


O aventureiro ainda não decidiu para onde vai depois de Santarém. Estão nos planos Cuiabá ou Manaus. “Aqui é a primeira vez que eu venho. É uma cidade bonita, com bastante gente”, fala. Para ele, os lugares mais bonitos para onde foi, e deseja voltar, são Rio de Janeiro e Fortaleza.

Janilton Ferreira pretende chegar a sua casa, em Itajaí (SC), no final de 2016, e, depois, escrever um livro contando a história da sua vida, para ser lançado no começo de 2018. “Depois disso vou seguir viagem novamente. Eu adoro, sou apaixonado por isso”, finaliza.



A cada conto, aumenta um ponto...


Superbike


Para o jornal O Hoje, de Goiás, o ciclista informou que pedala, em média, a 60 km/h. Ele também falou que viaja cerca de nove horas por dia. Se a gente fizer a conta, ele transcorre um percurso diário de 540 km. Após ler a informação, eu fiquei me questionando: ou o maluco tem c# a jato ou ele peida nitro. O mais bacana de tudo é que o figura ainda é humilde. Diz que "não tem pressa".


Quilômetros incontáveis


Em maio deste ano, o jornal Agora, do Maranhão, disse que Janilton Ferreira havia percorrido cerca de 3.500 km, por 24 capitais brasileiras. Mais recentemente, no dia 14 de agosto, ao portal Globo Esporte, no Pará, o ciclista afirmou que sua quilometragem era muito mais alta: nada menos do que 120 mil km percorridos. Das duas, uma. Ou o odômetro de sua bicicleta está com defeito, ou ele percorreu 116.500 km em três meses.



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

De mãos atadas


Até quando o povo brasileiro vai ficar refém dos mesmos grupos políticos que se revezam na sucessão do poder há décadas? Até quando vamos continuar inertes neste cenário deplorável e degradante para que o Brasil caminha?

Não é possível que não haja solução. Todo mês eu escrevo um texto similar a este questionando as mesmas coisas e, ainda, continuo sem respostas. Não sei se realmente eu seja muito pessimista quanto ao presente/futuro ou se realmente tenho razão por ficar insatisfeito com o rumo que as coisas andam. Talvez se eu ficasse a maior parte do tempo em um mundo paralelo, puxando um baseado, como tantos por aí, eu defendesse que estamos caminhando no trilho certo...

Até a quarta-feira, 7, o governo, por meio de impostos e tributos, já havia sugado de nossos bolsos a salgada quantia de quase R$ 780 BILHÕES. Acredita nisso? Dinheiro meu, dinheiro seu. Dinheiro de famílias que não têm nem o que comer. O mais incrível é que essa montanha simplesmente desaparece na mão de nossos governantes. Esse dinheiro não volta em benefício. Problemas básicos – e centenários – continuam nos assolando. Saneamento básico parece até luxo.

Quando vamos comprar um produto, temos duas opções. Ou adquirimos algo de qualidade, no qual temos confiança de que o investimento valerá a pena e, por isso, desembolsamos uma quantia maior. Ou compramos um produto de preço muito mais baixo, que não tem a mesma qualidade, e logo vai nos deixar na mão.

Quando se fala em imposto, no Brasil, as coisas se invertem. Pagamos caro por um produto que não tem qualidade. Ou seja, suamos sangue pagando taxas altíssimas em produtos e serviços para que nossos ditos representantes apliquem mal os recursos – ou, pior, desviem para benefícios próprios.

O caso mais recente, escandaloso e ridículo é o aumento concedido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) à Celpa. A cacetada foi pesada. O sofrido povo paraense vai pagar 35% a mais em sua conta de energia. Um aumento enorme desse, superior a 1/3, e as coisas continuam como se tudo estivesse normal. Cadê os políticos ditos interessados nas causas populares?

