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terça-feira, 13 de janeiro de 2026

#LQL - Shinsetsu: O Poder da Gentileza

 


Iniciar o ano novo com essa leitura já é um excelente primeiro passo - independente do pé usado para isso.

Clóvis - o maior vivo que temos entre nós - nos ajuda a compreender melhor todo o significado de Shinsetsu. Ao longo do livro, utiliza-se de uma infinidade de exemplos para deixar bem claro.

Shinsetsu é um modo de vida. Para muitos, o único. É inconcebível pensar em outro jeito de gastar o seu tempo aqui na terra. Para os brasileiros, nem tanto. Estamos muito distantes de algo como isso. E o próprio Clóvis tem uma frase que expressa bem: "ainda bem que eu nasci onde nasci. Porque ensinar ética para esses caras (japoneses) seria um trabalho de louco". 

Shinsetsu é fazer o bem. É viver o bem. Não porque tem alguém olhando. Não porque se tem medo de julgamento. Não porque se deseja algo em troca, nesta ou em qualquer outra vida. Mas porque fazer o certo, sempre, é o único jeito de se viver. Não há espaço para outra forma. Não há espaço para vantagens, para egoísmo, para vaidade. O meu conforto não vem antes do outro. A minha necessidade não é mais importante que a do outro.

De um bom dia a devolver uma mala cheia de dinheiro, você age sem querer tirar vantagens ou esperar ser recompensado de alguma forma. Você não espera nem um sorriso que seja. E a reação do outro não lhe desencadeia nada desagradável. "Nossa, dei um bom dia e a pessoa nem me olhou. Nunca mais faço isso". Isso não existe. Você vai dar o bom-dia porque é o certo. Porque é o jeito de construir um mundo mais cordial, gentil e feliz. Independente da reação dos outros.

É uma leitura obrigatória para quem deseja estar sempre em evolução. Para quem deseja ser a diferença.

Autor: Clóvis de Barros Filho
Editora: Planeta
Páginas: 272
Publicação: junho de 2018

sábado, 1 de abril de 2017

#LQL - A Metamorfose

A Metamorfose (Die Verwandlung em alemão) é uma novela escrita por Franz Kafka, publicada pela primeira vez em 1015.

Veio a ser o texto mais conhecido, estudado e citado da obra de Kafka. Apesar de ter sido publicada em 1915, foi escrita em novembro de 1912 e concluída em vinte dias.

Em 7 de dezembro de 1912, Kafka escrevia à sua noiva, Felice Bauer: "Minha pequena história está terminada".

Enredo

Nesta obra de Kafka, ele descreve uma caixeiro viajante que abandona suas vontades e desejos para sustentar a família e pagar a dívida dos pais, tendo o nome de Gregor Samsa. Numa certa manhã, Gregor acorda metamorfoseado em um inseto monstruoso. Kafka descreve este inseto como algo parecido com uma barata gigante. Nos primeiros momentos, o livro descreve as dificuldades iniciais de Gregor na nova forma. Uma ironia presente neste trecho do livro é que Gregor não se preocupa com sua transformação, mas sim como está atrasado para o trabalho.

Quando Gregor, após muita dificuldade, consegue abrir a porta, todos se assustam, seu pai, sua mãe, inclusive o gerente que sai correndo. O Sr. Samsa avança contra ele, forçando-o a entrar de volta no quarto. Após esse episódio, Gregor é demitido, sua família o rejeita e sua única companhia é ele mesmo. Apenas em alguns momentos, a irmã mostra certa compaixão por ele.

No decorrer da história, o autor narra as angústias de Gregor, que sem conseguir fazer nada, ouve sua família discutindo entre si como se sustentar, já que sua única renda havia ido embora. Nisso, Grégor sente uma forte angústia por não poder fazer nada, nem opinar sobre o que fazer. Nesses tempos, Grete vê os rastros de Grégor nas paredes e no teto de seu quarto, então percebe que Grégor tem falta de espaço, assim, ela e sua mãe vão tirar os móveis do quarto dele. O problema é que o inseto foge do quarto, mas ao sair, se depara com seu pai que o ataca com maçãs, e uma delas penetra em suas costas, causando tanta dor que o faz desmaiar.

