quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Um dia de herói. O resgate aos passageiros do teco-teco.

Tem coisas que nós nunca imaginamos que vamos presenciar. E, quando menos se espera, acontece bem na nossa frente.

A tradição de quem mora em Santarém é aproveitar os feriados e finais de semana curtindo praia. Então, no dia 7 de setembro, eu, a morena e um casal de amigos (Bruno e Priscila, além do neném Benício) fomos para a praia do Carapanari aproveitar a tarde.

A praia é linda. O dia estava perfeito. Sol estalando, céu azul, vento suave.

Após ficarmos na água por algum tempo, fomos nos aconchegar na sombra de uma árvore que fica a poucos metros da água. Estávamos lá, comendo coxinha e amendoim, uns tomando cerveja, outros Schin Guaraná, quando, no alto e distante, vimos um avião bimotor.

- Já fui num avião desse pra São Paulo - disse Priscila.

O avião estava fazendo a volta e embicando para a nossa direção.

Por um momento eu pensei que ele viria em nossa direção. Mas ele passou ao lado, sobre a água, a uns 10 metros de onde estávamos.

Ele estava muito baixo. Ao passar em nossa frente, o Bruno ainda disse para o Benício, de dois anos:

- Dá tchau pro avião, filho. "Tchau, avião".

Mas o avião, quase em câmera lenta, continuou baixando.

- Filma, filma! - falei ao vento, ao ver a cena.

Ele estava baixando, baixando...

- Ah, agora vai querer fazer graça com esse avião, é? - disse o Bruno.

Instantes depois o avião levantou um pouco e caiu no rio.

- Bora, Jô! - gritou ele.

Nós saímos correndo como nunca havíamos corrido na vida. Eu, com 105kg, ele com mais de 90kg. A cada passo, gastávamos toda energia que tínhamos. Meu cérebro entrou em um mundo paralelo que eu não consegui raciocinar mais nada. Só corri. Ao som de Carruagem de Fogo mentalmente. Acho que uns 150 metros.

Acabou a areia, vieram as pedras. Não sentimos nada. Ao me dar conta, já estávamos nadando em direção ao avião.

Nesse ponto eu estava tão cansado que só pedi a Deus: "Senhor, que ninguém precise da minha ajuda, porque não vou conseguir ajudar ninguém".

Não tenho noção de quanto tempo durou tudo isso. Na minha cabeça parece que tudo aconteceu em câmera lenta. Segundos, minutos, não sei.

Ao olhar em volta, parece que estava todo mundo estava tão chocado com a cena que não conseguiram ter reação. Até mesmo na faixa da praia, em frente ao avião, as pessoas não se moviam. 

Ao chegar no avião, estava exausto. Mal conseguia respirar. Quando segurei na asa para puxar um ar, uma mulher, saindo do avião, grita:

- Eu não sei nadar! Eu não sei nadar!

Com o braço livre, agarrei aquela mulher. O desespero bateu. "Eu não consigo nem respirar, como vou ajudar?".

- Me abraça, segura forte em mim e não solta! - gritei para ela. 

Tentei de todas as formas me segurar na asa. Eu não ia conseguir nadar com ela para a beira. Minha mão ficava deslizando e eu tentando, com a unhas, me segurar à lataria do avião. 

Não sei quanto tempo passou. Pode ter sido segundos, mas, para mim, foi uma eternidade. Talvez o pior sentimentos que possamos ter é o de impotência. De querer fazer algo e não conseguir. 

Meu medo era o de me arriscar a nadar com ela e não aguentar. Sempre me falam que o pior salvamento é aquele de quando alguém que não sabe nadar está se afogando. O desespero é capaz de levar os dois para o fundo. A todo instante falava para ela se acalmar. 

A Morena, que também havia corrido para lá, chegou ao meu lado e ajudou a mulher a segurar uma boia que tinham jogado na água. Foi um alívio.

Nós fomos levando ela para a beira.

- Ajudem o meu paciente! Ele é paraplégico, não vai conseguir sair do avião! - gritou a mulher, que é enfermeira. 

Quando ela falou isso, todo mundo ficou doido. Nós não sabíamos quantos passageiros tinham no avião ou quem eram eles. 