É preciso mudar. É preciso encontrar um novo caminho para seguir, porque este, no qual estamos, vai para o precipício. E, se lá cairmos, nunca mais sairemos.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Deveríamos viver como se estivéssemos em guerra. 
Aproveitando cada segundo sem saber se teríamos a oportunidade de viver o próximo.

terça-feira, 15 de julho de 2014

Resenha sobre a Copa, o Felipão e a Seleção

SOBRE A COPA


O futebol está feio. E não é preciso ser especialista para notar isso. A coisa vai mal não só aqui no Brasil. A Copa do Mundo é a melhor prova. Tanta expectativa pra nada. Não sei se sou o único, mas eu achei esta Copa, com o perdão da palavra, uma bosta. E não entro no mérito da participação dos torcedores, e da festa nos estádios. Falo da bola rolando. Há alguns anos a inspiração foi sumindo para se dar lugar à transpiração. Saíram de cena os craques, entraram os cabeças de bagre. Saiu o talento, entrou a força. Antes, assistir a uma partida de futebol era diversão, arte. Hoje é sofrimento, quase infarte.

Até a Alemanha, que todos já esperavam uma boa campanha por conta do ótimo desempenho dos clubes locais nos últimos anos (Bayern de Munique e Borussia Dortmund), não jogou lá aquelas coisas. Um futebol comum. Nenhum craque, nada diferente. Empatou com Gana, suou pra ganhar da Argélia... que, convenhamos, não são ninguém no mundo futebolístico.

Mas, depois da surra no Brasil, se tornou a sensação. Por aí se explica um pouco do que dizem que brasileiro gosta de sofrer. Quanto mais sofre, mais adora o opressor. Na boa, torcer pra Alemanha depois de tomar um sarrafo de 7 a 1 é algo estranho. Mesmo que o adversário seja a Argentina.

SOBRE O BRASIL
David Luiz é um grande jogador. Disso ninguém duvida. Mas, infelizmente, nesta Copa ele foi muito mal. Talvez por jogar como volante no seu clube, ele não conseguiu ir bem como zagueiro. Contra a Alemanha, ele foi o principal responsável pelo resultado. Até porque não teve o Thiago Silva ao lado, para chamar a atenção. Como capitão, ele tinha a obrigação de assumir a responsabilidade de organizar o time dentro de campo. Mas fez justamente o contrário. Parecia um doidão. Embalado pela torcida, curtiu a sensação de se sentir um ídolo. Em vez de fazer o que devia e manter sua posição dentro de campo, quis bancar o herói, expondo a equipe e proporcionando aquele resultado tão elástico. Dos 7 gols, pelo menos 3 foram por falha dele. O Dante, coitado, se viu perdido tendo que marcar os alemães enquanto o David se aventurava lá na frente. Mas, ressalto, é muito bom jogador. Fez um golaço de falta nesta Copa.

Não nego que foi comovente o discurso dele, mas na hora de ter consciência tática, ele não se preocupou. Discurso ganha torcida, mas não constrói resultado positivo. Quis ser mais importante que os outros e caiu por seus próprios erros. Devia ter pensado nos brasileiros na hora que fez as cagadas, não depois, enquanto pedia desculpas, lagrimando.

No geral, o grupo era muito fraco. Só tínhamos zagueiros e volantes de qualidade. Nas laterais, uma lástima. Daniel Alves a Maicon disputando para ver quem acertaria o primeiro cruzamento. Acho que até agora estão tentando. Nenhum meia capaz de fazer a diferença. Oscar sumiu em campo. William surgiu não sei de onde só para combinar com o penteado do Marcelo, Dante e David Luiz. E, no ataque, nem se fala. Pra quem já teve no camisa 9 a esperança de muitos gols, ver o Fred na seleção é motivo de piada. Falando em piada, era o Jô que participava do Casseta e Planeta?

A esperança é que até 2018 uma nova geração surja e faça a diferença.

SOBRE O FELIPÃO

Claro que o Felipão tem culpa pela campanha realizada pelo Brasil, em casa. Mas a culpa não é só dele. Tanto é, que no ano passado, quando ele faturou a Copa das Confederações, que quase ninguém acreditava ser possível, caiu nos braços da torcida. Assumiu a seleção às vésperas, herdando uma bagunça deixada por Mano Menezes, e conseguiu formar um time bastante competitivo.