No final das contas os Samsa, (sem contar com a opinião de Gregor, claro) decidem alugar um quarto para ter alguma fonte de renda. O quarto é alugado por três inquilinos, que vivem na casa por um tempo. Em um certo dia, Ana esquece uma fresta da porta, que ligava a sala ao quarto de Grégor, aberta. Na hora da jantar, Grete tocava seu violino para os inquilinos. Grégor, do seu quarto, ouve e fica tão encantado com o som que segue em direção à sala de jantar. Nos primeiros momentos, ninguém o percebe, mas após alguns segundos um dos inquilinos o vê e grita. Sr. Samsa tenta afastar os inquilinos de modo que não vejam o inseto e ao mesmo tempo fazer com que a criatura volte para o seu quarto. Depois desse incidente, Grete, a única que ainda via Gregor como seu irmão e não como um monstro horroroso que atormentava a sua família, perde toda a compaixão e chega á conclusão que eles devem se livrar dele.

No passar do tempo, o autor fala várias vezes sobre a maçã apodrecendo em suas costas, o que é retratado com um sentido simbólico como o ódio de sua família por ele. Depois de certo período, a maçã causa a morte de Gregor. Logo depois de Ana acabar de limpar o quarto do falecido, a família sai da casa feliz. Já não pensavam na morte de Gregor e viam certa esperança em um futuro próximo, em que poderiam comprar uma casa mais confortável.

Também se mostra interessante que, durante a história, Kafka mostra três períodos da relação da família perante Gregor. No primeiro, ela sente medo; no segundo o aceita, mas o esconde do mundo; já no terceiro, o odeia, o vê como um peso desnecessário e quer se livrar dele.

Fonte: Wikipédia

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

#LQL – Cinza e Osso



Aproveitei o domingo chuvoso para concluir Cinza e Osso. Agora que concluí, penso que talvez teria sido melhor fazer outra coisa. O livro, antes de tudo, é extenso. Não por ter 448 páginas, mas pelo fato de John Harvey não conseguir desenvolver de maneira satisfatória e ritmada a história. São muitos detalhes desnecessários que – em boa parte - ao invés de ajudar a contextualizar a narrativa e agregar fatos interessantes, quebram a sequência e empacam a leitura.

Durante todo o livro eu fiquei com a sensação de que iria acontecer alguma coisa e, para minha tristeza, nada aconteceu. São três histórias que caminham paralelamente, com pontos que se cruzam, mas que não causam nenhuma expectativa. O cenário criado no início se mantém até o final. Sem surpresas. Sem nada.

Também achei fraca a construção das figuras principais da narrativa – protagonista e antagonistas. Está certo que os vilões não precisam agradar ninguém, mas devem possuir características fortes, marcantes. E o cara principal não causa nenhuma sensação... 

SINOPSE ORIGINAL 
Em Cinza e Osso, Frank Elder vive uma espartana e solitária existência na isolada costa da Cornualha. Em busca de paz, ele tenta entender o que deu errado em seu casamento, a infidelidade da esposa impossível de ignorar. Procurando isolamento, abandona tudo o que é familiar: a carreira como detetive, a mulher e a filha adolescente, Katherine. Mas seu retiro é quebrado por um telefonema da ex-esposa, preocupada com o comportamento cada vez mais inconstante da filha.

Os temores de Elder são agravados pelo sentimento de culpa: foi seu envolvimento num caso que conduziu ao sequestro e estupro da jovem. A crescente inquietação com a menina o leva de volta à ativa: Elder reabre uma investigação que pode ter repercussões devastadoras para toda a divisão de homicídios. E ele precisa aprender a controlar seus próprios demônios para descobrir a verdade.

Horripilante, indispensável, essencial, Cinza e Osso aborda vários temas — violências doméstica e sexual, corrupção, assassinatos. Harvey volta a acertar em cheio, abalando nervos e acelerando corações, enquanto nos conduz a passos firmes através de uma complexa trama cujos vários elementos mantém em perfeita sintonia. 

CINZA E OSSO
Autor: John Harvey
Editora: Record
Páginas: 448 
Nota: 5

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

#LQL - Não Conte a Ninguém



Este é um dos melhores livros que li ultimamente. Ainda não havia lido nenhuma obra de Harlan Coben. Confesso que me surpreendi.