Nessa altura, a praia já estava cheia de gente. Não sabíamos quem eram os resgatados e se havia alguém para salvar. 

- Não me solta, eu não sei nadar, não me solta! 

- Coloca o pé no chão, já estamos no raso - disse. 

- Não me solta! - ela continuou a gritar. 

- Coloca o pé no chão, já estamos no raso! - gritei!

Ela pisou no chão e correu para a praia. 

Quando ela falou do paraplégico, isso não saiu da minha mente. Como ele ia se salvar?

Ao virar para voltar ao avião, já vi que o homem estava salvo. 

O Bruno disse que, ao mergulhar em direção ao interior do avião, ele se deparou com o homem que, no instinto de sobrevivência, estava tentando sobreviver de qualquer maneira, nadando só com os braços. Ambos se agarraram e subiram.

Fui até a beira para ajudá-los. Colocamos ele sentadinho em uma grande pedra.

Ao virarmos para retornar ao avião, escutamos um gritinho.

Era o paraplégico. Bateu uma onda que o derrubou na água novamente.

Depois dos atendimentos iniciais prestados aos três passageiros, pelos médicos que estavam no Carapanari (Euler Amaral e Marcos Fortes), eles foram levados ao hospital. Ninguém se machucou.

A partir daí a luta foi para arrastar o avião para a areia.

Foi muito legal ver a solidariedade entre as pessoas. Todo mundo ajudando, cooperando (exceto, claro, vários que preferiram registrar em fotos e vídeos em vez de ajudar, mas...). Muita gente veio de lancha e jet ski oferecer ajuda. E assim o avião foi sendo 'resgatado'.

Depois de muito tempo e esforço, faltavam uns dois metros para o bico do avião sair da água. Foi só aí que os bombeiros chegaram. Quase uma hora já tinha passado.

Isso é incrível, porque se alguém realmente dependesse deles, já teria morrido. E não há qualquer justificativa. A praia é perto da cidade e o aeroporto é mais perto ainda, sendo que lá fica uma equipe do Corpo de Bombeiros justamente para quando há necessidade.


O que seria da enfermeira que não sabe nadar ou do paciente paraplégico? Será que estariam vivos

Por sorte, o piloto escolheu o dia e o local certo para voar. Porque a praia estava com muita gente. Se não fosse feriado, sendo uma quinta-feira normal, talvez nem todos teriam sobrevivido.

Mas o que me deixou mais p#@%, foi a ajuda que os bombeiros ofereceram. Quem estava no comando, não queria ajudar, mas, depois de muita insistência, ele disse que ajudaria.

Parece piada, mas sabe o que ele fez?

- Olha, vou contar até três. No três, vocês puxam a corda.

Agora, escrevendo isso, eu estou rindo. Mas, na hora, eu o xinguei muito. Fizemos todo o trabalho dele, no resgate, no auxílio às vítimas... e a ajuda dele foi contar até três. Nem na corda ele teve a coragem de pegar.




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OBS.: não se sabe ao certo o motivo da queda do avião. Mas, o que se 'quase' sabe é que faltou combustível ao avião. A enfermeira disse isso. O piloto estava bem tranquilo no local do acidente. Ele só estava preocupado em tirar os documentos do avião, que estava submerso. Ele revelou que o avião apresentou problemas no motor, mas, ao dizer isso, deu uma risadinha sem graça. Falou que ia pousar na pista da empresa, mas que, ao perceber que não conseguiria chegar, entrou em contato com a torre do aeroporto para pousar lá. No entanto, não conseguiria chegar, também. A alternativa, aí, foi ir em direção ao rio e evitar maiores danos. Não gosto de julgar ninguém, mas, em casos de falta de combustível em avião, o piloto deve ser preso. Não há justificativa para colocar em risco tantas vidas.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Vivo e o desafio do cancelamento


Depois de muito tempo enrolando para cancelar o meu plano controle da Vivo, decidi fazer isso. A gente sempre sabe como essas questões são chatas, porque as operadoras não querem manter o cliente oferecendo bons serviços, mas, sim, criando dificuldades no cancelamento, achando que os clientes vão desistir do cancelamento por conta de todas as dificuldades criadas. E, de fato, isso acontece. Eu, mesmo, já enrolei meses para fazer este cancelamento por conta da dor de cabeça.