Com os jogadores que tinha, ele levou a seleção longe demais. Dentre 32 seleções, ficamos entre as quatro melhores. Fiasco foi a Itália, Espanha... não passaram nem da fase de grupos. Claro, foi vergonhoso tomar uma taca de 7 a 1. Mas, friamente, perder de 1, 5, ou 7, tem o mesmo efeito prático.

O Felipão está menos de dois anos no cargo. Fez o que pôde. Já está na hora de pensar diferente e parar de mudar de técnico como se troca de roupa. Já que estão falando tanto da Alemanha, seria bom pegar o exemplo. Há anos a seleção alemã não ganhava nada. E, mesmo assim, bancaram o mesmo técnico. O Felipão nunca teve essa chance. Nunca teve tempo para desenvolver seu trabalho. Sempre foi chamado às pressas. 

Para quem agora critica o Felipão, é bom lembrar um pouco da história. Quando ele assumiu pela primeira vez a seleção, em 2001, a realidade era parecida. Pegou a bomba deixada por Luxemburgo, Candinho e Leão. O Brasil estava perdido. Jogava mal e corria até o risco de ficar fora da Copa. No início não foi fácil, mas com as peças que tinha, Felipão soube engrossar o caldo.

O grupo era muito diferente do atual. Naquela época tínhamos vários craques. São Marcos, que salvou o time em diversas ocasiões; Lúcio, sempre com muita garra e determinação; Roque Júnior; Edmílson; Cafu, o capitão de última hora (Emerson foi cortado por lesão); Roberto Carlos, um dos melhores laterais do futebol mundial; Ronaldinho Gaúcho, fundamental na campanha e eternamente lembrado pelo jogo contra a Inglaterra; Denílson, o artista dos gramados; Rivaldo, o gênio da bola, importante em todas as partidas; Ronaldo, artilheiro da competição e autor dos gols que deram o título contra a Alemanha; além de Edílson, Gilberto Silva, Kléberson, Juninho Paulista e Luizão... aquele time dava show. O atual dá choro. 

Assim como em 2002, Felipão foi cabeça dura. Lá ele apostou no Ronaldo (que vinha de seguidas lesões, deixando de fora Romário, o melhor jogador na posição, na época). Desta vez ele bancou o Fred. No entanto, o tiro saiu pela culatra. Se lá no passado Ronaldo resolveu e, ao lado do Rivaldo, foi o principal jogador brasileiro; no presente, Fred não mostrou ser merecedor da vaga na seleção. De longe foi o pior jogador brasileiro. Com ele, o Felipão cavou sua própria cova. Talvez ele queria dar uma de Zagallo, esperando Fred desencantar, pra poder gritar: “vocês vão ter que me engolir”. Mas foi uma opção. E, quando envolve escolhas, nem sempre é possível acertar.

Ele é o último técnico campeão do mundo pelo Brasil e vai continuar sendo até, pelo menos, 2018. E, por pior que pareça, a colocação da seleção na Copa de 2014 foi melhor do que nas duas anteriores. Em 2006, Parreira, apesar de todos os craques que tinha à disposição, ficou apenas em 5º. Em 2010, Dunga levou o Brasil para o 6º lugar. Quer dizer, mesmo com a pior safra de jogadores das últimas décadas, Felipão ainda conseguiu ser melhor que seus antecessores. 

Não vejo como desastre ficar entre os quatro melhores.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

#GORDINHOQUECORRE

Um gordinho feliz

Eis que a minha jornada definitiva em busca de uns 10 kg a menos começou pra valer. Eu sei que já iniciei, por diversas vezes, outras jornadas que não deram resultado. Sempre fiquei pelo caminho. Mas prometi para meu gordinho interior que desta vez seria diferente. E espero, de verdade, que seja.

Beirando os 100 kg, já era hora de me preocupar, né? Ainda mais quando o cálculo de Índice de Massa Corporal (IMC) dá 31,3 (obesidade grau I) e aparece a seguinte mensagem: "você está muito acima de seu peso normal. É recomendável que você procure auxílio para evitar complicações relacionadas à obesidade. Consulte um médico ou nutricionista."