A narrativa é muito boa, intercalando fragmentos em primeira e terceira pessoas.

O livro agrada logo de cara. Não é preciso muito para gostar da história e querer desvendar o mistério que a cerca.

O quebra cabeça é montado aos poucos. A cada capítulo novos detalhes são revelados. Mas eles não são suficientes para matar a charada e acabar a graça do livro. É preciso ler até a última linha para entender tudo que se passa no mundo protagonizado por Dr. David Beck e Elizabeth.

Vou tentar contextualizar... 

Oito anos atrás o pediatra David Beck perdeu a esposa de modo trágico. Eles foram ao lago Charmaine comemorar o 13º aniversário do primeiro beijo. O ritual cafona (como diria Beck) teve final trágico. Após gravar mais uma barra, acima das iniciais de seus nomes, no tronco da árvore escolhida, eles vão nadar no lago. Este seria o último momento em que estariam juntos.

Beck foi brutalmente atacado e Elizabeth sequestrada.

Dias depois, o corpo da esposa foi encontrado com um K marcado em seu rosto. Esta era a marca do mais procurado serial killer da região. O crime parecia resolvido. As pessoas seguiram suas vidas. Exceto Beck, que nunca aceitou a perda.

Após oito anos, vários acontecimentos trouxeram o caso à tona. Em uma mistura de ação e suspense, o médico investiga o que de fato aconteceu no passado e se surpreende com o que o destino o reserva. 

NÃO CONTE A NINGUÉM
Autor: Harlan Coben
Editora: Sextante
Páginas: -
Nota: 8

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

#LQL - Cultura da Convergência

Henry Jenkis, no livro Cultura da Convergência, traz importantes discussões sobre a mídia no século 21. Na obra, ele contextualiza a convergência midiática como processo cultural, as narrativas transmidiáticas e as novas necessidades dos consumidores por meio de exemplos de produtos de absoluto sucesso comercial na TV, no cinema, nos games, na publicidade e na política.
Na obra, ele cita Matriz, por exemplo, para explicar como se deu essa virada nas narrativas trasmidiáticas e como a crítica reagiu a isso. As pessoas puderam consumir e viver os diversos personagens de forma intensa. Quem só assistiu aos filmes, teve uma experiência mais superficial. Quem, além dos filmes, leu as histórias em quadrinhos, teve uma experiência mais profunda. E quem ainda jogou o game, pôde conhecer o mundo Matriz bem mais a fundo. De certa forma, as múltiplas plataformas são autônomas. Quem consumiu apenas um produto, não ficou perdido na história. Da mesma forma que também são dependentes. Para alcançar a plenitude da narrativa, seria necessário ter acesso às múltiplas ferramentas. Alguns personagens, por exemplo, tiveram a história mais desenrolada no game do que nos filmes. Parte da crítica, acostumada com o cinema tradicional, não reagiu bem ao novo modelo convergente.
É importante definir que o autor diz que a convergência não se reduz apenas a desenvolver várias plataformas que possibilitam múltiplas experiências ao consumidor, ou reunir em um só local várias ferramentas. A convergência faz parte de uma transformação cultural, em que os consumidores são incentivados a sempre estar em busca de novas informações. Assim, a convergência acontece dentro dos consumidores e reflete em suas interações sociais. O perfil do mercado consumidor se modificou bastante nas últimas décadas.
As pessoas não são mais meras expectadoras. Agora elas são participantes. Não se contentam apenas em assistir ou ouvir. Querem, também, produzir. Votam em quem desejam que seja eliminado de um reality show, criam comunidades online para debater os próximos capítulos de sua série favorita, fazem produções independentes ou escrevem histórias de finais alternativos.
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
Autor: Henry Jenkins
Tradução: Plínio Augusto de Souza
Editora: Aleph
Páginas: 428 
Ano: 2009

