terça-feira, 13 de janeiro de 2026

#LQL - Shinsetsu: O Poder da Gentileza

 


Iniciar o ano novo com essa leitura já é um excelente primeiro passo - independente do pé usado para isso.

Clóvis - o maior vivo que temos entre nós - nos ajuda a compreender melhor todo o significado de Shinsetsu. Ao longo do livro, utiliza-se de uma infinidade de exemplos para deixar bem claro.

Shinsetsu é um modo de vida. Para muitos, o único. É inconcebível pensar em outro jeito de gastar o seu tempo aqui na terra. Para os brasileiros, nem tanto. Estamos muito distantes de algo como isso. E o próprio Clóvis tem uma frase que expressa bem: "ainda bem que eu nasci onde nasci. Porque ensinar ética para esses caras (japoneses) seria um trabalho de louco". 

Shinsetsu é fazer o bem. É viver o bem. Não porque tem alguém olhando. Não porque se tem medo de julgamento. Não porque se deseja algo em troca, nesta ou em qualquer outra vida. Mas porque fazer o certo, sempre, é o único jeito de se viver. Não há espaço para outra forma. Não há espaço para vantagens, para egoísmo, para vaidade. O meu conforto não vem antes do outro. A minha necessidade não é mais importante que a do outro.

De um bom dia a devolver uma mala cheia de dinheiro, você age sem querer tirar vantagens ou esperar ser recompensado de alguma forma. Você não espera nem um sorriso que seja. E a reação do outro não lhe desencadeia nada desagradável. "Nossa, dei um bom dia e a pessoa nem me olhou. Nunca mais faço isso". Isso não existe. Você vai dar o bom-dia porque é o certo. Porque é o jeito de construir um mundo mais cordial, gentil e feliz. Independente da reação dos outros.

É uma leitura obrigatória para quem deseja estar sempre em evolução. Para quem deseja ser a diferença.

Autor: Clóvis de Barros Filho
Editora: Planeta
Páginas: 272
Publicação: junho de 2018

Pequeno Amor | - 14h

 Era quase 7h da noite de uma sexta-feira. 

- Amor, corre aqui! - disse ela, no banheiro.

- O que foi? - perguntei, chegando na porta.

- Será que é a bolsa? - disse, tentando sentir a textura do líquido que escorria entre as pernas.

- Deve ser! 

- Parece meio gorduroso, mas não tô sentindo o cheiro.

- Vamos para o hospital. Deve ser a bolsa. Fala com a médica!

E comecei a arrumar as roupas na bolsa azul. 

- O que precisamos levar?

- Será que é? Não tá vazando muito.

- Vamos! Temos que ir. O que precisamos levar pra ela? As coisas estão arrumadas na bolsa maternidade?

Fizemos o que deu. Pegamos o que deu.

Eu, no carro, e ela:

- Não tô achando meu carregador. Acho que caiu aqui no chão!

- Vamos! Eu tô com o meu. Só entra no carro.

A pressa tem uma explicação extra: moramos na zona rural. São 30 km até a cidade mais próxima. 

- A médica respondeu?

- Não.

- Então liga.


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- Oi, Luciana. Boa noite. Viu minhas mensagens?

- Eu ia ver agora. Aconteceu alguma coisa?

- Então... acho que a bolsa rompeu. Está saindo um líquido meio gorduroso.

- Com certeza é. Está com quantas semanas?

- 36 e 1 dia.

- Olha... com esse tempo a gente não consegue fazer o parto em Paragominas. Pode precisar de UTI e não temos aqui. Recomendo que você vá para o Hospital Municipal, que vão te encaminhar pra Belém, tá?


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Como havíamos acabado de sair de casa, fizemos a volta. Pelo menos para deixar a cópia da chave com uma das vizinhas. Não tínhamos pensado na possibilidade de termos que ir para tão longe. Belém fica a 400km. E como temos nossos bichinhos (duas cachorras e quatro gatos), alguém ia precisar alimentá-los, pelo menos. E assim fizemos.