Na segunda-feira (30 de junho) eu consegui vencer minha preguiça e caminhei no Parque da Cidade. Não foi fácil, mas dei os primeiros passos em busca da desgordurização do meu ser. E, levando em consideração a linda paisagem que eu vi por lá, não vou desanimar tão cedo. Cada docinho... :)

É isso. Em breve serei um ex-gordo. Que Deus me ajude.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Iguais? Nem tanto

O que dizer sobre as cotas raciais instituídas no Brasil? O tema, mais uma vez, vem à tona por conta do Projeto de Lei que pretende reservar 20% das vagas de concursos públicos para negros e pardos.

Segundo a Constituição Federal, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Não importa a cor da pele, não importa o sexo, não importa a conta bancária. No entanto, na prática, não é bem assim que as coisas funcionam. Para reparar – ou, ao menos, amenizar – o tratamento dado a grupos historicamente desprestigiados, busca-se criar mecanismos para que eles possam ter as mesmas oportunidades que os demais. Procura-se dar aos desiguais um tratamento desigual, para que as diferenças, ao longo do tempo, diminuam.

Se a intenção é boa, o resultado, nem tanto. Ao selecionar grupos específicos para que recebam benefícios, entra-se em um cenário delicado. Como é possível combater o racismo, por exemplo, se as próprias políticas públicas contribuem para que ele aconteça? É preciso bom senso. Até porque, ao separar a sociedade em grupos, sempre haverá os que se sentem menos prestigiados. Então, será que a todos esses seriam dadas regalias específicas?

Não acho lógico usar o argumento de dívida histórica com os negros por conta da escravidão para concorrência de cotas. Até porque, se for usado o mesmo argumento, teriam que ser concedidas cotas às mulheres, por conta de sempre estarem submetidas à vontade do homem ao longo da história. E, quem sabe, dar os mesmos privilégios aos homossexuais, que sempre sofreram escancarado preconceito... creio que não é por aí que as coisas devem caminhar.

As cotas raciais para o acesso à universidade e, agora, para concursos públicos, cria, na população, um sentimento de revolta. Dá a ideia de que, quem não tem a cor da pele preta, é mais inteligente do que quem tem. O que não tem a mínima base de verdade. Não é a cor da pele que vai indicar a capacidade intelectual, nem força de vontade, muito menos até qual degrau de sucesso profissional uma pessoa pode chegar.

O que a cor da pele interfere? Nada. Absolutamente nada. Vai me dizer que o filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Joaquim Barbosa tem menos chances de ingressar em uma universidade, ou em um cargo público, por meio de concurso, do que um filho de nordestino, pobre, que trabalha o mês todo para ganhar um salário mínimo para o sustento da família? Creio que não.

Qual é a lógica? Como eu posso lutar contra o racismo, se o próprio sistema contribui para que ele aconteça? Ou vai dizer que as pessoas de fora desse grupo não se sentem menosprezadas? Cotas raciais privilegiam apenas um grupo, sem justificativa. Diferentemente das cotas sociais. Se a intenção é dar oportunidade a quem não teria chance de outra forma, que dê a quem é menos favorecido economicamente. Afinal, nem todo negro é pobre, e nem todo branco é rico. E, olha só, ao estimular as cotas sociais, automaticamente os brasileiros negros são incluídos, já que cerca de 70% dos negros são pobres.

É grave separar a população entre negros e não-negros. Ao cometer isso, todo o discurso de igualdade vai para o ralo, e as consequências podem ser perigosas. Já tivemos casos bisonhos no Brasil por conta dessa ‘seleção racial’ para cotas. Há alguns anos a Universidade de Brasília (UnB) julgou gêmeos idênticos de forma distinta. Um foi considerado negro, o outro não. Duas pessoas que nasceram e cresceram no mesmo ambiente, recebendo a mesma educação e oportunidades, mas o critério de seleção simplesmente pela cor traçou destino diferente para os dois (após recurso, a universidade avaliou o julgamento errado e também admitiu o outro irmão).