No início até fiquei surpreso. Ao ligar para o *8486, você fala com um simpático robô. E isso dá a falsa sensação de que você vai conseguir resolver a sua situação sem mais problemas. Após vários minutos, você chega até na parte do cancelamento. Ele pede para confirmar CPF, número da linha, senha de acesso ao site... depois, pergunta se deseja cancelar o plano falando com um atendente ou se deseja continuar o cancelamento com o atendimento eletrônico. 

Escolho a segunda opção e vem a surpresa: “eu sei que você escolheu não cancelar com um atendente, mas eu preciso transferir essa ligação". Mais alguns minutos e uma moça atende. Explico a situação para ela e digo que quero cancelar meu plano controle. Ela diz que o melhor dia para cancelamento é o dia 10 e, que se eu cancelar antes desse dia, eu terei que pagar um mês adicional. "Oi?! Eu estou ligando antes do dia 10, não tem porque cobrar a mais", argumento. "Mas senhor, o melhor dia para fazer isso é o dia 10, que é o dia da renovação do seu plano", rebate. "Não existe essa história. Eu quero cancelar hoje, não quero esperar até o dia 10 para isso". A atendente fica muda e a ligação "cai".

Ligo novamente para a Vivo, escolho a opção de falar com atendente, já cansado de ouvir aquele robô. Outra moça me atende, explico novamente o que desejo. Ela tenta argumentar comigo que tem outros planos, que se eu cancelar eu vou sair perdendo, blá, blá, blá... aquele papo chato de sempre. Por fim, ela diz que vai efetuar o cancelamento e chegará um SMS confirmando a operação. Esta, pelo menos, não quis cobrar uma fatura a mais pelo cancelamento.

Para minha surpresa, no dia 10, chega um SMS para mim: "Vivo Controle disponível! 2GB, 60 min locais p/ outras operadoras e fala ilimitado p/ Vivo e qualquer fixo. Válido até 10/10/2017".
A operadora não cancelou o meu plano e o renovou por mais 30 dias.

Hoje, dia 13, liguei lá para saber o que tinha acontecido. A mulher informou que meu plano estava ativo. Não adiantou explicar que já havia cancelado e que essa prática era abusiva. Quando pedi para cancelar, insistentemente, ela argumentou: "o senhor vai perder os benefícios que estão ativos, só tem dois dias que o plano foi renovado..." Agora, tenho mais uma fatura para pagar de um plano que não deveria estar ativo.

Dá pra acreditar? Mesmo com mais de 10 anos na operadora sou tratado assim. Vivo, nunca mais!

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

A efemeridade da vida

e·fe·me·ri·da·de
(.efêmero + -idade) 
substantivo feminino 
Qualidade de .efêmero. 

e·fê·me·ro
adjetivo
1. que dura um dia 
2. que é passageiro, temporário, transitório 
3. bot que desabrocha e fenece no período de um dia (diz-se de flor) 
4. bot que apresenta ciclo de vida muito curto, podendo germinar, florescer e dispersar as sementes várias vezes em um só ano (diz-se de planta) cf. anual, bianual, perene, vivaz 
substantivo masculino 
5 o que dura pouco, o que é transitório

[Houaiss]

Fui editor-chefe de jornal impresso por quatro anos. Distante da capital, era mais um jornal-revista, já que ia às bancas apenas uma vez por semana, sempre às sextas-feiras. 

Foi no ano de 2011 que tive a minha primeira experiência com a efemeridade da vida. No final do mês de março daquele ano, eu comecei a trabalhar no jornalismo impresso. No meu primeiro dia de trabalho, fui responsável por fechar a edição de todo o jornal, contando, claro, com a ajuda de todos da redação, porque, ali, eu era o que menos tinha experiência nisso.

Ao final do dia, uma quinta-feira, eu estava exausto. Não sei como, mas tínhamos conseguido finalizar a edição daquela semana. Passei o dia tenso, ainda sem conseguir carregar direito o peso da responsabilidade. Ainda mais por ser um mundo novo para mim, que havia acabado de sair da faculdade, em janeiro do mesmo ano.

