quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Pequeno Amor | 13h antes


Chegamos ao Hospital Municipal de Ulianópolis. Sexta-feira à noite. A recepção estava vazia. O atendimento foi rápido. Em minutos encaminharam para a avaliação médica. No entanto, o médico estava em procedimento cirúrgico e poderia demorar para avaliar.

- Amor, está saindo muito líquido. O absorvente não está dando conta mais. Pode ir comprar fralda?

- Geriátrica?

- Não. Tem uma pós-parto. Ela é tipo uma cuequinha.

Saí, parei no posto para abastecer, porque o combustível já estava na reserva.

- Pega lanche - ela pede por mensagem.

Abasteci, fui à farmácia. 10 min depois ela avisa.

- Vida, o médico fez o exame do toque. Tô com 4 pra 5 cm. Vai me encaminhar. Só que doeu na hora do exame. Não sei se minha bolsa rompeu. Eu vim no banheiro porque saiu um monte de água.

- Caramba, vida. Encaminhar pra Belém?

- Imperatriz (MA). É mais perto. Vamos de ambulância.

- O que significa essa dilatação? - perguntei.

- Que eu já tô em trabalho de parto.

15 minutos depois eu retorno para o hospital. Na entrada, já me perguntam: você já está trazendo as coisas? A ambulância já está chegando.

Volto no carro. Estaciono bem em frente ao hospital, onde as câmeras de monitoramento tem visão, pego nossas coisas e entro no hospital.

Às 21h13 saímos de ambulância com destino a Imperatriz. Eu na frente, com o motorista. Ela atrás, deitada na maca, com a técnica de enfermagem. Fizemos uma única parada em Dom Eliseu para a subida do médico.

Primeira vez andando de ambulância e não recomendo a ninguém. Pensei que nem chegaríamos vivos para conhecer a nossa filha. Achei que estávamos indo rápidos, mas não sabia o quanto. Até olhar para o velocímetro da van e ver o ponteiro quase colocado ao limite. O motorista mantinha entre 150 e 160km/h. Como o giroflex não estava funcionando, ia na contramão, quando precisa ultrapassar, dando luz alta para os carros que vinham. Entrei em pânico. 

Na parada em Dom Eliseu, às 21h47, passei para a parte de trás. "Prefiro nem ver", pensei. Maior besteira que fiz. Mal saímos e já comecei a suar frio. Como o banco é no sentido da lateral do veículo, não parava de sambar a cada acelerada ou freada. Foi um desespero só. 

Às 23h16 chegamos ao hospital em Imperatriz. 

Ulianópolis > Imperatriz: 208 km em 2h03.




terça-feira, 13 de janeiro de 2026

#LQL - Shinsetsu: O Poder da Gentileza

 


Iniciar o ano novo com essa leitura já é um excelente primeiro passo - independente do pé usado para isso.

Clóvis - o maior vivo que temos entre nós - nos ajuda a compreender melhor todo o significado de Shinsetsu. Ao longo do livro, utiliza-se de uma infinidade de exemplos para deixar bem claro.

Shinsetsu é um modo de vida. Para muitos, o único. É inconcebível pensar em outro jeito de gastar o seu tempo aqui na terra. Para os brasileiros, nem tanto. Estamos muito distantes de algo como isso. E o próprio Clóvis tem uma frase que expressa bem: "ainda bem que eu nasci onde nasci. Porque ensinar ética para esses caras (japoneses) seria um trabalho de louco". 

Shinsetsu é fazer o bem. É viver o bem. Não porque tem alguém olhando. Não porque se tem medo de julgamento. Não porque se deseja algo em troca, nesta ou em qualquer outra vida. Mas porque fazer o certo, sempre, é o único jeito de se viver. Não há espaço para outra forma. Não há espaço para vantagens, para egoísmo, para vaidade. O meu conforto não vem antes do outro. A minha necessidade não é mais importante que a do outro.

De um bom dia a devolver uma mala cheia de dinheiro, você age sem querer tirar vantagens ou esperar ser recompensado de alguma forma. Você não espera nem um sorriso que seja. E a reação do outro não lhe desencadeia nada desagradável. "Nossa, dei um bom dia e a pessoa nem me olhou. Nunca mais faço isso". Isso não existe. Você vai dar o bom-dia porque é o certo. Porque é o jeito de construir um mundo mais cordial, gentil e feliz. Independente da reação dos outros.

É uma leitura obrigatória para quem deseja estar sempre em evolução. Para quem deseja ser a diferença.

Autor: Clóvis de Barros Filho
Editora: Planeta
Páginas: 272
Publicação: junho de 2018

Pequeno Amor | 14h antes

 Era quase 7h da noite de uma sexta-feira. 

- Amor, corre aqui! - disse ela, no banheiro.

- O que foi? - perguntei, chegando na porta.

- Será que é a bolsa? - disse, tentando sentir a textura do líquido que escorria entre as pernas.

- Deve ser! 

- Parece meio gorduroso, mas não tô sentindo o cheiro.

- Vamos para o hospital. Deve ser a bolsa. Fala com a médica!

E comecei a arrumar as roupas na bolsa azul. 

- O que precisamos levar?

- Será que é? Não tá vazando muito.

- Vamos! Temos que ir. O que precisamos levar pra ela? As coisas estão arrumadas na bolsa maternidade?

Fizemos o que deu. Pegamos o que deu.

Eu, no carro, e ela:

- Não tô achando meu carregador. Acho que caiu aqui no chão!

- Vamos! Eu tô com o meu. Só entra no carro.

A pressa tem uma explicação extra: moramos na zona rural. São 30 km até a cidade mais próxima. 

- A médica respondeu?

- Não.

- Então liga.


_____________XXX____________


- Oi, Luciana. Boa noite. Viu minhas mensagens?

- Eu ia ver agora. Aconteceu alguma coisa?

- Então... acho que a bolsa rompeu. Está saindo um líquido meio gorduroso.

- Com certeza é. Está com quantas semanas?

- 36 e 1 dia.

- Olha... com esse tempo a gente não consegue fazer o parto em Paragominas. Pode precisar de UTI e não temos aqui. Recomendo que você vá para o Hospital Municipal, que vão te encaminhar pra Belém, tá?


______________XXX______________


Como havíamos acabado de sair de casa, fizemos a volta. Pelo menos para deixar a cópia da chave com uma das vizinhas. Não tínhamos pensado na possibilidade de termos que ir para tão longe. Belém fica a 400km. E como temos nossos bichinhos (duas cachorras e quatro gatos), alguém ia precisar alimentá-los, pelo menos. E assim fizemos.