É preciso dar educação de qualidade para todos, negros ou não. É preciso dar oportunidades para todos, negros ou não. É preciso incluir todos na sociedade, negros ou não. Afinal, somos todos iguais, negros ou não. Não é pela cor da pele que eu vou julgar uma pessoa. É preciso trabalhar para consertar os erros, e não criar mecanismos para maquiá-los.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Reflexão do limão


Acredito que deveríamos ser igual a um limão. Discreto, com personalidade e com qualidades completamente únicas.

Estava em casa e senti sede. Lembrei que tinha uns limões na geladeira. Pensei em fazer um suco. Fui até a cozinha, abri a geladeira e comecei a procurar o limão. Virei, revirei, até que encontrei. Peguei o sobrevivente, velho, murcho e feinho, cortei ao meio e espremi no copo. Foi aí que me surgiu essa reflexão.

Se tem uma coisa que acho fundamental em casa é limão. Com ele dá pra fazer suco, temperar salada e ainda servir de acompanhante em diversas comidas. É super barato, pequeno, e dá um toque todo especial.
Sabia que existe pessoa-limão? Aquelas pessoas discretas, que ficam escondidinhas e muitas vezes são colocadas de lado. Não existem muitas delas, mas as poucas que existem fazem toda a diferença. Assim como o limão, uma única pessoa desse tipo é capaz de fazer muita coisa. 

Geralmente não aparece, mas quando entra em cena chama atenção, não pela sua aparência, mas pelo seu conteúdo. E quando abre a boca deixa um gosto azedo na boca dos outros, geralmente os que gostam se aparecer.  


terça-feira, 8 de outubro de 2013

Histórias da Dona Márcia III

Troca de favores


- Jo, faz um favor pra mim?

- Qual, mãe?

- Compra uma Coquinha?

- Não.

- Poxa, Jo. Compra uma Coquinha pra mim.

- Só compro se a senhora ficar aqui, me fazendo companhia. Tô com saudade da senhora, quase não te vejo mais.


Quando viro as costas, Dona Márcia sumiu.
Minutos depois, ela volta.


- Não acredito! Nem pra ganhar Coca a senhora quer me fazer companhia?

- Que que eu vou ficar fazendo aqui?

- Podemos ficar conversando.

- Toda vez que eu te chamo para assistir às minhas séries, você nunca vai.

- E por que eu que tenho que fazer um programa que a senhora gosta? Não podemos fazer algo bom pros dois?

- Melhor ver minhas séries do que ver o joguinho de vocês. Credo, não sei como vocês conseguem jogar aquilo.

- Maas é tão legal! A senhora voltou aqui pra fazer uma pizza?

- Se eu fizer pizza você compra a Coca?

- Claro que compro!

- Oba! Deixa eu ver se tem queijo – dá uma olhada na geladeira – yeeeees, tem queijo! Deixa eu ver se tem molho – dá uma olhada no armário – yeeeeees, tem molho! Pode ir comprar a Coca.

- Liiiipe, você não ia lá comprar uma Coca pra mãe? – gritei para meu irmão, que estava no quarto.

- Não! – respondeu.

Putz.


Mas no final, o Lipe, como prova do bom filho que é, foi comprar uma Coca. Uma não, comprou duas Cocas pra mamãe matar a vontade. E todos nós nos deliciamos com as épicas pizzas da Dona Márcia.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Último suspiro

[Editorial do Jornal de Santarém e Baixo Amazonas, na edição de 6 a 12 de setembro]


