Era quase 7h da noite de uma sexta-feira.
- Amor, corre aqui! - disse ela, no banheiro.
- O que foi? - perguntei, chegando na porta.
- Será que é a bolsa? - disse, tentando sentir a textura do líquido que escorria entre as pernas.
- Deve ser!
- Parece meio gorduroso, mas não tô sentindo o cheiro.
- Vamos para o hospital. Deve ser a bolsa. Fala com a médica!
E comecei a arrumar as roupas na bolsa azul.
- O que precisamos levar?
- Será que é? Não tá vazando muito.
- Vamos! Temos que ir. O que precisamos levar pra ela? As coisas estão arrumadas na bolsa maternidade?
Fizemos o que deu. Pegamos o que deu.
Eu, no carro, e ela:
- Não tô achando meu carregador. Acho que caiu aqui no chão!
- Vamos! Eu tô com o meu. Só entra no carro.
A pressa tem uma explicação extra: moramos na zona rural. São 30 km até a cidade mais próxima.
- A médica respondeu?
- Não.
- Então liga.
_____________XXX____________
- Oi, Luciana. Boa noite. Viu minhas mensagens?
- Eu ia ver agora. Aconteceu alguma coisa?
- Então... acho que a bolsa rompeu. Está saindo um líquido meio gorduroso.
- Com certeza é. Está com quantas semanas?
- 36 e 1 dia.
- Olha... com esse tempo a gente não consegue fazer o parto em Paragominas. Pode precisar de UTI e não temos aqui. Recomendo que você vá para o Hospital Municipal, que vão te encaminhar pra Belém, tá?
______________XXX______________
Como havíamos acabado de sair de casa, fizemos a volta. Pelo menos para deixar a cópia da chave com uma das vizinhas. Não tínhamos pensado na possibilidade de termos que ir para tão longe. Belém fica a 400km. E como temos nossos bichinhos (duas cachorras e quatro gatos), alguém ia precisar alimentá-los, pelo menos. E assim fizemos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Faça-me feliz. Comente aqui :)