terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Pequeno Amor | 14h antes

 Era quase 7h da noite de uma sexta-feira. 

- Amor, corre aqui! - disse ela, no banheiro.

- O que foi? - perguntei, chegando na porta.

- Será que é a bolsa? - disse, tentando sentir a textura do líquido que escorria entre as pernas.

- Deve ser! 

- Parece meio gorduroso, mas não tô sentindo o cheiro.

- Vamos para o hospital. Deve ser a bolsa. Fala com a médica!

E comecei a arrumar as roupas na bolsa azul. 

- O que precisamos levar?

- Será que é? Não tá vazando muito.

- Vamos! Temos que ir. O que precisamos levar pra ela? As coisas estão arrumadas na bolsa maternidade?

Fizemos o que deu. Pegamos o que deu.

Eu, no carro, e ela:

- Não tô achando meu carregador. Acho que caiu aqui no chão!

- Vamos! Eu tô com o meu. Só entra no carro.

A pressa tem uma explicação extra: moramos na zona rural. São 30 km até a cidade mais próxima. 

- A médica respondeu?

- Não.

- Então liga.


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- Oi, Luciana. Boa noite. Viu minhas mensagens?

- Eu ia ver agora. Aconteceu alguma coisa?

- Então... acho que a bolsa rompeu. Está saindo um líquido meio gorduroso.

- Com certeza é. Está com quantas semanas?

- 36 e 1 dia.

- Olha... com esse tempo a gente não consegue fazer o parto em Paragominas. Pode precisar de UTI e não temos aqui. Recomendo que você vá para o Hospital Municipal, que vão te encaminhar pra Belém, tá?


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Como havíamos acabado de sair de casa, fizemos a volta. Pelo menos para deixar a cópia da chave com uma das vizinhas. Não tínhamos pensado na possibilidade de termos que ir para tão longe. Belém fica a 400km. E como temos nossos bichinhos (duas cachorras e quatro gatos), alguém ia precisar alimentá-los, pelo menos. E assim fizemos.

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