Hoje, mais um ciclo, para mim, chega ao fim. Depois de 120 edições do Jornal de Santarém e Baixo Amazonas, finalmente o nome correspondente ao cargo de ‘Editor-chefe’, aqui ao lado, no expediente, será trocado. Então eu acho que vale a pena curtir este último suspiro de vida editorial para contar um pouco sobre tudo o que vivi nesta casa.
Sempre achei interessante como a vida trilha os nossos caminhos. Quando nos esforçamos, nem que seja um pouquinho, sempre conseguimos realizar os nossos sonhos. Ou, pelo menos, parte deles.
Em 2011, pouco tempo após a minha formatura, fui procurado pelo diretor do JSBA para assumir a vaga de editor-chefe que, no momento, estava precisando de um ocupante. No final da tarde de 29 de abril de 2011, uma terça-feira, foi quando eu recebi a ligação do jornal, informando-me sobre a vaga. No dia seguinte, eu sentei para conversar sobre o trabalho com o diretor do jornal. Na verdade nem foi uma conversa. Durou uns três minutos. Nem apresentei currículo, nem nada.
- Olha, o salário é esse aqui, mais isso aqui. Vai querer? – disse ele, assim, bem direto.
Falei que pensaria no caso e depois ligaria para dar a minha resposta. Saí do jornal extasiado de tanta alegria. Mais do que um bom salário, eu teria a grande chance de realizar um dos meus inúmeros sonhos: ser editor. Desde os tempos de faculdade sempre gostei mais de escrever do que falar. Nunca fui muito amigo do Rádio ou Telejornalismo, mas, sim, do Impresso e Webjornalismo. E ser editor-chefe do jornal mais tradicional de Santarém não era uma oportunidade que bateria à minha porta outra vez.
Cheguei em casa, contei a novidade à minha família, e, à noite, liguei para o diretor do jornal.
- Boa noite. Só estou ligando para dizer que vou ficar com a vaga. Amanhã passo lá no jornal pra gente acertar os detalhes.
No outro dia, como combinado, fui até a empresa. Quando cheguei, o diretor não estava. A secretária pediu para eu esperar. Após alguns minutos, ela retornou, perguntando se eu tinha experiência como editor.
- Não... sou recém-formado. Tenho apenas uma noção do que fazer.
Ela pediu para eu acompanha-la até a redação. Quando entramos, ela me apresentou a equipe e disse:
- Esse aqui é o seu computador. Pode fechar o jornal, ele circula amanhã.
Esse dia, 31 de abril de 2011, quinta-feira, nunca sairá da minha memória. Foi o dia mais tenso e intenso da minha vida. Eu, que nunca havia passado mais de três meses em um mesmo trabalho, que não tinha ideia de como fechar um jornal, enfrentava meu maior leão profissionalmente.
- Mas eu só vim para falar que vou ficar com o emprego, não vim para trabalhar! – tentei, em vão, argumentar.
Com a ajuda daquela equipe, e, principalmente de Deus, no final do dia o jornal estava pronto. Apesar das feridas causadas pelo feroz leão, no final, eu consegui matá-lo. Admito que pensei em desistir... mas continuei até hoje matando o meu leão de cada dia, e convivendo com as quintas-feiras de cão.
Trabalhar neste jornal foi uma das coisas mais importantes que fiz. E eu só tenho a agradecer a Deus por todo o tempo que passei aqui, e por todos que contribuíram para que o meu trabalho ficasse mais fácil, quer dizer, menos difícil. Aos olhos de quem está de fora, de você leitor, pode parecer que o nosso trabalho seja moleza. Mas para quem está do lado de cá, as coisas não são tão moles assim.
Fazer jornalismo exige muito mais do que saber contar uma boa história. Sempre penso o jornalismo como um grande pilar da sociedade, como uma inesgotável fonte em busca da verdade, visando sempre – como diz o juramento dos jornalistas - um futuro mais justo e mais digno para todos os cidadãos. Em muitos casos, a imprensa é a única aliada da população. É nela que a sociedade vê a esperança de alguma melhora.
Agora imagine a responsabilidade que um editor-chefe tem. É ele o responsável por tudo o que sai em um jornal. Se aparecer algum erro, alguma informação trocada, alguma acusação infundada, alguma mentira deslavada, a culpa é dele. É ele quem tem a missão de ser o capitão do navio, principalmente quando o perigo de um naufrágio está próximo.