As semanas que se sucederam deixaram o trabalho fluir melhor, mas não tiraram o peso da responsabilidade. Semana após semana, ao longo dos anos que passei na função, nunca a quinta-feira ficou menos tensa. Não à toa que foi apelidada de "dia de cão" pelos colegas de redação

Hoje, as efemeridades estão presentes rotineiramente. Todos os dias nos preparamos para coisas que vão passar tão rapidamente que dão a quase sensação de que foram apenas um sonho.



sábado, 1 de abril de 2017

#LQL - A Metamorfose

A Metamorfose (Die Verwandlung em alemão) é uma novela escrita por Franz Kafka, publicada pela primeira vez em 1015.

Veio a ser o texto mais conhecido, estudado e citado da obra de Kafka. Apesar de ter sido publicada em 1915, foi escrita em novembro de 1912 e concluída em vinte dias.

Em 7 de dezembro de 1912, Kafka escrevia à sua noiva, Felice Bauer: "Minha pequena história está terminada".

Enredo

Nesta obra de Kafka, ele descreve uma caixeiro viajante que abandona suas vontades e desejos para sustentar a família e pagar a dívida dos pais, tendo o nome de Gregor Samsa. Numa certa manhã, Gregor acorda metamorfoseado em um inseto monstruoso. Kafka descreve este inseto como algo parecido com uma barata gigante. Nos primeiros momentos, o livro descreve as dificuldades iniciais de Gregor na nova forma. Uma ironia presente neste trecho do livro é que Gregor não se preocupa com sua transformação, mas sim como está atrasado para o trabalho.

Quando Gregor, após muita dificuldade, consegue abrir a porta, todos se assustam, seu pai, sua mãe, inclusive o gerente que sai correndo. O Sr. Samsa avança contra ele, forçando-o a entrar de volta no quarto. Após esse episódio, Gregor é demitido, sua família o rejeita e sua única companhia é ele mesmo. Apenas em alguns momentos, a irmã mostra certa compaixão por ele.

No decorrer da história, o autor narra as angústias de Gregor, que sem conseguir fazer nada, ouve sua família discutindo entre si como se sustentar, já que sua única renda havia ido embora. Nisso, Grégor sente uma forte angústia por não poder fazer nada, nem opinar sobre o que fazer. Nesses tempos, Grete vê os rastros de Grégor nas paredes e no teto de seu quarto, então percebe que Grégor tem falta de espaço, assim, ela e sua mãe vão tirar os móveis do quarto dele. O problema é que o inseto foge do quarto, mas ao sair, se depara com seu pai que o ataca com maçãs, e uma delas penetra em suas costas, causando tanta dor que o faz desmaiar.

No final das contas os Samsa, (sem contar com a opinião de Gregor, claro) decidem alugar um quarto para ter alguma fonte de renda. O quarto é alugado por três inquilinos, que vivem na casa por um tempo. Em um certo dia, Ana esquece uma fresta da porta, que ligava a sala ao quarto de Grégor, aberta. Na hora da jantar, Grete tocava seu violino para os inquilinos. Grégor, do seu quarto, ouve e fica tão encantado com o som que segue em direção à sala de jantar. Nos primeiros momentos, ninguém o percebe, mas após alguns segundos um dos inquilinos o vê e grita. Sr. Samsa tenta afastar os inquilinos de modo que não vejam o inseto e ao mesmo tempo fazer com que a criatura volte para o seu quarto. Depois desse incidente, Grete, a única que ainda via Gregor como seu irmão e não como um monstro horroroso que atormentava a sua família, perde toda a compaixão e chega á conclusão que eles devem se livrar dele.

No passar do tempo, o autor fala várias vezes sobre a maçã apodrecendo em suas costas, o que é retratado com um sentido simbólico como o ódio de sua família por ele. Depois de certo período, a maçã causa a morte de Gregor. Logo depois de Ana acabar de limpar o quarto do falecido, a família sai da casa feliz. Já não pensavam na morte de Gregor e viam certa esperança em um futuro próximo, em que poderiam comprar uma casa mais confortável.

Também se mostra interessante que, durante a história, Kafka mostra três períodos da relação da família perante Gregor. No primeiro, ela sente medo; no segundo o aceita, mas o esconde do mundo; já no terceiro, o odeia, o vê como um peso desnecessário e quer se livrar dele.

Fonte: Wikipédia

Um voo de liberdade