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

#LQL - Modernidade Líquida


O sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra Modernidade Líquida, questiona e contextualiza os parâmetros da sociedade contemporânea. O autor revela as fragilidades, incertezas e inseguranças proporcionadas pela liquidez em cinco conceitos básicos da condição humana (emancipação; individualidade; tempo e espaço; trabalho; comunidade), em contraponto às certezas, segurança e tradição da ‘Modernidade Sólida’. Aquela em que as relações humanas estavam consolidadas por um modelo antigo pré-existente.
A Modernidade Líquida, trazida por Bauman, é associada à sociedade atual por conta da fluidez. O líquido não tem forma, por isso se molda a qualquer recipiente em que estiver inserido. Os fluidos se adaptam a qualquer realidade sem que haja esforço. Penetram nos lugares facilmente e, muitas vezes, são difíceis de serem contidos. Essa é a dinâmica da sociedade atual. Ela se transforma de maneira acelerada. O sólido, para se modificar, é preciso que haja muito esforço.
Um dos conceitos abordados por Bauman é a emancipação. O autor questiona se a liberdade seria uma benção ou maldição, já que o indivíduo é livre para agir de acordo com suas necessidades e desejos, mas também a ele recai a responsabilidade por seus atos. Na Modernidade Sólida, a emancipação se apresentou como problema, porque as pessoas não apresentavam mais o desejo de serem libertadas, de serem livres de suas limitações, de agir conforme bem entendessem, de criar o seu próprio caminho.
Na modernidade líquida, isso muda. As pessoas começam a se lançar em seus impulsos, sem ter amarras para segurá-las. O indivíduo passa de agente passivo para agente ativo, de expectador para ator. 
No tocante à individualidade, o autor fala do agente consumidor, que agora sua frustração maior não é não ter o produto, mas se decidir a escolher apenas uma entre as muitas opções. A fluidez do capitalismo abre essa possibilidade. Cada indivíduo tem a chance de escolher aquilo que mais lhe agrada. Nada é imposto, ao consumidor. De diferentes formas, ele deve ser conquistado, seduzido.
Um dos efeitos mais significativos da Modernidade Líquida é a relação tempo/espaço. Com a dinâmica das relações sociais, a vida se transformou em diversas escolhas com infinitas possibilidades. As coisas se desenrolam com grande rapidez. As escolhas devem ser feitas sem perda de tempo. Os momentos devem ser vividos de forma imediata e intensa. O depois não mais existe. Só o agora é que vale. Por isso as pessoas falam com grande frequência que o ‘tempo passa cada vez mais rápido’.
Na questão relativa ao trabalho, uma mudança clara é percebida na sociedade inserida na Modernidade Líquida. A atual geração não tem mais como ideal de carreira entrar em uma empresa ainda bastante novo e lá ir subindo os degraus rumo às hierarquias superiores, até chegar ao topo e, posteriormente, gozar de sua aposentadoria. Na dinâmica líquida, o indivíduo não tem esse pensamento a longo prazo. Ele aproveita as oportunidades que têm, não fazendo uso da estabilidade que conseguiria se continuasse no mesmo emprego. Como o autor diz, o longo prazo é substituído pelo curto prazo, sendo necessários ajustes ao longo do percurso.
Por fim, Bauman entra no tema da comunidade. E ele diz que é importante que o indivíduo participe e interaja com o meio, mesmo que as regras estabelecidas colidam com a liberdade individual. O autor menciona que a figura do ‘clokroom’ é fundamental. Esse termo, ou comunidade de carnaval, refere-se ao fato de o indivíduo se vestir de acordo com a ocasião, se moldar conforme o espetáculo. Ele também fala sobre a nova relação com o capital, em que se tornou menos dependente, após as pessoas adquirirem certa liberdade de ação. No capital pesado, havia mais dependência. No entanto, em uma comunidade de capital leve o indivíduo viverá em constante conflito entre a liberdade individual e a responsabilidade coletiva.
MODERNIDADE LÍQUIDA
Autor:
Zygmunt Bauman
Tradução:
Plínio Augusto de Souza
Editora: Zahar
Páginas: 280

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

#LQL - Como parar de planejar e começar a fazer

Este ebook é interessante porque trata de um problema muito comum na vida profissional das pessoas, principalmente dos jovens: planejamento sem ação. De nada adiantar planejar, planejar, planejar e nunca conseguir construir algo, nunca fazer algo concreto. Isso acontece por vários motivos. Às vezes não sabemos direito o que queremos, por isso pensamos em uma série de coisas ao mesmo tempo, sem que façamos qualquer uma delas.