Trabalhar neste jornal fez de mim uma pessoa muito melhor. Comecei a expandir horizontes que nunca havia vislumbrado, a analisar ângulos quase invisíveis. Exercitei a minha paciência, e, também, tive a oportunidade de sentir na pele o peso de uma liderança. E isso, talvez, tenha sido o meu maior aprendizado. Comandar uma equipe é muito mais complexo do que parece, principalmente quando você tem metas muito rígidas a serem alcançadas. E se não forem, a bomba cairá em suas mãos.
Sempre procurei ser amigo de quem dividia a labuta comigo, orientando, incentivando e sempre disposto ajudar. É claro que nem sempre foi possível, mas sempre procurei dar o meu melhor. Às vezes, quando se estabelece uma relação muito próxima, você começa a falhar em um dos seus papéis, o de cobrar. Puxões de orelhas são necessários. Todo mundo, vez ou outra, precisa de uma chamada de atenção quando anda meio distraído com suas obrigações. Minha pior experiência foi ter que demitir um dos integrantes da nossa equipe. Passei vários dias me preparando para isso, e outros tantos para tentar superar isso. Foi a sensação mais desumana que vivi, até porque, na minha visão, não foi um decisão muito justa. Mas, como eu digo, bom é ser patrão, chefe não. Chefe sempre está num campo de batalha, com dos exércitos em constante guerra entre ele, patrão e empregados.
Para terminar – ‘o substituto’ já deve estar desesperado com a minha demora em escrever este texto - queria agradecer a todos com quem eu tive a oportunidade de dividir experiências. Por menores que tenham sido, para mim significaram muito. Primeiramente à minha família, que sempre me deu muita força para continuar firme, aos amigos, pelo companheirismo, e a quem hoje não se encontra ao meu lado, mas que serei eternamente grato por tudo que fez. À equipe do JSBA por todo apoio, paciência e dedicação. À diretoria do jornal pela confiança, por permitir meu horário flexível e me dar o sábado livre e, principalmente, pelos pagamentos sempre em dia. E quero agradecer profundamente a você, leitor, que por tanto tempo me deu a oportunidade de estar ao seu lado, contando novas histórias, relatando fatos importantes, mostrando a realidade, fosse alegre ou não. Obrigado pela companhia e por sempre relevar as minhas falhas.
Não sei como será a partir da próxima semana, quando eu não precisar mais acordar cedo, quase de madrugada (lá pelas 9h), para vir trabalhar. Quando eu não tiver com quem passar o dia dando risadas das coisas mais inúteis possíveis. Quando não tiver uma garrafa de café a dois metros da minha mesa, e quando não tiver alguém para pedir que pegue o café pra mim, porque está longe. Quando não tiver que passar o dia ouvindo Bruno e Marrone, Eduardo Costa ou Júlio Nascimento. Quando eu não tiver alguém para contar as minhas histórias, e ouvir as histórias desse alguém. Quando eu não tiver que fazer vaquinha pra comprar uma Coca, ou colocar umas moedinhas no porquinho da confraternização. Quando não sentir vontade de esganar alguém... enfim, acho que ficarei bem, apesar da saudade que sentirei de todos, por ter convivido e dividido tantos bons momentos. Seu Júlio, Jô, Lorena e Seu João, com quem passei mais tempo, obrigado por tudo. Aos outros, com quem a convivência foi menor, e com quem aprendi tantas coisas, desejo sempre sucesso. Continuem forte na luta. Ao Ben, meu profundo agradecimento por ter aceitado o desafio. Ao Raimundinho, pelas missões secretas realizadas. E, claro, à Rosa, por fornecer todas as manhãs o nosso combustível (café). Confesso que eu mais bebia do que trabalhava. E claro, a quem já passou por aqui e, mais do que grandes profissionais, se mostraram grandes amigos. Carregarei vocês para sempre em meu coração. Aos correspondentes de outros municípios, obrigado pelo companheirismo e empenho, apesar de sempre darem bastante trabalho, e entregarem o material quando o deadline já tinha ido pro espaço...
Como este é o meu último editorial, não queria parar de escrever, para que este momento não tivesse fim. Mas o meu editor já está meio impaciente, com a barriga roncando de tanta fome, e não acho que seja justo com ele, afinal já estive na pele dele, e sei que ele já deve ter pensado em 10 maneiras diferentes de como me matar. E como eu não quero que isso aconteça, vou ficar por aqui.
Mais uma vez, muito obrigado! Forte abraço.

Super propaganda do Jornal.

Um dia normal de trabalho...

Outro dia normal de trabalho...

Vaquinha pra cortar a juba

Homenagem do Banco da Amazônia

Homenagem do Corpo de Bombeiros 

Ensaio Fotográfico I

Ensaio Fotográfico II
Ensaio Fotográfico III

Protesto #ogiganteacordou

Jogo do Brasil na Copa das Confederações

Churrasco com o povo do jornal

Outro povo do jornal

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Histórias da Dona Márcia II

Lugar na fila




Este ano o Seu Luiz passou o Dia dos Pais distante de nós. Ele teve que viajar bem no dia 11 de agosto. Por ser uma data tão especial, não podíamos deixa-lo ir sem que ganhasse algum presentinho.
Então, na véspera, eu, meu irmão e minha mãe fomos à caça de algo do agrado do Seu Luizão (o que não é tão simples).
Acabamos chegando à Yamada. Estava uma loucura. Pior que a bagunça do local, com as coisas todas jogadas pelo chão, era o nível da beleza humana encontrada ali. Sem exagerar, parecia que estávamos no show do Zezé Di Camargo e Luciano. Filas gigantescas de gente feia. E bote feia nisso.
Eu e meu irmão escolhemos os presentes que daríamos ao véinho e, depois, tentamos localizar a Dona Márcia. Após alguns instantes, ela aparece.
- E aí, mãe, bora?!
- Já escolheram os presentes?
- Já. A senhora também vai dar presente pro pai?
- Não. Esse aqui é pra mim... – disse, sorrindo com os olhos.
- O negócio é encarar essa fila.
- Não precisa, Jo, eu tenho um lugar naquela outra fila.
- Tem?! Então bora lá. Qual é o lugar da senhora?
Ela prontamente respondeu:
- Tenho. Eu sou a última da fila.
Eu e meu irmão não aguentamos. Caímos na gargalhada, no meio de todo mundo, naquela loja lotada.
- Mãããe, quer matar a gente de rir?! Se a senhora é a última, a senhora não tem lugar. Melhor a gente ficar nessa aqui mesmo.
- É claro que eu tenho. Eu tô atrás daquela moça morena, magrinha, da blusa azul, que é a última da fila. Lá que é o meu lugar.
Bem que eu e meu irmão nos esforçamos para enxergar a tal blusa azul, mas sabe como é, o daltonismo de vez em quando nos atrapalha.
Acabamos ficando na fila em que já estávamos, apesar de o lugar maravilhoso que a mamãe tinha conseguido...
Desta vez a história aqui relatada não precisou da ajuda da minha imaginação. Então, Dona Márcia, a sra. não tem motivos para ficar brava comigo. Afinal, eu te amo!

Dona Márcia em sua passagem pelo Caribe

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Histórias da Dona Márcia I

Pizza de vento


Passava um pouco da meia noite quando meu irmão resolveu mandar uma mensagem para nossa mãe.

- Véinha, prepara uma pizza aí que a gente tá chegando.

Antes de irmos para casa, fomos a um mercadinho comprar refrigerante para acompanhar.

Ao chegar em casa, encontramos a cozinha vazia. E, o pior, sem sinal da pizza.

- Mãe!!! – gritamos, carinhosamente.

Após alguns instantes, escutamos a Dona Márcia descendo as escadas.

- Recebeu o nosso recado?

- Recebi... mas achei que era brincadeira.

- Mãe, não se brinca com fome.

- Se quiserem, eu faço agora, bem rapidinho...

- Claro que a gente quer. Compramos até refrigerante.

3 minutos depois.

- Não precisa colocar calabresa, né?

- Não, mãe. O que der menos trabalho pra senhora.

2 minutos depois.

- Vão querer azeitona? Tem na geladeira, mas já tá acabando.

- Não, mãe. Pode ser sem azeitona.

1 minuto depois.

- Tem pouco queijo... precisa colocar?

- Pow, mãe. E existe pizza sem queijo? Então nem precisa colocar nada, a gente come só a massa.

- Sério? Que bom. Já ia falar que não tinha molho mesmo...



Antes que eu receba umas boas palmadas da minha amada mãe, vou logo alertando que, talvez, nem todos os fatos da história narrada acima sejam verídicos. Minha imaginação pode ter dado outro rumo aos acontecimentos...

Já posso sair do castigo, mamãe?