O autor lista sete itens que podem ajudar a passar de agente passivo para agente ativo. São elas:


#1 – Leia, mas leia muito

#2 – Esteja cercado de gente nível A
#3 – Produza, entregue, avance
#4 – Envolva-se com projetos interessantes
#5 – Não gaste dinheiro
#6 – Não fique obcecado com a “felicidade”
#7 – Seja uma pessoa sólida

Para conferir mais dicas sobre produtividade, tentar entender um pouco melhor a mente humana ou a busca pela felicidade, visite o site Estrategistas. Se quiser ótimas recomendações de leituras, inscreva-se aqui.


Está cansado de planejar e quer começar a fazer? Eu também já estive assim. Tinha tanta coisa legal que eu queria fazer, mas nunca conseguia tirar as ideias do papel. Para começar, eu não sabia o que fazer com minha vida. Estava perdido entre as várias opções possíveis. Depois, tinha muita dificuldade em parar de planejar e começar a ação.
Aos poucos, comecei a agir (os princípios que descrevo abaixo) meio que sem perceber, absorvendo conhecimento de mentores e bons livros. Quando eu acordei certo dia, notei que tinha colocado muita coisa legal no mundo e estava no caminho para criar mais.


COMO PARAR DE PLANEJAR E COMEÇAR A FAZER
Autor: Paulo Roberto
Download do livro

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

#LQL - O Rei de Havana


Este, talvez, tenha sido o livro mais diferente que li. Ele conta a curta história de um adolescente que mora na deplorável Havana (Cuba), o Reynaldo. Por lá ele vive intensas histórias regadas a rum, maconha e sexo.

Após perder, na mesma hora, a mãe, o irmão e a avó, a vida do adolescente muda drasticamente. Ele é levado para uma instituição de menores, onde enfrenta algumas situações que não consegue suportar, e foge.

Depois disso, tenta ser dono de si, mas vive constantemente fugindo da polícia. Sua companheira inseparável é a fome. É ela quem o guia diariamente. Para suprir esta necessidade, faz de tudo. Rouba pães, vasculha restos nos lixos, furta turistas, pede esmolas e, também, arruma uns bicos. Mas nada que dure muito. Com temperamento difícil, orgulhoso e ciumento, arruma problemas por onde passa.

A narrativa é envolvente. Tão envolvente quanto os casos amorosos do Rey. A linguagem, pesada e direta. As descrições, realísticas.

Se você for cheio(a) de mimimi, nem perca seu tempo. O livro é para maiores de 18 anos.

Só lendo para descobrir o porquê de o Reynaldo ser o Rei de Havana.
“No meio da briga, a gozação da putinha o machuca ainda mais. Dá um forte empurrão na mãe e a joga de costas contra o galinheiro. De um canto da gaiola, projeta-se uma ponta de cabo de aço que se crava em sua nuca até o cérebro. A mulher nem grita. Abre os olhos com horror, leva as mãos ao ponto onde entrou o aço. E morre apavorada. Em segundos, forma-se uma poça de sangue grosso e de líquidos viscosos. Ela morre com os olhos abertos, horrorizada. Nelson vê aquilo e de repente desaparece o ódio que sente pela mãe. É inundado de dor e de pânico.
- Ai, minha mãe! O que foi que eu fiz, o que foi isso? 
Agarra a mãe, tentando levantá-la, mas não consegue. Está espetada pela nuca na ponta do cabo de aço. 
- Eu matei ela, matei ela! 
Gritando como um louco, sai correndo pelo beiral da cobertura e se atira na rua. Não sente o estrépito do seu crânio ao se arrebentar no asfalto quatro andares abaixo. Morreu igual à mãe, com uma expressão veemente de crispação e de terror. 
A avozinha viu aquilo tudo sem se mexer de seu lugar, sentada num caixote de madeira podre. Sem fazer nem um gesto, fechou os olhos. Não podia viver mais. Já era demais. O coração dela parou. Caiu para trás e ficou recostada na parede, impávida como uma múmia.”

O REI DE HAVANA
Autor:
Pedro Juan GutiérrezTradução: José Rubens Siqueira

Editora: Companhia das Letras
Páginas: 226

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